{"id":21727,"date":"2014-02-23T12:24:02","date_gmt":"2014-02-23T11:24:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/?p=21727"},"modified":"2020-11-23T10:32:37","modified_gmt":"2020-11-23T09:32:37","slug":"neuropsicologia-alzheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/neuropsicologia-alzheimer\/","title":{"rendered":"Neuropsicologia: enquadramento da disciplina e suas contribui\u00e7\u00f5es para a Doen\u00e7a de Alzheimer"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: left;\"><b>Neuropsicologia: enquadramento da disciplina e suas contribui\u00e7\u00f5es para a Doen\u00e7a de Alzheimer. <\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Resumo<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Neuropsicologia \u00e9 o estudo cient\u00edfico da rela\u00e7\u00e3o entre a estrutura e o funcionamento cerebral e o comportamento humano, focando-se essencialmente em investigar a rela\u00e7\u00e3o entre diferentes les\u00f5es cerebrais e os d\u00e9fices ou efeitos psicol\u00f3gicos subjacentes \u00e0s mesmas, ou seja, o papel dos sistemas cerebrais particulares nas formas complexas de actividade mental. A Neuropsicologia nasce a partir de duas grandes \u00e1reas: a Psicologia e a Neurologia. Todavia, o seu enquadramento geral envolve de uma forma mais espec\u00edfica uma enorme variedade de disciplinas e subdisciplinas que, ao longo dos tempos, v\u00e3o contribuindo para a sua solidifica\u00e7\u00e3o. O termo dem\u00eancia \u00e9 usado para descrever v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es cerebrais que resultam numa severa e progressiva perda de mem\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Neuropsicologia: enquadramento da disciplina e suas contribui\u00e7\u00f5es para a Doen\u00e7a de Alzheimer. <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Neuropsicolog\u00eda: encuadramiento de la disciplina y sus contribuiciones para la Enfermedad de Alzheimer. <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Neuropsychology: framework of the discipline and its contributions to Alzheimer disease. <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Clara Marga\u00e7a, Mestranda em Psicologia Cl\u00ednica e da Sa\u00fade. Departamento de Psicologia e Educa\u00e7\u00e3o, Universidade da Beira Interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doen\u00e7a de Alzheimer (DA), por sua vez, \u00e9 uma doen\u00e7a cerebral degenerativa, de etiologia multifactorial, caracterizada pela perda progressiva da mem\u00f3ria e de outras fun\u00e7\u00f5es cognitivas, prejudicando o paciente nas suas actividades de vida di\u00e1ria e no seu desempenho social e ocupacional. A avalia\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica tem ocupado um lugar importante na pr\u00e1tica dos profissionais em sa\u00fade mental, especialmente, nas \u00e1reas da psicologia, psiquiatria, neurologia e gerontologia. Palavras-Chave: neuropsicologia, dem\u00eancias, Alzheimer, avalia\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Resumen <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">La Neuropsicolog\u00eda es el estudio cient\u00edfico de la relaci\u00f3n entre la estructura y el funcionamiento cerebral y el comportamiento humano, centr\u00e1ndose esencialmente en investigar la relaci\u00f3n entre diferentes lesiones cerebrales y los d\u00e9ficits o efectos psicol\u00f3gicos subyacentes a las mismas, es decir, el papel de los sistemas cerebrales particulares en las formas complejas de actividad mental. La Neuropsicolog\u00eda nace a partir de dos grandes \u00e1reas: Psicolog\u00eda y la Neurolog\u00eda. Sin embargo, su encuadramiento general envuelve de una forma m\u00e1s espec\u00edfica una enorme variedad de disciplinas y subdisciplinas que, al largo de los tiempos, van contribuyendo para su solidifica\u00e7\u00e3o. El t\u00e9rmino demencia es usado para describir varios trastornos cerebrales que resultan en una severa y progresiva p\u00e9rdida de memoria. La Enfermedad de Alzheimer (EA), por su parte, es una enfermedad cerebral degenerativa, de etiolog\u00eda multifactorial, caracterizada por la p\u00e9rdida progresiva de la memoria y de otras funciones cognitivas, prejudiciando el paciente en sus actividades de vida diaria y en su desempe\u00f1o social y ocupacional. La evaluaci\u00f3n neuropsicol\u00f3gica ha ocupado un lugar importante en la pr\u00e1ctica de los profesionales en salud mental, especialmente, en las \u00e1reas de la psicolog\u00eda, psiquiatr\u00eda, neurolog\u00eda y gerontolog\u00eda. Palabras clave: Neuropsicolog\u00eda, demencias, Alzheimer, evaluaci\u00f3n neuropsicol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Abstract <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neuropsychology is the scientific study of the relationship between structure and brain function and human behavior, primarily focusing on the investigation of the relationship between different brain injuries and deficits or psychological effects which underlying the brain injuries, i.e., the role of particular brain systems in complex forms of mental activity. Neuropsychology comes from two main areas: Psychology and Neurology. However, its overall framework involves in the more specific way a variety of disciplines and sub-disciplines that, over time, contribute to its solidification. The term dementia is used to describe various brain disorders that result in severe and progressive loss of memory. Alzheimer&#8217;s Disease (AD), in turn, is a degenerative brain disease with multifactorial etiology, characterized by progressive loss of memory and other cognitive functions, impairing the patients in their activities of daily life routine and in their social and occupational performance. Neuropsychological assessment has been occupied an important place in the practice of mental health treatment, especially in the areas of psychology, psychiatry, neurology, and gerontology.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Key-Words: neuropsychology, dementia, Alzheimer, neuropsychological assessment.