{"id":32608,"date":"2015-03-21T14:17:28","date_gmt":"2015-03-21T13:17:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/?p=32608"},"modified":"2020-11-23T10:31:09","modified_gmt":"2020-11-23T09:31:09","slug":"neurociencias-psicofisiologia-e-actividade-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/neurociencias-psicofisiologia-e-actividade-humana\/","title":{"rendered":"Neuroci\u00eancias, Psicofisiologia e Actividade Humana"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>Neuroci\u00eancias, Psicofisiologia e Actividade Humana<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">De forma sucinta podemos referir ent\u00e3o que a psicofisiologia estuda uma dimens\u00e3o corporal e uma dimens\u00e3o mental (ou se quisermos psicoemocional). Miller (1978) sustenta que o corpo \u00e9 o meio da experi\u00eancia e o instrumento da ac\u00e7\u00e3o, em que atrav\u00e9s das suas ac\u00e7\u00f5es n\u00f3s damos forma e organizamos a nossas experi\u00eancias, bem como distinguimos as nossas percep\u00e7\u00f5es do mundo exterior das sensa\u00e7\u00f5es que emanam do pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Neuroci\u00eancias, Psicofisiologia e Actividade Humana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luis Alberto Coelho Rebelo Maia \u2013 Neuropsic\u00f3logo Cl\u00ednico &amp; Forense. Beira Interior University, Portugal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Professor Auxiliar da Universidade da Beira Interior (Portugal); P\u00f3s Graduado em Ci\u00eancias M\u00e9dico-Legais (ICBAS); Licenciado em Psicologia Cl\u00ednica (Universidade do Minho); Mestre em Neuroci\u00eancias (Faculdade de Medicina de Lisboa); Grau de Salamanca em Neuropsicologia Cl\u00ednica (Universidade de Salamanca \u2013 Espanha); Grau de Sufici\u00eancia Investigadora (Universidade de Salamanca \u2013 Espanha); Doutorado em Neuropsicologia Cl\u00ednica pela Universidade de Salamanca (Espanha)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Universidade da Beira Interior \u2013 Portugal, Professor PhD;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A Psicofisiologia no campo de estudos do comportamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como referem Cacioppo, Tassinary &amp; Berntswon (2007), a psicofisiologia \u00e9 uma ideia antiga relacionada com uma ci\u00eancia relativamente recente, verificando-se que, desde que a humanidade come\u00e7ou a ter a percep\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios fen\u00f3menos internos, emocionais, cognitivos, sensoriais, etc., foi crescendo a ideia, de forma intuitiva, que, de alguma forma, as altera\u00e7\u00f5es corporais deveriam estar, em alguma medida, relacionadas com os estados de humor, os sentimentos, as frustra\u00e7\u00f5es e as mais diversas manifesta\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De forma sucinta podemos referir ent\u00e3o que a psicofisiologia estuda uma dimens\u00e3o corporal e uma dimens\u00e3o mental (ou se quisermos psicoemocional). Miller (1978) sustenta que o corpo \u00e9 o meio da experi\u00eancia e o instrumento da ac\u00e7\u00e3o, em que atrav\u00e9s das suas ac\u00e7\u00f5es n\u00f3s damos forma e organizamos a nossas experi\u00eancias, bem como distinguimos as nossas percep\u00e7\u00f5es do mundo exterior das sensa\u00e7\u00f5es que emanam do pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda de acordo com Cacioppo, Tassinary &amp; Berntswon (2007), a anatomia, a fisiologia, e a psicofisiologia s\u00e3o ramos da ci\u00eancia organizados em torno dos sistemas corporais com o objectivo colectivo de elucidar a fun\u00e7\u00f5es das estruturas bem como das suas partes, bem ainda como os sistemas relacionados, do corpo humano, nas