{"id":34704,"date":"2015-10-02T19:13:42","date_gmt":"2015-10-02T17:13:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/?p=34704"},"modified":"2020-11-23T10:29:04","modified_gmt":"2020-11-23T09:29:04","slug":"eficacia-entre-intervencoes-psicoterapicas-breves-e-intervencoes-de-media-duracao-junto-a-criancas-em-risco-nos-bairros-socio-economicamente-desfavorecidos-de-sao-vicente-cabo-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/eficacia-entre-intervencoes-psicoterapicas-breves-e-intervencoes-de-media-duracao-junto-a-criancas-em-risco-nos-bairros-socio-economicamente-desfavorecidos-de-sao-vicente-cabo-verde\/","title":{"rendered":"Efic\u00e1cia entre interven\u00e7\u00f5es Psicoter\u00e1picas Breves e interven\u00e7\u00f5es de m\u00e9dia dura\u00e7\u00e3o, junto a crian\u00e7as em risco, nos bairros s\u00f3cio \u2013 economicamente desfavorecidos de S\u00e3o Vicente, Cabo Verde"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: left;\"><\/h1>\n<h1 style=\"text-align: left;\"><strong>Efic\u00e1cia entre interven\u00e7\u00f5es Psicoter\u00e1picas Breves e interven\u00e7\u00f5es de m\u00e9dia dura\u00e7\u00e3o, junto a crian\u00e7as em risco, nos bairros s\u00f3cio \u2013 economicamente desfavorecidos de S\u00e3o Vicente, Cabo Verde<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste artigo apresentam-se os resultados de 40 alunos de duas escolas da Zona do Mindelo em Cabo Verde, classificadas como moradores de bairros socioecon\u00f3micos desfavorecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Metade da amostra (20 alunos) foram sujeitos a psicoterapia breve: 5 sess\u00f5es de 15 em 15 dias, e a outra metade foi sujeita a terapia convencional (20 sess\u00f5es).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Efic\u00e1cia entre interven\u00e7\u00f5es Psicoter\u00e1picas Breves e interven\u00e7\u00f5es de m\u00e9dia dura\u00e7\u00e3o, junto a crian\u00e7as em risco, nos bairros s\u00f3cio \u2013 economicamente desfavorecidos de S\u00e3o Vicente, Cabo Verde<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luis Alberto Coelho Rebelo Maia,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Professor &#8211; Beira Interior University, Portugal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Clinical Neuropsychologist, PhD (USAL &#8211; Spain)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neuroscientist, MsC (Medicine School of Lisbon &#8211; Portugal)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Medico Legal Specialist (Medicine Institute Abel Salazar &#8211; Oporto, Portugal)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Graduation in Clinical Neuropsychology (USAL &#8211; Spain)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Graduation in Investigative Proficiency on Psychobiology (USAL &#8211; Spain)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Clinical Psychologist (Minho University &#8211; Portugal)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora n\u00e3o se verifique diferen\u00e7a significativa entre os dois tipos de interven\u00e7\u00e3o face aos seus resultados em indicadores de sintomatologia depressiva, verificou-se uma redu\u00e7\u00e3o estatisticamente significativa na sintomatologia depressiva global em toda a amostra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este artigo refor\u00e7a assim a necessidade de implementa\u00e7\u00e3o do acompanhamento psicol\u00f3gico frequente em crian\u00e7as do ensino b\u00e1sico das escolas de Cabo Verde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A identifica\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica da Depress\u00e3o Infantil tem sido alvo de controv\u00e9rsia, em grande parte por se considerar que, ao contr\u00e1rio dos adultos (que teriam j\u00e1 desenvolvido aspectos cognitivos que podem funcionar como complexificadores da vida mental), as crian\u00e7as estariam ainda protegidas pela