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Neuropsicologia, segundo Kolb &amp; Whishaw (1996, 2003), \u00e9 definida como o estudo da rela\u00e7\u00e3o entre a fun\u00e7\u00e3o cerebral e o comportamento humano. Por\u00e9m, para a maioria dos neuropsic\u00f3logos o termo passou a significar algo mais espec\u00edfico (Kolb e Whishaw, 1996 citado por Stirling, 2002). A defini\u00e7\u00e3o oferecida por Kolb &amp; Whishaw (1996) \u00e9 muito mais adequada para a \u00e1rea mais geral da Psicologia Fisiol\u00f3gica ou da Biopsicologia, a partir das quais se desenvolveu a Neuropsicologia. Desta forma, a Neuropsicologia \u00e9 uma disciplina de transi\u00e7\u00e3o que se baseia em conhecimentos da Neurologia, da Psicologia Experimental, bem como da Psiquiatria. O seu primordial objectivo \u00e9 tentar compreender o funcionamento dos processos psicol\u00f3gicos humanos, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas estruturas e sistemas cerebrais, bem como em investigar a rela\u00e7\u00e3o entre diferentes les\u00f5es cerebrais e os d\u00e9fices ou efeitos psicol\u00f3gicos subjacentes \u00e0s mesmas (Stirling, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista \u00e9tico, os humanos n\u00e3o podem ser expostos a tratamentos experimentais que ponham em risco o seu normal funcionamento cerebral; desta forma,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o estudo neuropsicol\u00f3gico baseia-se, exclusivamente, em estudos de caso e estudos semi-experimentais, em pacientes com les\u00f5es cerebrais ou com determinadas patologias (Pinel, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Luria (1973 citado por Maia, Correia &amp; Leite, 2009, p. 3), o principal objectivo desta disciplina cient\u00edfica \u201c\u00e8 investigar o papel dos sistemas cerebrais particulares nas formas complexas de actividade mental\u201d. A Neuropsicologia compreende, ainda, um conjunto variado de objectivos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) a descri\u00e7\u00e3o cient\u00edfica das manifesta\u00e7\u00f5es da patologia, bem como das actividades nervosas superiores;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) o conhecimento dos mecanismos que levam ao aparecimento de doen\u00e7as;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) o diagn\u00f3stico cl\u00ednico, cerebral e neuropsicol\u00f3gico, subjacente a determinado transtorno ou modifica\u00e7\u00e3o de comportamento;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4) o estudo da influ\u00eancia da experi\u00eancia <\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e da aprendizagem nas bases neurofuncionais;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5) o estudo das representa\u00e7\u00f5es internas dos fen\u00f3menos mentais;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6) a terap\u00eautica racional e fisiopatol\u00f3gica e<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7) a reabilita\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o de planos de investiga\u00e7\u00e3o (Bartolom\u00e9, Fernandez &amp; Ajamil, 2001). Assim, a Neuropsicologia, ao estudar indiv\u00edduos com les\u00f5es ou disfun\u00e7\u00f5es cerebrais poder\u00e1 auxiliar na compreens\u00e3o de como a mente humana funciona, contribuindo tanto para o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">desenvolvimento te\u00f3rico, quanto para o delineamento de procedimentos de reabilita\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Fernandes, 2003).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As contribui\u00e7\u00f5es da Neuropsicologia assumem um car\u00e1cter transversal, pois n\u00e3o se resumem, apenas, aos campos de aplica\u00e7\u00e3o cl\u00ednicos; estendem-se a outras \u00e1reas como a Educa\u00e7\u00e3o, a Gerontologia ou, ainda, ao campo das ci\u00eancias experimentais, as Neuroci\u00eancias (Zillmer, Spiers &amp; Culberstone, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Enquadramento Epistemol\u00f3gico da Neuropsicologia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo Neuropsicologia foi, primeiramente, citado por Sir William Osler, em 1913, numa confer\u00eancia nos Estados Unidos. No entanto, este termo apenas foi reconhecido e foi iniciada a sua difus\u00e3o a partir da publica\u00e7\u00e3o de Donald Hebb, em 1949, assim como atrav\u00e9s da publica\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica do jornal Neuropsychology, em 1963 (Kristensen, Almeida &amp; Gomes, 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Neuropsicologia, como \u00e1rea cient\u00edfica s\u00f3lida, tem um desenvolvimento bastante recente, apesar de as suas origens remontarem \u00e0 Antiguidade, com os primeiros estudos cerebrais dos quais existem registos, origin\u00e1rios da Sum\u00e9ria, e cuja fundamenta\u00e7\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 fruto de v\u00e1rias d\u00e9cadas de estudos e investiga\u00e7\u00f5es (Semple, Smyth &amp; Burns, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos pr\u00e1ticos, a Neuropsicologia nasce a partir de duas grandes \u00e1reas, a Psicologia e a Neurologia. Todavia, o seu enquadramento geral envolve de uma forma mais espec\u00edfica uma enorme variedade de disciplinas e subdisciplinas. A Psicologia, uma das principais \u00e1reas que permitiu a sua cria\u00e7\u00e3o, contribui de uma forma bastante significativa, nomeadamente, ao n\u00edvel da Psicologia Cognitiva, da Psicologia Comportamental, Psicologia Experimental, da Psicologia Diferencial, das Psicopatologias e do Diagn\u00f3stico Psicol\u00f3gico. Por outro lado, as Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas t\u00eam tamb\u00e9m um papel primordial, englobando, estas, diferenciados campos de estudo de grande import\u00e2ncia para o desenvolvimento da ci\u00eancia em quest\u00e3o. A Medicina merece tamb\u00e9m destaque, principalmente ao n\u00edvel da Neurologia, da Neuroanatomia e da Neurofisiologia. Poder-se-\u00e3o ainda destacar disciplinas como a Embriologia, a F\u00edsica, a Farmacologia, bem como a Biologia Celular ou a Qu\u00edmica (Bartolom\u00e9 et al., 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante focar, portanto, alguns dados hist\u00f3ricos que ofereceram contributo para o desenvolvimento desta ci\u00eancia. Os primeiros estudos datam, sensivelmente, de 4000 anos a.C., com registos escritos da civiliza\u00e7\u00e3o Sum\u00e9ria sobre os efeitos euf\u00f3ricos e alucinog\u00e9nios da papoila. Por\u00e9m, considera-se que tudo teve in\u00edcio com Pit\u00e1goras, quando este afirmou que \u2018a raz\u00e3o humana reside no c\u00e8rebro\u2019; outros autores defendem, ainda, que foi Galeno (130-200 d.C), um m\u00e9dico que viveu durante o Imp\u00e9rio Romano, que defendia que a mente estava localizada no c\u00e9rebro, refutando, desta forma, a teoria de Arist\u00f3teles (Semple, Smyth &amp; Burns, 2005). A verdade \u00e9 que, independentemente do que \u00e9 defendido ou da ordem cronol\u00f3gica dos factos, o Homem desde sempre procurou descobrir mais acerca da mente, do c\u00e9rebro e do comportamento humano, assim como da rela\u00e7\u00e3o entre esta tr\u00edade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo remonta a eras ancestrais, quando se fazia uso da chamada Trepana\u00e7\u00e3o; esta consistia na remo\u00e7\u00e3o cir\u00fargica de uma por\u00e7\u00e3o do osso craniano, criando-se uma abertura no mesmo, de forma a aliviar a press\u00e3o derivada de um incha\u00e7o cerebral. Contudo, os motivos desta cirurgia n\u00e3o s\u00e3o totalmente claros, pois, muitos afirmam que tinha um prop\u00f3sito meramente m\u00e9dico, outros sugerem que tinha como