suas interac\u00e7\u00f5es com o ambiente. A anatomia, dizem, seria a ci\u00eancia da estrutura do corpo e do relacionamento entre as estruturas. A fisiologia estaria relacionada com o estudo das fun\u00e7\u00f5es corporais ou de como as partes do corpo actuam. Para ambas as disciplinas, continuam os autores, o que se considera uma parte corporal varia de acordo com o n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o, indo do n\u00edvel molecular ao celular e ao dos \u00f3rg\u00e3os e respectivos tecidos. Assim, Cacioppo, Tassinary &amp; Berntswon (2007), referem que a anatomia e a fisiologia do corpo estariam intrinsecamente interrelacionada e as neuroci\u00eancias em particular, redundariam nesta intersec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por este somat\u00f3rio de pontos de vista, a psicofisiologia estaria intimamente relacionada com a anatomia e a fisiologia, estando contudo fortemente relacionada com os fen\u00f3menos psicol\u00f3gicos, ou seja, a experi\u00eancia e o comportamento dos organismos no seu ambiente f\u00edsico e social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim a psicofisiologia poderia ser vista como o estudo das rela\u00e7\u00f5es entre as medidas fisiol\u00f3gicas e os estados ou processos psicol\u00f3gicos relacionados normalmente com conceitos como aprendizagem, emo\u00e7\u00e3o, activa\u00e7\u00e3o (arousal) e cogni\u00e7\u00e3o (Dawson, 1999).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As distin\u00e7\u00f5es mais prim\u00e1rias entre a psicofisiologia e a neuroci\u00eancia comportamental s\u00e3o o foco da psicofisiologia em processos cognitivos superiores e a tentativa de os relacionar com a integra\u00e7\u00e3o de sistemas nervosos centrais e perif\u00e9ricos (Cacioppo, Tassinary &amp; Berntswon, 2007). Assim, quando passamos de um campo fisiol\u00f3gico para psicofisiol\u00f3gico tal processo faz-se acompanhar da mudan\u00e7a de complexidade na capacidade de compreender sistemas simb\u00f3licos de representa\u00e7\u00e3o, como sejam a linguagem, a matem\u00e1tica, para poder se comunicada e traduzir-se na experi\u00eancia humana, ou simplesmente na nossa hist\u00f3ria, bem ainda com compreender a influ\u00eancia de factores culturais e sociais nas respostas fisiol\u00f3gicas e no comportamento como um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, estes factores contribuiriam para a plasticidade, adaptabilidade e variabilidade do comportamento. Mais ainda, terminam Cacioppo, Tassinary &amp; Berntswon (2007), a Psicologia e a Psicofisiologia compartilham do objectivo de explicar a experi\u00eancia e o comportamento humanos, e as constru\u00e7\u00f5es e os processos fisiol\u00f3gicos s\u00e3o um componente expl\u00edcito e integral do pensamento te\u00f3rico na psicofisiologia. Assim, depois de tudo, defendem, o objecto de estudo da psicofisiologia deve ser visto como um fen\u00f3meno (ps\u00edquico, social, cultural, etc.) corporizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00edveis de an\u00e1lise do comportamento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se avalia o comportamento, para se poder avaliar os seus diferenciados \u201cn\u00edveis de an\u00e1lise\u201d, deve-se clarificar o que aqui entendemos por \u201ccomportamento\u201d. N\u00e3o utilizaremos aqui o termo comportamento vindo da terminologia comum em que se considera apenas as ac\u00e7\u00f5es expressas por um determinado organismo (por exemplo, andar, escrever, falar, etc.), mas sim toda e qualquer resposta do organismo, seja ela mais corporal (e.g. aumento da respira\u00e7\u00e3o \u2013 hiperpneia), redu\u00e7\u00e3o dos batimentos card\u00edacos (bradicardia), etc., mas tamb\u00e9m altera\u00e7\u00f5es mais