sua imaturidade cognitiva (na perspectiva das tr\u00edades cognitivas e erros disfuncionais de Beck e Ellis) (Fonseca, Ferreira, Rebelo, Sim\u00f5es, Pires e Greg\u00f3rio, 2002). N\u00e3o apenas por isso, a Depress\u00e3o tem sido apresentada como mascarada na inf\u00e2ncia, apresentando-se mais pela manifesta\u00e7\u00e3o de sintomatologia psicossom\u00e1tica e altera\u00e7\u00f5es comportamentais (Ajuriaguerra, 1976; Lippi, 1986; Sim\u00f5es, 1999) e como tal, subdiagnosticada em compara\u00e7\u00e3o com os adultos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o obstante o referido, se considerarmos as classifica\u00e7\u00f5es apresentada pelo DSM \u2013 5 podemos verificar que a sintomatologia b\u00e1sica para o adulto e para a crian\u00e7a e adolescente \u00e9 essencialmente a mesma, podendo fazer-se notar mais sintomas de altera\u00e7\u00f5es de comportamento, somatiza\u00e7\u00f5es, altera\u00e7\u00f5es de apetite, concentra\u00e7\u00e3o e dificuldades de ajustamento desenvolvimental na crian\u00e7a e no adolescente (American Psychiatric Association, 2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m dessa dificuldade intr\u00ednseca no que toca aos dados epidemiol\u00f3gicos da Depress\u00e3o Infantil, tal agrava-se quando queremos perceber a sua realidade em pa\u00edses em desenvolvimento como o caso Particular de Cabo Verde (mais propriamente ilha de S\u00e3o Vicente \u2013 Mindelo) (Proen\u00e7a, 2009), onde escasseiam dados que nos permitam compreender tal realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Procur\u00e1mos assim fazer um levantamento explorat\u00f3rio das manifesta\u00e7\u00f5es sintomatol\u00f3gicas depressivas em alunos do ensino b\u00e1sico de duas escolas da regi\u00e3o do Mindelo, da Ilha de S\u00e3o Vicente, em Cabo Verde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levamos em considera\u00e7\u00e3o o que se tem referido como as preocupa\u00e7\u00f5es no que toca \u00e1 avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica da Depress\u00e3o em contexto escolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo da hist\u00f3ria de Cabo Verde, a escola foi determinando exig\u00eancias ao mesmo tempo em que foi se abrindo para um maior n\u00famero de crian\u00e7as, aumentando as taxas de escolariza\u00e7\u00e3o, o que como consequ\u00eancia, implicou nas j\u00e1 conhecidas dificuldades de adapta\u00e7\u00e3o infantil (Fonseca, 1995). Fonseca (1995) faz refer\u00eancia ao uso abusivo pela escola, de m\u00e9todos e correntes pedag\u00f3gicas que vigoram como sendo um modismo de uma determinada \u00e9poca. Em decorr\u00eancia disso, as escolas acabam por desconsiderar a espontaneidade, curiosidade e criatividade das crian\u00e7as (Cortez, 2005). Fonseca (1995) salienta que quando os m\u00e9todos se tornam ineficazes para a maioria, rapidamente s\u00e3o substitu\u00eddos por outros m\u00e9todos e com isso criam-se processos de selec\u00e7\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o para outras crian\u00e7as. Dessa forma, Fonseca (1995) diz que as crian\u00e7as n\u00e3o podem continuar a ser v\u00edtimas de m\u00e9todos, por mais populares que sejam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio ajustar as condi\u00e7\u00f5es de aprendizagem da crian\u00e7a, atrav\u00e9s de estudos aprofundados de seu desenvolvimento biopsicossocial, \u00e0s exig\u00eancias de ensino inerentes ao professor e ao sistema educacional, bem como esse sistema valorizar a forma com que essas crian\u00e7as aprendem no intuito de prevenir o aparecimento de problemas emocionais, como a depress\u00e3o (Cortez, 2005). Se os problemas emocionais se manifestarem, a escola deve ter meios de interven\u00e7\u00e3o eficazes e coerentes que priorizem a minimiza\u00e7\u00e3o ou a extin\u00e7\u00e3o desses problemas. De acordo com H\u00fcbner e Marinotti (2000), muitos dos problemas emocionais, dentre