base rituais, como forma de tratamento para \u2018comportamentos bizarros\u2019, aquilo a que hoje chamamos de esquizofrenia ou a epilepsia (Zillmer, Spiers &amp; Culberstone, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda segundo Zillmer et al. (2007), sabe-se que na Gr\u00e9cia Antiga se encontraram os primeiros registos escritos da rela\u00e7\u00e3o entre mente \u2013 comportamento. O fil\u00f3sofo grego Her\u00e1clito (s\u00e9c. VI a.C.) defendia que a mente era um espa\u00e7o de enormes dimens\u00f5es, cujos limites seriam inating\u00edveis ao Homem. Por seu turno, Pit\u00e1goras (580 \u2013 500 a.C.) tornou-se o primeiro a apontar o c\u00e9rebro como o centro da racionalidade humana, tendo tamb\u00e9m um papel crucial ao n\u00edvel da alma (Zillmer et al., 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 igualmente importante mencionar as contribui\u00e7\u00f5es dos fil\u00f3sofos Hip\u00f3crates (460 \u2013 377 a.C.) e Plat\u00e3o (420 \u2013 347 a.C.): o primeiro pelo facto de reconhecer que o prazer ou a dor provinham do c\u00e9rebro; relativamente ao segundo, muitos historiadores acreditam que este foi o primeiro a propor o conceito de \u2018sa\u00f6de mental\u2019, dado que defendia a \u2018sa\u00f6de como a harmonia entre mente e corpo\u2019. Todavia, nem todos os antigos fil\u00f3sofos creditavam o c\u00e9rebro como fonte de emo\u00e7\u00f5es e como estando, directamente, relacionado com o comportamento do Homem. Arist\u00f3teles (384 \u2013 322 a.C.), por exemplo, acreditava ser o cora\u00e7\u00e3o o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelas emo\u00e7\u00f5es e sentimentos, criando, ent\u00e3o, o que chamou de \u201cHip\u00f3tese Card\u00edaca\u201d (Zillmer et al., 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Maia, Correia, &amp; Leite (2007), supunha-se que faculdades como as sensa\u00e7\u00f5es, cogni\u00e7\u00f5es ou a mem\u00f3ria habitassem nos ventr\u00edculos cerebrais. Reinava, portanto, a Teoria Ventricular. Segundo Pevsner (2002), da Vinci interessou-se pelos estudos de Galeno \u2013 m\u00e9dico do Imp\u00e9rio Romano e precursor desta teoria \u2013 e leu parte dos seus ensaios, decidindo adapt\u00e1-los aos seus pr\u00f3prios estudos. Entre as muitas contribui\u00e7\u00f5es deste artista, destacam-se as experi\u00eancias sobre o sistema nervoso central, ao n\u00edvel das suas estruturas anat\u00f3micas. Ao n\u00edvel ventricular, \u00e9 de salientar as suas experi\u00eancias com a injec\u00e7\u00e3o de cera derretida nos ventr\u00edculos de bovinos, fornecendo assim uma melhor compreens\u00e3o acerca destas estruturas. Contudo, foi Andreas Vesalius (1514 \u2013 1564) quem ousou realizar as primeiras correc\u00e7\u00f5es no modelo proposto por Galeno, nomeadamente, ao n\u00edvel do papel dos ventr\u00edculos, no que diz respeito ao comportamento. As suas ilustra\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s de extrema precis\u00e3o, contribu\u00edram tamb\u00e9m para um melhor entendimento da anatomia cerebral (Zillmer et al., 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ren\u00e9 Descartes (1596 \u2013 1650) veio marcar a era p\u00f3s-renascentista, propondo uma divis\u00e3o entre mente e corpo. Descartes via o corpo, em termos funcionais, semelhante a uma m\u00e1quina, e a mente como aquilo que decidia como a m\u00e1quina se iria comportar, criando assim uma teoria dualista que ia contra aquilo que muitos outros <\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">fil\u00f3sofos defendiam, o chamado monismo. Para os monistas, o corpo e a mente s\u00e3o duas palavras para descrever a mesma coisa (Kolb &amp; Whishaw, 2003).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tarde Luigi Galvani (1737 \u2013 1798) ficaria famoso pelos seus estudos sobre a actividade el\u00e9ctrica em nervos de r\u00e3s, que serviram para erradicar antigos termos usados, como \u2018entidades espirituais\u2019 ou \u2018flu\u00eddos\u2019 (Maia et al., 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora tenhamos j\u00e1 registado v\u00e1rias oposi\u00e7\u00f5es entre as concep\u00e7\u00f5es acerca do c\u00e9rebro e das suas fun\u00e7\u00f5es, apenas no s\u00e9culo XIX se verificaria a primeira grande teoria relativa ao funcionamento da mente: a Frenologia. Esta foi criada por Franz Joseph Gall (1758 \u2013 1828), m\u00e9dico anatomista alem\u00e3o, consistindo na organiza\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro em trinta e cinco fun\u00e7\u00f5es, que correspondiam a \u00e1reas cerebrais espec\u00edficas. Esta vis\u00e3o materialista da mente persistiu durante v\u00e1rios anos, at\u00e9 que come\u00e7aram a surgir teorias com base emp\u00edrica que demonstravam que a teoria de Gall n\u00e3o era t\u00e3o precisa quanto aparentava (Gazzaniga &amp; Heatherton, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, o cirurgi\u00e3o franc\u00eas Pierre Paul Broca (1824 \u2013 1880) examinou um paciente que tinha sofrido um enfarte; o paciente conseguia compreender a linguagem, por\u00e9m, era incapaz de falar fluentemente, tendo ficado conhecido como \u201cTan Tan\u201d, sendo que era esta a \u00fanica palavra que conseguia verbalizar. A \u00e1rea cerebral danificada era o lado esquerdo do lobo frontal, mais precisamente, aquilo que viria a designar-se de \u00e1rea 44 de Brodmann ou \u00e1rea de Broca (Gazzaniga &amp; Heatherton, 2002). Esta descoberta teve um impacto enorme dentro da comunidade cient\u00edfica. Atrav\u00e9s das suas investiga\u00e7\u00f5es, Broca descreveu esta condi\u00e7\u00e3o como afasia, ou seja, a incapacidade de falar, devido \u00e0 les\u00e3o naquela regi\u00e3o do c\u00e9rebro. Tal feito veio corroborar as teorias \u2018localizacionistas\u2019, dado que havia sido comprovado que existia uma determinada \u00e1rea cerebral que controlava a produ\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o do discurso (Zillmer et al., 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O alem\u00e3o Karl Wernicke (1848 \u2013 1905), por sua vez, atentou num caso em que o sujeito conseguia falar fluentemente mas, em contrapartida, o seu discurso n\u00e3o fazia sentido e o sujeito parecia, tamb\u00e9m, n\u00e3o compreender a linguagem escrita ou falada. Este era portador de les\u00e3o na parte posterior do hemisf\u00e9rio esquerdo, na \u00e1rea junto \u00e0 jun\u00e7\u00e3o entre os lobos temporal e parietal. A les\u00e3o nesta \u00e1rea ficou conhecida, posteriormente, como \u2018afasia de Wernicke\u2019. Karl Wernicke ficou tamb\u00e9m conhecido pela descoberta do chamado s\u00edndrome de Wernicke \u2013 Korsakoff, que consiste num transtorno de mem\u00f3ria comum nas pessoas que consomem elevadas quantidades de \u00e1lcool (Pinel, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O famoso caso de Phineas Gage (1823 \u2013 1860) trouxe enorme interesse