subjectivas, sendo contudo respostas concretas do organismo, como sejam as emo\u00e7\u00f5es, os estados de humor, um pensamento, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em psicologia, uma das formas de diferenciar estes tipos de respostas \u00e9 defini-las como respostas abertas (comportamentos observ\u00e1veis pelos outros indiv\u00edduos) e respostas cobertas (em que apenas o pr\u00f3prio sujeito pode ter a percep\u00e7\u00e3o que est\u00e3o a ocorrer &#8211; por exemplo, o pensamento). Existe obviamente um conjunto sem n\u00famero de respostas fisiol\u00f3gicas internas que, sendo respostas corporais, n\u00e3o imag\u00e9ticas, n\u00e3o poderiam ser caracterizadas respostas cobertas, como no seio da psicologia se est\u00e1 acostumado: estamos a falar das altera\u00e7\u00f5es da respira\u00e7\u00e3o, dos batimentos card\u00edacos, dos movimentos perist\u00e1lticos intestinais em reac\u00e7\u00e3o, por exemplo, a uma situa\u00e7\u00e3o de stress. Todavia, o que aqui importa salientar \u00e9 que, quando utilizarmos a palavra comportamento, estaremos a referir-nos a toda e qualquer resposta de um dado organismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lipp, Frare &amp; Santos (2007) procuram aferir da relev\u00e2ncia <\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">das caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas no aumento da press\u00e3o arterial, tendo para isso analisado a reactividade cardiovascular a efeitos psicol\u00f3gicos como o stress. Para tal, oitenta hipertensos responderam ao Invent\u00e1rio de Sintomas de Stress de Lipp, \u00e0 Escala de Alexitimia de Toronto e ao Question\u00e1rio de Assertividade, e foram sujeitos a uma sess\u00e3o experimental contendo experi\u00eancias sociais estressantes. A press\u00e3o arterial e a frequ\u00eancia card\u00edaca foram mensuradas continuamente por um monitor de press\u00e3o arterial e o sujeito instru\u00eddo, ora a controlar as suas emo\u00e7\u00f5es ora a express\u00e1-las, dependendo das manipula\u00e7\u00f5es experimentais que estavam a ser criadas. Como grandes resultados os autores verificaram correla\u00e7\u00f5es elevadas entre n\u00edveis de alexitimia e de inassertividade e reactividade da press\u00e3o arterial. Assim, quando solicitados a expressarem emo\u00e7\u00f5es, a press\u00e3o arterial diast\u00f3lica dos sujeitos alexit\u00edmicos e inassertivos sofria aumentos significativos enquanto a press\u00e3o arterial sist\u00f3lica de pessoas assertivas e n\u00e3o alexit\u00edmicas sofria aumentos significativos quando instru\u00eddas a inibirem as emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que se tenha uma percep\u00e7\u00e3o mais simplificada destes t\u00f3picos aqui abordados, pode-se apontar o c\u00e9rebro reptiliano como as estruturas cerebrais mais arcaicas do ponto de vista do desenvolvimento filogen\u00e9tico (a evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies ao longo dos milh\u00f5es de anos at\u00e9 chegarmos \u00e0 nossa era).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No c\u00e9rebro reptilliano tem que se considerar a import\u00e2ncia do Sistema L\u00edmbico, fortemente relacionado com emo\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas como o medo, a ira, a raiva, o prazer, etc. (Adolphs, Tranel, Dam\u00e1sio &amp; Dam\u00e1sio, 1995).