eles a depress\u00e3o, s\u00e3o verificados em crian\u00e7as em idade escolar. Esses problemas podem ser decorrentes, em parte, de conting\u00eancias em sua hist\u00f3ria de vida e, em parte, de transtornos de aprendizagem. O agravamento dessa condi\u00e7\u00e3o pode estar num ambiente escolar que n\u00e3o reconhece ou valoriza a legitimidade de<\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">outros recursos de racioc\u00ednio que n\u00e3o os previstos no panejamento ou no material did\u00e1ctico (Cortez, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa situa\u00e7\u00e3o aponta para o fato de que, a escola n\u00e3o disp\u00f5e de procedimentos para avalia\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio individual de solu\u00e7\u00e3o de problemas e n\u00e3o aproveita os eventuais recursos ou habilidades que a crian\u00e7a apresenta. Alerta-se ainda que essa situa\u00e7\u00e3o, para crian\u00e7as com transtornos de aprendizagem como TDAH (Transtorno de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade), s\u00edndromes neurol\u00f3gicas variadas, depress\u00e3o, fobia escolar, ansiedade de separa\u00e7\u00e3o, se torna ainda mais grave, pois, al\u00e9m de serem sistematicamente punidas por n\u00e3o chegarem ao resultado esperado, deixam de ser refor\u00e7adas por habilidades produtivas que possam exibir. H\u00fcbner e Marinotti (2000) dizem que as consequ\u00eancias prejudiciais desse processo ocorrem em duas esferas: do ponto de vista motivacional, a crian\u00e7a vai se tornando progressivamente desinteressada e descrente de sua capacidade de aprender; e cognitivamente, habilidades que poderiam ser utilizadas de forma produtiva v\u00e3o sendo extintas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 de grande import\u00e2ncia, segundo Cortez (2005), reconhecer que quadros infantis correlatos \u00e0 problemas emocionais, fazem com que as crian\u00e7as fiquem t\u00e3o envolvidas por seu sofrimento emocional que n\u00e3o conseguem se ater \u00e0s atividades pedag\u00f3gicas, isso, quando n\u00e3o deixam de frequentar a escola (H\u00fcbner &amp; Marinotti, 2000). A problem\u00e1tica envolvendo depress\u00e3o infantil e contexto escolar \u00e9 t\u00e3o grave e importante que alguns estudiosos v\u00eam se debru\u00e7ando sobre o tema com especial cuidado e aten\u00e7\u00e3o Cortez (2005). Pesquisas t\u00eam sido implementadas no intuito de se verificar a abrang\u00eancia desse problema e, com isso, buscar formas interventivas e preventivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andriola e Cavalcante (1999), em uma pesquisa que objectivou avaliar a depress\u00e3o em alunos da pr\u00e9-escola, verificaram que 3,9% das crian\u00e7as em idade escolar t\u00eam sintomas indicativos de preval\u00eancia \u00e0 depress\u00e3o, o que est\u00e1 na mesma faixa percentual encontrada pelos estudos da <em>American Academy of Child and Adolescent Psychiatry <\/em>(1996, como citado em Andriola &amp; Cavalcante, 1999), que giram em torno dos 5,0% e de Barbosa e Gai\u00e3o, (1996), cujos valores encontram-se entre 3,0% e 6,0% (Cortez, 2005). Outra pesquisa como a efectivada por Dias (1996, como citado em Andriola &amp; Cavalcante, 1999) relacionada a sintomatologia da depress\u00e3o em ambiente escolar, conclui que \u00e9 significativo o n\u00famero de sujeitos que apresentam sintomas ligados \u00e0 depress\u00e3o infantil e aponta para a necessidade de se tra\u00e7ar um perfil epidemiol\u00f3gico da depress\u00e3o, dada a alta frequ\u00eancia de ocorr\u00eancia desse fen\u00f3meno na popula\u00e7\u00e3o infantil pesquisada (Cortez, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gouveia, Barbosa, Almeida e Gai\u00e3o (1995), utilizaram, em seus estudos, como instrumento de avalia\u00e7\u00e3o da depress\u00e3o em escolares o <em>Children Depression Inventory <\/em>(CDI) e chegaram a conclus\u00e3o de que