e discuss\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia. Gage era um oper\u00e1rio que trabalhava nos caminhos-de-ferro, na constru\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria de Rutland and Burlington (Nova Inglaterra), tendo a seu cargo um grande n\u00famero de homens, incumbido de efectuar furos na rocha onde, posteriormente, se deitaria a p\u00f3lvora, e calcar o material com uma vara de ferro, antes de se proceder \u00e0 detona\u00e7\u00e3o. Num dia escaldante, que se tornou fat\u00eddico, a p\u00f3lvora explodiu ao ser calcada, apenas por uma distra\u00e7\u00e3o de Phineas, o que fez com que uma vara de ferro, com cerca de 90cm de altura e 3cm de espessura, perfurasse a base do seu cr\u00e2nio do lado esquerdo, atravessando a regi\u00e3o frontal do c\u00e9rebro, saindo pelo outro lado. Gage, apesar de ter ficado com a massa encef\u00e1lica do lobo pr\u00e9-frontal esquerdo quase toda destru\u00edda, nunca perdeu os sentidos, falou, manteve a coer\u00eancia e ainda caminhou, tendo sido, posteriormente, transportado at\u00e9 a uma casa, onde foi examinado pelo m\u00e9dico Dr. Harlow (Dam\u00e1sio, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este caso forneceu dados preciosos para a compreens\u00e3o da import\u00e2ncia dos lobos pr\u00e9-frontais, especialmente ao n\u00edvel comportamental, emocional e personal\u00edstico. O caso de Phineas \u00e9, verdadeiramente, significativo, pois, enquanto outros casos de les\u00f5es neurol\u00f3gicas, ocorridas na mesma \u00e9poca, revelaram que o c\u00e9rebro era o alicerce da linguagem, percep\u00e7\u00e3o e fun\u00e7\u00f5es motoras, e em termos gerais forneceram pormenores cientificamente conclusivos, a hist\u00f3ria de Gage sugeria um facto espantoso: havia sistemas no c\u00e9rebro mais associados \u00e0 raz\u00e3o que a qualquer outra fun\u00e7\u00e3o e associados, em particular, \u00e0s dimens\u00f5es pessoais e sociais da raz\u00e3o (Dam\u00e1sio, 2011). Este epis\u00f3dio contribuiu, indiscutivelmente, para o posterior desenvolvimento da Neuropsicologia enquanto ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tarde, Camillo Golgi (1843 \u2013 1926) quando tentava, em 1875, corar as meninges, expondo uma parte de tecido neural a dicromato de pot\u00e1ssio e a anitrato de prata, reparou em algo impressionante: a subst\u00e2ncia resultante da reac\u00e7\u00e3o qu\u00edmica entre ambas as subst\u00e2ncias invadiu alguns neur\u00f3nios das amostras de tecido e colorou-os, permitindo visualizar na \u00edntegra todas as partes componentes de um neur\u00f3nio. Tal descoberta deu a Golgi o Nobel da Medicina, em 1906 (Pinel, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por conseguinte, Santiago R\u00e1mon y Cajal (1852 \u2013 1934), anatomista espanhol, considerado por alguns \u201co pai das neuroci\u00eancias\u201d, atrav\u00e9s do m\u00e9todo desenvolvido por Golgi, come\u00e7ou a estudar as c\u00e9lulas do sistema nervoso, desenhando os neur\u00f3nios em v\u00e1rias fases do seu desenvolvimento. Cajal descobriu, tamb\u00e9m, que ao contr\u00e1rio da vis\u00e3o defendida por Golgi, os neur\u00f3nios eram entidades independentes \u2013 n\u00e3o observou qualquer tipo de conex\u00f5es entre as c\u00e9lulas. Pelo que, esta teoria seria antag\u00f3nica com a de Golgi, pois defendia que os neur\u00f3nios estavam ligados, formando uma esp\u00e9cie de rede de ax\u00f3nios (Kolb &amp; Whishaw, 2003; Gazzaniga &amp; Heatherton, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerado o primeiro neuropsic\u00f3logo, Alexander Romanovich Luria (1902 \u2013 1977) mudou de uma maneira profunda a forma como s\u00e3o encarados o c\u00e9rebro, a mente e o comportamento. Luria defendia que existiam tr\u00eas sistemas funcionais, essenciais para qualquer tipo de actividade mental, a que ele pr\u00f3prio chamou de \u201cunidades\u201d. A primeira consistia na regula\u00e7\u00e3o do t\u00f3nus muscular, bem como do n\u00edvel de estimula\u00e7\u00e3o cerebral. A segunda unidade apontava as \u00e1reas posteriores do c\u00f3rtex, posteriormente, designadas por POT (parieto-occipito-temporal), e teria um papel fundamental na recep\u00e7\u00e3o, integra\u00e7\u00e3o e processamento da informa\u00e7\u00e3o sensorial, proveniente do exterior e do interior do organismo. Por fim, a terceira unidade, correspondia \u00e0s fun\u00e7\u00f5es executivas dos lobos frontais e pr\u00e9-frontais, logo, programa\u00e7\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o da actividade mental do sujeito, assim como do seu comportamento. Este autor afirmava que todo o tipo de comportamento exigia a interac\u00e7\u00e3o das tr\u00eas unidades b\u00e1sicas, o que reflectiria que o c\u00e9rebro funcionava como um todo mas, ao mesmo tempo, que existiam caracter\u00edsticas \u00fanicas que, apenas, determinadas \u00e1reas possu\u00edam e que, consequentemente, iriam tamb\u00e9m desempenhar um papel importante no comportamento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 pluripotencialidade (Zillmer et al., 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. <\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dem\u00eancias: A doen\u00e7a de Alzheimer<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cayton, Warner &amp; Graham (2000, p. 16) referem-se a dem\u00eancia como \u201cum termo usado para descrever v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es cerebrais que resultam numa severa e progressiva perda de mem\u00f3ria\u201d, existindo altera\u00e7\u00e3o global e persistente do funcionamento cognitivo com repercuss\u00f5es na vida do indiv\u00edduo. \u00c9, tamb\u00e9m, verificado um agravamento das perturba\u00e7\u00f5es cognitivas e um desenvolvimento ou manifesta\u00e7\u00e3o de sintomas psico-comportamentais e neurol\u00f3gicos, com o consequente decl\u00ednio acentuado de autonomia (Portet &amp; Touchon, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a OMS, entre as principais doen\u00e7as degenerativas, a Doen\u00e7a de Alzheimer responde por, no m\u00ednimo, 50% de todas as dem\u00eancias, entre elas a S\u00edndrome de Parkinson, a Dem\u00eancia em Corpos de Lewy e as Dem\u00eancias Vasculares Associadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doen\u00e7a de Alzheimer foi descoberta em 1907 pelo m\u00e9dico psiquiatra e neuropatologista que, ao realizar a aut\u00f3psia do c\u00e9rebro de uma mulher de 55 anos, cujas faculdades intelectuais haviam desaparecido gradualmente nos quatro anos precedentes ao seu falecimento, verificou um problema nos somas dos neur\u00f3nios, os quais se encontravam atrofiados em v\u00e1rios locais do c\u00e9rebro e repletos de placas estranhas e fibras retorcidas, envolvidas umas nas outras (Portet &amp; Touchon, 2002). Deste modo, a DA foi caracterizada pela afec\u00e7\u00e3o de duas les\u00f5es: a placa senil e a