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A import\u00e2ncia do neoc\u00f3rtex e dos seus estudos foi determinante para compreender aspectos t\u00e3o importantes para a vida humana como sejam os mecanismos de mem\u00f3ria e aprendizagem, seja ela vista do ponto de vista mais formal de aprendizagem de conte\u00fados complexos (por exemplo, o conte\u00fado de uma determinada disciplina como seja a Biologia) seja a aprendizagem b\u00e1sica ao n\u00edvel das respostas condicionadas. Hoje acredita-se que na base deste \u00faltimo processo Pavloniano est\u00e1 um mecanismo fisiol\u00f3gico, denominado de habitua\u00e7\u00e3o. De acordo com v\u00e1rios autores tal fen\u00f3meno caracteriza-se como o decr\u00e9scimo de uma resposta a um est\u00edmulo apresentado de forma repetida, sendo sobejamente documentado ao longo da hist\u00f3ria da ci\u00eancia fisiol\u00f3gica (Sokolov, 1963; Siddle, 1991). Tais estudos sustentam que a resposta inicial a um est\u00edmulo novo envolve uma r\u00e1pida mudan\u00e7a atencional do organismo, todavia, depois de uma apresenta\u00e7\u00e3o repetida dos mesmos est\u00edmulos novos, sem que sejam seguidos de consequ\u00eancias relevantes, a resposta tender\u00e1 a esvanecer-se, caracterizando-se um dos principais pap\u00e9is da habitua\u00e7\u00e3o que \u00e9 a limita\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos atencionais a est\u00edmulos que j\u00e1 n\u00e3o se encontram dispon\u00edveis para o organismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acredita-se de forma generalizada que o neoc\u00f3rtex cerebral esteja envolvido na aprendizagem e na mem\u00f3ria. Em contrapartida existe por vezes ainda a vis\u00e3o tradicional que a aprendizagem e a mem\u00f3ria envolvem o denominado c\u00f3rtex associativo, apesar de saber-se desde h\u00e1 pelo menos cinquenta anos que essas respostas do c\u00f3rtex sensorial prim\u00e1rio aos est\u00edmulos condicionados s\u00e3o alteradas pela aprendizagem (Chernyshev &amp; Weinberger, 1998). Ainda que estudado mais extensivamente no c\u00f3rtex auditivo prim\u00e1rio, acredita-se que os processos associativos alteram as respostas ac\u00fasticas aos est\u00edmulos condicionados, verificado em estudos de potenciais evocados (avalia\u00e7\u00e3o dos campos neuronais el\u00e9ctricos &#8211; Weinberger &amp; Diamond, 1987). J\u00e1 mais recentemente Chernyshev &amp; Weinberger (1998) referem que a natureza de tais respostas de plasticidade neuronal tem sido esclarecidas pela determina\u00e7\u00e3o das respostas cerebrais depois de determinados per\u00edodos de treino (e aprendizagem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aprendizagem altera o valor dos sinais dos est\u00edmulos sensoriais, sendo que nas situa\u00e7\u00f5es mais estudadas, de Condicionamento Cl\u00e1ssico (Pavloviano), um est\u00edmulo condicionado ac\u00fastico que precede um est\u00edmulo neutro (n\u00e3o condicionado) produz uma aquisi\u00e7\u00e3o r\u00e1pida (dentro dos 5 a 10 ensaios) de respostas auton\u00f3micas e som\u00e1ticas condicionadas. De forma mais vagarosa (por exemplo, no decurso de 60 a 200 ensaios) verifica-se tamb\u00e9m altera\u00e7\u00e3o das respostas sensoriomotoras espec\u00edficas (Bakin, Lepan &amp; Weinberger, 1992). Assim, a r\u00e1pida aprendizagem \/ interioriza\u00e7\u00e3o de uma resposta condicionada pode contribuir para um estado central de medo adquirido enquanto uma aprendizagem (condicionamento) mais morosa pode ser respons\u00e1vel pelo desenvolvimento de respostas sensoriomotoras que pretendem evitar ou remover o est\u00edmulo neutro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Nicolelis, Fanselow &amp; Ghazanfar (1997) embora o livro cl\u00e1ssico de Donal Hebb, The Organization of Behavior (1949), seja sobejamente conhecido pela descri\u00e7\u00e3o da plasticidade sin\u00e1ptica (a denominada sinapse de Hebb), este cont\u00e9m ainda um dos pressupostos mais influentes no que concerne aos pressupostos de interac\u00e7\u00e3o neuronal que est\u00e3o subjacentes aos mecanismos cerebrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas suas teorias \u00e9 central o conceito de \u201cEngrama Cerebral\u201d, ou seja, um conjunto difuso de c\u00e9lulas, que formam redes cerebrais, desde o c\u00f3rtex at\u00e9 ao dienc\u00e9falo que actuam de forma estruturada num sistema fechado, mas ao mesmo tempo possibilitando o funcionamento e facilita\u00e7\u00e3o de um conjunto variado de outros sistemas (p. xix). Na sua perspectiva, os neur\u00f3nios individuais n\u00e3o apresentavam a capacidade de grande influ\u00eancia individual e, em consequ\u00eancia, n\u00e3o poderiam, por si pr\u00f3prios, contribuir isoladamente para uma dada fun\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o ou habilidade humana. Mais ainda, segundo os autores, Hebb sugeria que cada neur\u00f3nio individual poderia fazer parte de v\u00e1rios engramas corticais, ou seja, poderia fazer parte integrante de v\u00e1rias redes de funcionamento cerebral e assim estar envolvido em fun\u00e7\u00f5es cerebrais diferenciadas atrav\u00e9s de m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es e representa\u00e7\u00f5es, muito embora a import\u00e2ncia das popula\u00e7\u00f5es neuronais no processamento da informa\u00e7\u00e3o sensoriomotora houvesse j\u00e1 sido evidenciada anteriormente (Young, 1802; Sherrington,1906); assim sendo, o trabalho de Hebb constituiu-se como um marco de refer\u00eancia uma vez que apresentou uma descri\u00e7\u00e3o pormenorizada e elaborada a cerca de como os mecanismos pelos quais as popula\u00e7\u00f5es de neur\u00f3nios poderiam estar subjacentes a uma variedade de fun\u00e7\u00f5es cerebrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria do que era sabido em termos de neur\u00f3nios corticais e dos seus circuitos baseava-se em imagens est\u00e1ticas de neur\u00f3nios fixados em sais de prata de acordo com a t\u00e9cnica de Golgi, embora a doutrina neuronal tivesse sofrido um rev\u00e9s (neste caso, uma evolu\u00e7\u00e3o) atrav\u00e9s das evid\u00eancias conclusivas de S.R. y Cajal, em que se defendia que um neur\u00f3nio era uma parte funcional de uma rede microsc\u00f3pica, apenas poss\u00edvel de descortinar completamente com o desenvolvimento do microsc\u00f3pio electr\u00f3nico (d\u00e9cada de 1950 a 1960 &#8211; Sejnowski, 1999).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na introdu\u00e7\u00e3o do seu livro <\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hebb defende que a sua teoria \u00e9 evidentemente uma forma de coneccionismo, embora se centre numa rede intrincada de rela\u00e7\u00f5es cerebrais vari\u00e1veis, e n\u00e3o num modelo simplista e mecanicista de conex\u00f5es de vias aferentes e eferentes: ou seja, como \u00e9 referido por v\u00e1rios autores e pelo pr\u00f3prio Hebb, sustentariam uma psicologia diferente da defendida inicialmente pela forma est\u00edmulo-resposta, principalmente se a resposta aqui indicada for uma resposta motora (Sejnowski, 1999).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 import\u00e2ncia da motricidade para o desenvolvimento sens\u00f3rio-perceptivo e cognitivo da crian\u00e7a, sabe-se que nestes momentos cr\u00edticos de desenvolvimento maturacional cerebral, v\u00e1rios estudos apresentam a import\u00e2ncia de estruturas fundamentais para a orienta\u00e7\u00e3o espacial, tendo-se demonstrado ao longo dos \u00faltimos anos a exist\u00eancia de c\u00e9lulas nervosas espec\u00edficas para a capacidade de orienta\u00e7\u00e3o espacial e de memoriza\u00e7\u00e3o e aprendizagem espacial (ver estudos de Brunel &amp; Trullier 2001 e de Foster, Morris &amp; Dayan, 2000, acerca das c\u00e9lulas do hipocampo para a as denominadas c\u00e9lulas de orienta\u00e7\u00e3o e memoriza\u00e7\u00e3o espacial).