degeneresc\u00eancia neurofibrilar (Portet &amp; Touchon, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doen\u00e7a de Alzheimer (DA) \u00e9 uma doen\u00e7a cerebral degenerativa, caracterizada pela perda progressiva da mem\u00f3ria e de outras fun\u00e7\u00f5es cognitivas, que afecta pessoas adultas, na maioria os idosos, e prejudicam o paciente nas suas actividades de vida di\u00e1ria e no seu desempenho social e ocupacional. Segundo Cotran, Kumar &amp; Collins (2000), esta dem\u00eancia (caracterizada pela degenera\u00e7\u00e3o do c\u00f3rtex cerebral) \u00e9 uma anomalia que, geralmente, se manifesta clinicamente sob a forma de comprometimento das fun\u00e7\u00f5es intelectuais mais elevadas e atrav\u00e9s de dist\u00farbios do afecto. A DA pode ser dividida em tr\u00eas fases \u2013 leve, moderada e grave \u2013 de acordo com o n\u00edvel de comprometimento cognitivo e o grau de depend\u00eancia do indiv\u00edduo (Bottino, Carvalho, Alvarez, Avila, Zukauskas, Bustamante, Andrade, Hototian, &amp; Camargo, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Alzheimer \u00e9 a mais comum das dem\u00eancias e caracteriza-se por ser uma doen\u00e7a degenerativa e progressiva do c\u00e9rebro, afectando as c\u00e9lulas nervosas em toda a \u00e1rea cerebral, causando a morte das c\u00e9lulas, devido \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de placas amil\u00f3ides (neur\u00edticas), constitu\u00eddas por fibrilhas da prote\u00edna beta amil\u00f3ide. Desta forma, deteriora\u00ad se o funcionamento intelectual e as capacidades cognitivas (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realiza\u00e7\u00e3o da aut\u00f3psia, Alois Alzheimer identificou dois tipos de anomalias: 1) placas constitu\u00eddas por um material an\u00f3malo e de natureza proteica, que continham termina\u00e7\u00f5es de neur\u00f3nios degenerados, situados no hipocampo e no c\u00f3rtex cerebral \u2013 regi\u00f5es relacionadas com a mem\u00f3ria e pensamento, respectivamente e 2) emaranhados neurofibribilares no interior dos pr\u00f3prios neur\u00f3nios (Selmes &amp; Selmes, 2000). Na doen\u00e7a de Alzheimer observa-se, geralmente, uma atrofia do c\u00e9rebro com diminui\u00e7\u00e3o do seu tamanho como resultado da perda de neur\u00f3nios no c\u00f3rtex cerebral, embora seja poss\u00edvel, a n\u00edvel macrosc\u00f3pico, apresentar-se normal, nas primeiras fases de desenvolvimento da patologia (Hay, 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Seeley, Stephens &amp; Tate (1997, p. 449), \u201cas circunvala\u00e7\u00f5es tornam-se mais estreitas e os sulcos mais largos\u201d; os ventr\u00edculos cerebrais encontram-se, de igual forma, dilatados e, normalmente, sem forma sim\u00e9trica, reflectindo-se na perda generalizada de par\u00eanquima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao n\u00edvel do c\u00f3rtex cerebral, formam-se placas amil\u00f3ides e emaranhados de neurofibrilas que surgem como agregados filamentosos dentro do citoplasma dos neur\u00f3nios mortos ou em processo de cessa\u00e7\u00e3o; estes s\u00e3o compostos por filamentos helicoidais insol\u00faveis e abundantes em prote\u00ednas. A acumula\u00e7\u00e3o dessas prote\u00ednas nas termina\u00e7\u00f5es nervosas distais das c\u00e9lulas neuronais em degenera\u00e7\u00e3o forma as placas senis, caracter\u00edsticas desta patologia que, por sua vez, cont\u00eam um n\u00facleo amil\u00f3ide central composto de grandes quantidades de prote\u00edna beta-amil\u00f3ide (Cotra net al., 1996).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A DA \u00e9 caracterizada por diversas altera\u00e7\u00f5es histopatol\u00f3gicas e neurofisiol\u00f3gicas. Tem placas amil\u00f3ides extracelulares constitu\u00eddas por dep\u00f3sitos amorfos de prote\u00edna bamil\u00f3ide e de emaranhados neurofibrilares intraneuronais, com filamentos de uma prote\u00edna fosforilada associada a microt\u00fabulos \u2013 a prote\u00edna tau (Caliman &amp; Oliveira, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prote\u00edna tau \u00e9 um constituinte normal dos neur\u00f3nios que aparece na DA, anormalmente, fosforilada, sendo depositada intracelularmente na forma de filamentos helicoidais pareados. Evid\u00eancias experimentais indicam que a excita\u00e7\u00e3o de receptores colin\u00e9rgicos muscar\u00ednicos est\u00e1 associada \u00e0 fosforila\u00e7\u00e3o da prote\u00edna tau. A activa\u00e7\u00e3o destes receptores resulta em activa\u00e7\u00e3o de uma prote\u00edna quinase C que, por sua vez, conduz a inactiva\u00e7\u00e3o da prote\u00edna quinase GSK-3 \u2013 respons\u00e1vel pela fosforila\u00e7\u00e3o da prote\u00edna tau. Assim, como consequ\u00eancia de uma actividade colin\u00e9rgica reduzida na DA, a GSK-3 estaria em maior actividade, levando a uma hiperfosforila\u00e7\u00e3o da prote\u00edna tau, acarretando danos para o sistema nervoso (Caliman &amp; Olivera, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como refor\u00e7o, Silva (1997) afirma que esta s\u00edndrome est\u00e1 ligada a duas categorias de les\u00f5es cerebrais: numa delas, os neur\u00f3nios exibem grandes placas de uma prote\u00edna chamada beta-amil\u00f3ide, que tem efeitos t\u00f3xicos sobre as c\u00e9lulas; numa outra, os neur\u00f3nios criam n\u00f3s em pe\u00e7as essenciais da sua estrutura interna -os microt\u00fabulos \u00adque ficam retorcidos e emaranhados, prejudicando o funcionamento dessas c\u00e9lulas. De qualquer forma, sabe-se que existe um gene que pode contribuir para este risco; este gene encontra-se no cromossoma 19 e \u00e9 respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de uma prote\u00edna denominada apolipoprote\u00edna E (ApoE). Existem tr\u00eas tipos principais desta prote\u00edna, um dos quais o ApoE4 que, embora raro, propicia a ocorr\u00eancia da doen\u00e7a de Alzheimer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Samuels (1992), praticamente todas as partes do c\u00f3rtex cerebral apresentam disfun\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a degenera\u00e7\u00e3o cortical \u00e9 difusa. Na pr\u00e1tica, a maior parte dos portadores de Alzheimer apresenta dificuldades de fun\u00e7\u00f5es das quais os lobos parietal e temporal s\u00e3o respons\u00e1veis, como perda da mem\u00f3ria e desorienta\u00e7\u00e3o espacial. \u00c0 medida que a doen\u00e7a progride, o paciente manifesta-se com perda de inibi\u00e7\u00f5es sociais, incontin\u00eancia urin\u00e1ria e fecal e abulia (perda da espontaneidade) \u2013 devido \u00e0 disfun\u00e7\u00e3o do lobo frontal. Alguns pacientes apresentam extensas disfun\u00e7\u00f5es do lobo temporal e parietal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta forma, \u00e9 poss\u00edvel dizer que a doen\u00e7a de Alzheimer se caracteriza pela morte dos neur\u00f3nios e, <\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">consequentemente, pela diminui\u00e7\u00e3o da capacidade dos mediadores qu\u00edmicos, sendo poss\u00edvel verificar uma deple\u00e7\u00e3o do neurotransmissor acetilcolina, que o c\u00e9rebro revela, provocando incapacidade deste para funcionar da forma que deveria e que seria esperado, interferindo nas capacidades f\u00edsicas e intelectuais do individuo, atendendo a que o c\u00e9rebro controla todo o funcionamento do corpo e da mente (Portet &amp; Touchon, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Doen\u00e7a de Alzheimer, os sintomas e a progress\u00e3o do decl\u00ednio das fun\u00e7\u00f5es tem cariz idiossincr\u00e1tico, n\u00e3o s\u00f3 devido a caracter\u00edsticas da personalidade do doente, mas tamb\u00e9m aos n\u00edveis de estrutura\u00e7\u00e3o cerebral anteriores \u00e0 doen\u00e7a. Assim, numa primeira fase \u00e9 efectuado um estudo, com o suporte de Baterias de Investiga\u00e7\u00e3o Neuropsicol\u00f3gica, que determina as fun\u00e7\u00f5es nervosas superiores afectadas e a extens\u00e3o da degenera\u00e7\u00e3o. Com base nesta primeira avalia\u00e7\u00e3o, \u00e9 constru\u00eddo um plano de reabilita\u00e7\u00e3o, composto de exerc\u00edcios espec\u00edficos para cada sistema funcional, que \u00e9 trabalhado com o paciente, individualmente. Nos doentes com Alzheimer \u00e9 comum, entre outros d\u00e9fices, uma degenera\u00e7\u00e3o inicial nos sistemas pr\u00e9-frontais com impacto no planeamento do pensamento, ac\u00e7\u00e3o, inibi\u00e7\u00e3o e sequencia\u00e7\u00e3o. Este d\u00e9fice resulta numa incapacidade de os doentes desenvolverem actividades dirigidas, inibir comportamentos repetitivos e emo\u00e7\u00f5es e evocar e registar mem\u00f3rias. A reabilita\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica possibilita, ent\u00e3o, o retardamento dos processos degenerativos ao n\u00edvel funcional, com implica\u00e7\u00f5es profundas na vida activa dos pacientes e na sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo e com os outros (Portet &amp; Touchon, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando esses primeiros sinais, Rizzo, Anderson, Rodnitzky &amp; Dawson (2000) afirmam que a investiga\u00e7\u00e3o adequada do funcionamento da aten\u00e7\u00e3o pode indicar poss\u00edveis preju\u00edzos na mem\u00f3ria e na capacidade de aprendizagem no futuro, possibilitando um manejo terap\u00eautico mais atento e com maior possibilidade de preserva\u00e7\u00e3o de algumas fun\u00e7\u00f5es. Sugerem que, em muitos casos, o d\u00e9fice na aten\u00e7\u00e3o seria anterior aos d\u00e9fices caracter\u00edsticos da doen\u00e7a (preju\u00edzos vis\u00edveis na mem\u00f3ria e tarefas de rapidez e\/ou flu\u00eancia verbal).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No campo do tratamento farmacol\u00f3gico, in\u00fameras subst\u00e2ncias psicoativas t\u00eam sido propostas para preservar ou restabelecer a cogni\u00e7\u00e3o, o comportamento e as habilidades funcionais do paciente com dem\u00eancia. Contudo, os efeitos das drogas hoje aprovadas para o tratamento da DA limitam-se ao controlo da evolu\u00e7\u00e3o natural da doen\u00e7a, permitindo apenas uma melhora tempor\u00e1ria do estado funcional do paciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relativamente \u00e0 farmacoterapia, o tratamento da DA tem recebido grandes avan\u00e7os nos \u00faltimos anos, principalmente, com a introdu\u00e7\u00e3o dos medicamentos anticolinester\u00e1sicos. Um dos primeiros medicamentos a ser utilizado neste tratamento foi a \u2018tacrina\u2019. Ap\u00f3s o primeiro relato, feito em 1986, v\u00e1rios estudos controlados foram realizados com a finalidade de verificar a real efic\u00e1cia e seguran\u00e7a da \u2018tacrina\u2019 no tratamento de pacientes com DA. Depois de muitas pesquisas com este medicamento, chegou-se \u00e2 conclus\u00e3o de que a utiliza\u00e7\u00e3o de doses adequadas de \u2018tacrina\u2019, no tratamento de portadores de DA, poderia ter implica\u00e7\u00f5es sobre a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a a longo prazo (Almeida, 1998).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisas recentes detectam essas altera\u00e7\u00f5es precoces dos processos atencionais na doen\u00e7a de Alzheimer (Rapp &amp; Reischies, 2005; Amieva, Rouch-Leroyer, Letenneur, Dartigues &amp; Fabrigoule, 2004; Perry &amp; Hodges, 2003). Muitos apontam que os \u00edndices de deteriora\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o podem ser discriminativos para o diagn\u00f3stico de prov\u00e1vel Alzheimer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1. Diagn\u00f3stico diferencial: contributo da Neuropsicologia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As evid\u00eancias cient\u00edficas sugerem, de acordo com Machado (2006), uma etiologia multifactorial para a DA: factores gen\u00e9ticos e ambientais, possivelmente agindo atrav\u00e9s de complexas interac\u00e7\u00f5es, em que as perturba\u00e7\u00f5es do metabolismo e da regula\u00e7\u00e3o da prote\u00edna amil\u00f3ide precursora, prote\u00ednas relacionadas com placas, prote\u00ednas tau, zinco e alum\u00ednio adquirem um papel importante. Segundo Cayton, Warner &amp; Graham (2000), a DA \u00e9 um dist\u00farbio cerebral de etiologia idiop\u00e1tica, por\u00e9m, existe a suspeita de uma base gen\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cayton, Warner &amp; Graham (2000) referem, ainda, que a patologia \u00e9, frequentemente, transmitida como uma doen\u00e7a autoss\u00f3mica dominante, sendo caracterizada por muta\u00e7\u00f5es em tr\u00eas genes; estas podem exercer, sobre os neurotransmissores que possibilitam a comunica\u00e7\u00e3o entre as c\u00e9lulas nervosas, um resultado nocivo, podendo verificar-se, atrav\u00e9s de v\u00e1rios exames cerebrais, a distin\u00e7\u00e3o da acetilcolina. A primeira muta\u00e7\u00e3o identificada situa-se no gene precursor da prote\u00edna amil\u00f3ide (APP), localizado no cromossoma 21. A APP desdobra-se, originando a prote\u00edna amil\u00f3ide \u2013 componente maior das placas senis de amil\u00f3ide e destacado nos emaranhados neurofibrilares. Este cromossoma \u00e9 percebido como local prov\u00e1vel das muta\u00e7\u00f5es causadoras da doen\u00e7a, pois, \u00e9 onde se encontra o gene APP Cayton, Warner &amp; Graham (2000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os factores de risco vascular, como a arteriosclerose, estenose carot\u00eddideo, fribila\u00e7\u00e3o auricular e hipertens\u00e3o arterial podem ser agentes predisponentes, porque os portadores desta patologia possuem uma c\u00f3pia extra do cromossoma 21, onde se localiza o gene para a prote\u00edna precursora do amil\u00f3ide e, portanto, possuem uma maior capacidade de produzir a fonte da prote\u00edna beta-amil\u00f3ide, constituinte prim\u00e1rio das placas