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere \u00e0s fun\u00e7\u00f5es da actividade muscular, j\u00e1 desde a primeira metade do S\u00e9culo XX que o conhecimento acerca de como um impulso el\u00e9ctrico passa do sistema nervoso para o sistema muscular, produzindo a contrac\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos \u00e9 bem conhecida, sendo descrita por autores (Fatt &amp; Kratz, 1951; Eccles, 1948) como um processo que envolve v\u00e1rios passos: impulso nervoso \u2013 acetilcolina &#8212; potencial de placa motora &#8212; contrac\u00e7\u00e3o muscular. Ao contr\u00e1rio do que possa ser esperado intuitivamente, a liberta\u00e7\u00e3o de ACh n\u00e3o se d\u00e1 apenas quando um impulso nervoso chega ao terminal pr\u00e9-sin\u00e1ptico. J\u00e1 desde a d\u00e9cada de 70 do S\u00e9c. passado \u00e9 bem descrito o fen\u00f3meno de mini-potenciais de placa motora produzidos pela liberta\u00e7\u00e3o de quantidades min\u00fasculas de Ach (ao n\u00edvel dos quanta), produzindo o que alguns autores caracterizam como \u201cru\u00eddo de activa\u00e7\u00e3o motora\u201d (Katz &amp; Miledi, 1970). Atrav\u00e9s deste fen\u00f3meno, de cada vez que um potencial de ac\u00e7\u00e3o chega ao terminal sin\u00e1ptico e leva \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o do neurotransmissor\u00a0 Ach, a placa motora j\u00e1 est\u00e1, muitas vezes, num estado de pr\u00e9-excita\u00e7\u00e3o, potenciando no tempo e no espa\u00e7o um potencial de placa, a exemplo do que acontece com os PEPS (potencial excitat\u00f3rio p\u00f3s-sin\u00e1ptico) e PIPS (potencial inibit\u00f3rio p\u00f3s-sin\u00e1ptico) ao n\u00edvel dos neur\u00f3nios do sistema nervoso central (Katz &amp; Miledi, 1972).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adolphs, R., ,Tranel, D., Damasio, H. &amp; Damasio, A.R. (1995). Fear and the human amygdala. Journal of Neuroscience. 15, 5879-5891.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bakin, J.B., Lepan, B. &amp; Weinberger, N.M. (1992). Sensitization induced receptive\u00a0 field plasticity in the auditory cortex is independent of CS-modality. Brain Research. 577, 226-235.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brunel, N. &amp; Trullier, O. (2001). Plasticity of directional places in a model of rodent ca3. Hippocampus. 8, 651-665.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cacioppo, J., Tassinary, L.G. &amp; Berntswon, G. (2007). Handbook of Psychophysiology. 3rd Edition. ISBN-13: 9780521844710. New York: Cambridge University Press.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chernyshev, B.V &amp; Weinberger, N.M. (1998). Acoustic frequency tuning of neurons in the basal forebrain of the waking guinea pig\u00a0 &#8211; Research report. Brain Research. 793, 79-94.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dawson, M.E. (1999). Psychophysiology\u00a0 at\u00a0 the\u00a0 interface of\u00a0 clinical\u00a0 science,\u00a0 cognitive\u00a0 science, and neuroscience. 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Perception and the Conditional Reflex. Oxford: Pergamon Press.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Weinberger, N.M. &amp; Diamond, D.M. (1987). Physiological plasticity of single neurons in auditory cortex: Rapid induction by learning. Prog. Neurobiololgy. 29, 1-55.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Young, T. (1802). Philos. Trans. R. Soc. Lond. 92, 1248.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neuroci\u00eancias, Psicofisiologia e Actividade Humana De forma sucinta podemos referir ent\u00e3o que a psicofisiologia estuda uma dimens\u00e3o corporal e uma dimens\u00e3o mental (ou se quisermos psicoemocional). 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