amil\u00f3ides que se depositam no c\u00e9rebro com a doen\u00e7a de Alzheimer (Forti &amp; Diament, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Actualmente, est\u00e3o ainda a ser alvo de estudo outros factores pass\u00edveis de predispor a doen\u00e7a em quest\u00e3o: antecedentes pedi\u00e1tricos, a vida em meio rural, solventes org\u00e2nicos, a s\u00edndrome de apneia de sono, a anestesia geral, o alum\u00ednio e o tabaco (Portet &amp; Touchon, 2002). A avalia\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica tem ocupado um lugar importante na pr\u00e1tica dos profissionais em sa\u00fade mental, especialmente nas \u00e1reas da psicologia, psiquiatria, neurologia e gerontologia. Com o aporte de t\u00e9cnicas, testes e exames para investiga\u00e7\u00e3o de patologias, pode-se obter um diagn\u00f3stico cl\u00ednico mais preciso, aumentando as possibilidades de planos mais eficazes para reabilita\u00e7\u00e3o e\/ou preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na constata\u00e7\u00e3o de preju\u00edzos cognitivos consider\u00e1veis e quando se excluem outras patologias do quadro sintomatol\u00f3gico, t\u00e9cnicas apuradas de exame neuropsicol\u00f3gico s\u00e3o sugeridas, associadas a exames de neuroimagem e laboratoriais, na busca de um diagn\u00f3stico preciso (Argimon, Wendt &amp; Souza, 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relativamente aos aspectos org\u00e2nicos, a degenera\u00e7\u00e3o do hipocampo e, em menor intensidade, das \u00e1reas corticais associativas, pode ser observada por meio de exames de tomografia computadorizada e de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica (Caramelli, Robitaille, Yves, LarocheCholette, Nitrini, Gauvreau, Joanette &amp; Roch Lecours, <\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1998).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os conhecimentos neuropsicol\u00f3gicos, por sua vez, quando acrescidos \u00e0s interpreta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, podem oferecer uma adequada compreens\u00e3o do caso e serem utilizados para a comprova\u00e7\u00e3o dos comportamentos observados no dia-a-dia dos pacientes (Siri, Benaglio, Frigerio, Binetti, &amp; Cappa, 2001). O perfil neuropsicol\u00f3gico \u00e9, portanto, muito importante quando se fala em doen\u00e7as degenerativas, por contribuir para a diferencia\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica entre as dem\u00eancias frontotemporal (DFT) e os corpos de Lewy ou do tipo Alzheimer (DTA).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Considera\u00e7\u00f5es finais <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que diz respeito \u00e0 Neuropsicologia, embora seja uma \u00e1rea com desenvolvimento relativamente recente, a etiologia do seu conceito fundamental, que consiste em estabelecer rela\u00e7\u00e3o entre o c\u00e9rebro e o comportamento, \u00e9 antiga, e a sua<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">hist\u00f3ria bastante vasta, tendo vindo a ser moldada ao longo do tempo pelas ideias de muitos estudiosos, desde fil\u00f3sofos a anatomistas, m\u00e9dicos, e outros. Para Seron (1982) esta \u00e9, portanto, uma ci\u00eancia de car\u00e1cter interdisciplinar nas suas origens, que procura estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o entre os processos mentais e o funcionamento cerebral, utilizando conhecimento das neuroci\u00eancias, que elucidam a estrutura e o funcionamento cerebral, e da Psicologia, que exp\u00f5e a organiza\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es mentais e do comportamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do trabalho de todas estas \u00e1reas cient\u00edficas, a quest\u00e3o do c\u00e9rebro e a sua rela\u00e7\u00e3o com o comportamento humano permanece envolta numa nuvem de d\u00favidas, para as quais ainda n\u00e3o existem respostas totalmente satisfat\u00f3ria. Esta ci\u00eancia dedica-se, tamb\u00e9m, a estudar a express\u00e3o comportamental, emocional e social das disfun\u00e7\u00f5es cerebrais, os d\u00e9ficits em fun\u00e7\u00f5es superiores produzidos por altera\u00e7\u00f5es cerebrais, as inter-rela\u00e7\u00f5es entre c\u00e9rebro e comportamento, c\u00e9rebro e fun\u00e7\u00f5es cognitivas (Luria, 1966) e de forma mais ampla, as rela\u00e7\u00f5es entre c\u00e9rebro e comportamento humano (Lezak, Howieson, &amp; Loring, 2004).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O flagelo que \u00e9 a doen\u00e7a de Alzheimer, entre outras que provocam dem\u00eancia, n\u00e3o existiria, se essa nuvem se dissipasse. Desta forma, posi\u00e7\u00f5es extremas foram abandonadas, favorecendo, assim, a concep\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o do sistema nervoso central em diferentes regi\u00f5es especializadas funcionalmente. Essa especializa\u00e7\u00e3o refere\u00adse \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es elementares, que viabilizam as fun\u00e7\u00f5es mentais complexas, atrav\u00e9s de conex\u00f5es em s\u00e9rie e processamento em paralelo de diversas regi\u00f5es cerebrais (Kandel, 1997).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A complexidade do funcionamento do sistema nervoso \u00e9 de tal forma que se torna extremamente dif\u00edcil isolar e modificar aquilo que falha, pois n\u00e3o se trata de \u201cuma pe\u00e7a estragada\u201d no sistema, e sim de um sem n\u00f6mero de factores que, conjugados, contribuem para o desenvolvimento da doen\u00e7a mental. Por este motivo, \u00e9 imprescind\u00edvel a colabora\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias \u00e1reas do saber -nomeadamente a neuropsicologia -mesmo que remotamente afectas ao assunto, pois todas as contribui\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais-valias quer para a descoberta de novos factos, quer para a exclus\u00e3o de conclus\u00f5es err\u00f3neas (Leis, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A DA \u00e9 uma doen\u00e7a terminal que causa deteriora\u00e7\u00e3o geral na sa\u00fade, uma vez que \u00e9 progressiva e degenerativa, atingindo o c\u00e9rebro e causando perturba\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, do pensamento e do comportamento (Hay, 2001). O Saber, como faca de dois gumes que \u00e9, tanto pode ter usos ben\u00e9ficos, como mal\u00e9ficos, e se por um lado queremos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">curar as nossas doen\u00e7as, por outro n\u00e3o devemos almejar mudar tudo aquilo que nos \u00e9 natural, como o envelhecimento. Deste modo, e segundo Cayton, Warner, e Graham. (2000), na DA \u00e9 fundamental avaliar e definir o perfil cognitivo de cada paciente, para que seja poss\u00edvel analisar os aspectos cognitivos preservados e n\u00e3o preservados, adequando o tratamento proposto ao n\u00edvel intelectual, cultural e social de cada paciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Almeida, O. (1998). Tratamento da doen\u00e7a de Alzheimer: avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica sobre o uso de anticolinester\u00e1sicos. Arquivos de Neuro-psiquiatria, 56, 3B, p. 688-696.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amieva, H., Rouch-Leroyer, I., Letenneur, L., Dartigues, J. &amp; Fabrigoule, C. (2004). Cognitive slowing and learning of target detection skills in pre-demented subjects. Brain and Cognition, 54, p. 212-214.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Argimon, I., Wendt, G. &amp; Souza, S. (2008). Contribui\u00e7\u00f5es da avalia\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica na investiga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a de Alzheimer. Revista Brasileira de Ci\u00eancias do Envelhecimento Humano, 5, 1, p. 70-79.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bartolom\u00e9, M., Fernand\u00e9z, L, &amp; Ajamil, C. (2001). Neuropsicolog\u00eda : libro de trabajo. Salamanca: Amar\u00fa Ediciones.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bottino, C., Carvalho, I., Alvarez, A., Avila, R., Zukauskas, P., Bustamante, S., Andrade, F., Hototian, S. &amp; Camargo, F. (2002). Reabilita\u00e7\u00e3o cognitiva em pacientes com doen\u00e7a de Alzheimer. Arquivos de Neuropsiquiatria, 60, 1, p. 70-79.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caliman, G., Oliveira, R. (2005). Novas perspectivas no tratamento da doen\u00e7a de Alzheimer. Inicia\u00e7\u00e3o cientifica CESUMAR, 7, 2, p. 141-162.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caramelli, P., Robitaille, Yves M., LarocheCholette, A., Nitrini, R., Gauvreau, D., Joanette, Y., Roch Lecours, A. (1998). Structural correlates of cognitive deficits in a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">selected group of patients with Alzheimer\u2019s disease. Neuropsychiatry, Neuropsychology, and Behavioral Neurology, 11, p. 184-190.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cayton, H., Warner, J. &amp; Graham, N. (2000). Tudo sobre a doen\u00e7a de Alzheimer. Respostas \u00e0s suas d\u00favidas. S\u00e3o Paulo: Editora Andrei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cotran, R., Kumar, V., Robbins, S. &amp; Schoen, F. (1996). Pathologic basis of disease. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cotran, R., Kumar, V., Collins, T. (2000). Patologia estrutural e funcional. Rio de<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Janeiro: Guanabara Koogan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dam\u00e1sio, A. (2011). O Erro de Descartes. Emo\u00e7\u00e3o, Raz\u00e3o e C\u00e9rebro Humano. Lisboa: C\u00edrculo de Leitores \u2013 Temas e Debates.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernandes, T. (2003). A neuropsicologia cognitiva em revis\u00e3o: ensaio de um psic\u00f3logo. Psychologica, 34, 267-280.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Forti, N., &amp; Diament, J. (2007). Apolipoprote\u00ednas b e a-i: Fatores de risco cardiovascular?. Revista da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira, 3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gazzaniga, M. &amp; Heatherton, T. (2002). Psychological Science: Mind, Brain, and Behavior. W. W. Norton, New York.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hay, J. (2001). Doen\u00e7a de Alzheimer e dem\u00eancia (Vol.1). Lisboa: Pl\u00e1tano Edi\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kandel, E. R. (1997). C\u00e9rebro e comportamento. In E. R. Kandel, J. H. Schwartz &amp; T.<\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M. Jessell (Orgs.), Fundamentos da neuroci\u00eancia e do comportamento (pp. 5-15). Rio de Janeiro: Prentice-Hall.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kristensen, C., Almeida, R. &amp; Gomes, W. (2001). Desenvolvimento hist\u00f3rico e fundamentos metodol\u00f3gicos da neuropsicologia cognitiva. Psicologia: Reflex\u00e3o e Cr\u00edtica. 14(2), 259-274.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kolb, B. &amp; Whishaw, I. (1996). Fundamentals of human neuropsychology. Nova Iorque: W.H. Freeman.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kolb, B. &amp; Whishaw, I. (2003). Fundamentals of Human Neuropsychology. Freeman: New York.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leis, H. R. (2005) Sobre o Conceito de Interdisciplinaridade. Caderno de pesquisa interdisciplinar em ci\u00eancias humanas, 73. Retirado em 30 de outubro de 2010 em<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">http:\/\/www.journal.ufsc.br\/index.php\/cadernosdepesquisa\/article\/viewFile\/2176\/4455<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lezak, M., Howieson, D., &amp; Loring, D. (2004). Neuropsychological Assessment. 4ed. New York: Oxford University Press. Luria, A. R. (1966). Higher cortical functions in man. New York: Basic Books.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Machado, J. (2006). Doen\u00e7a de Alzheimer. In Freitas, E., Py, L., Neri, A., Can\u00e7ado, F., Gorzoni, M. &amp; Rocha, S. (editores). Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2\u00aa ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maia, L., Correia, C. &amp; Leite, R. (2007). Manual Pr\u00e1tico de Avalia\u00e7\u00e3o &amp; Interven\u00e7\u00e3o Neuropsicol\u00f3gica \u2013 Estudos de caso e Istrumentos. 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Resumo A Neuropsicologia \u00e9 o estudo cient\u00edfico da rela\u00e7\u00e3o entre a estrutura e o funcionamento cerebral e o comportamento humano, focando-se essencialmente em investigar a rela\u00e7\u00e3o entre diferentes les\u00f5es cerebrais e os d\u00e9fices ou efeitos psicol\u00f3gicos subjacentes \u00e0s mesmas, ou seja, o papel &#8230; <\/p>\n<p class=\"read-more-container\"><a title=\"Neuropsicologia: enquadramento da disciplina e suas contribui\u00e7\u00f5es para a Doen\u00e7a de Alzheimer\" class=\"read-more button\" href=\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/neuropsicologia-alzheimer\/#more-21727\" aria-label=\"Leer m\u00e1s sobre Neuropsicologia: enquadramento da disciplina e suas contribui\u00e7\u00f5es para a Doen\u00e7a de Alzheimer\">Leer m\u00e1s<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[164,188],"tags":[],"class_list":["post-21727","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-neurologia","category-psicologia","no-featured-image-padding"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Neuropsicologia: enquadramento da disciplina e suas contribui\u00e7\u00f5es para a Doen\u00e7a de Alzheimer<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Neuropsicologia: enquadramento da disciplina e suas contribui\u00e7\u00f5es para a Doen\u00e7a de Alzheimer. 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