vari\u00e1veis como tipo de escola e escolaridade, bem como, sexo e idade, n\u00e3o influenciaram, significativamente, os escores dos respondentes, entretanto, ressaltam que a escola \u00e9 um local bastante favor\u00e1vel \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de estudos epidemiol\u00f3gicos em crian\u00e7as, visto que o comportamento depressivo na inf\u00e2ncia ocorrer\u00e1, provavelmente, no contexto educacional e concordam com Barbosa e Lucena (1995), que apontam o baixo rendimento escolar como um dos primeiros sinais do surgimento de um poss\u00edvel quadro depressivo [Cortez, 2005]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tornou-se assim relevante para n\u00f3s a avalia\u00e7\u00e3o da sintomatologia depressiva em crian\u00e7as dos 8 a 14 anos das escolas do Mindelo em Cabo Verde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Avalia\u00e7\u00e3o da Depress\u00e3o Infantil \u2013 Children Depression Inventory (CDI)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O CDI apareceu primitivamente nos Estados Unidos, compreendendo uma adapta\u00e7\u00e3o do BDI (Invent\u00e1rio de Depress\u00e3o de Beck). Foi preparado por Kovacs (1983), e prop\u00f5e avaliar sintomas depressivos em jovens de 7 a 17 anos, por meio de auto-administra\u00e7\u00e3o ou por respostas de informadores (pais, docentes ou amigos). A presun\u00e7\u00e3o da escala \u00e9 de que a depress\u00e3o infantil pode ser relatada pelos sintomas semelhantes da depress\u00e3o do adulto: tristeza ou comportamento depressivo, sentimento de culpa, anedonia, baixa auto-estima, problemas de sono e apetite, fadiga excessiva, deficit psicomotor, comportamento anti-social e idea\u00e7\u00e3o suicida. Muitos estudos levados a cabo na Am\u00e9rica do Norte e na Europa pesquisaram as caracter\u00edsticas psicom\u00e9tricas da escala e certificaram a sua fidedignidade e validade (Frigerio, 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Metodologia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Participantes<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram avaliados 40 sujeitos (21 meninos e 19 meninas) do ensino B\u00e1sico de duas escolas da Zona do Mindelo, na Ilha de S\u00e3o Vicente em Cabo Verde. Assim, sendo, a distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero era de 50% para cada categoria. A idade m\u00e9dia da amostra variou de 8 anos idade o sexo masculino (desvio padr\u00e3o ,154) e de 7,89 anos de idade para o sexo feminino (desvio padr\u00e3o ,151), n\u00e3o se verificando qualquer diferen\u00e7a estatisticamente significativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Interven\u00e7\u00e3o psicoterap\u00eautica<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das 40 crian\u00e7as que se disponibilizaram, 20 delas foram intervencionadas com um modelo de psicoterapia breve cognitivo comportamental de 5 sess\u00f5es. Tal interven\u00e7\u00e3o decorreu de 15 em 15 dias num total de dois meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As restantes 20 crian\u00e7as foram sujeitos a um plano de interven\u00e7\u00e3o cognitivo comportamental de 20 sess\u00f5es, num total de 4 meses de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram considerados dois momentos de avalia\u00e7\u00e3o, pr\u00e9 e p\u00f3s interven\u00e7\u00e3o, e os resultados avaliados posteriormente de forma individual e comparativa, intra e inter grupos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As crian\u00e7as atendiam \u00e0s consultas numa sala ou gabinete disponibilizada pela escola (dentro do recinto escolar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Instrumentos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Invent\u00e1rio de Depress\u00e3o Infantil <\/em><\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(CDI):<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Utilizou-se a forma de Gouveia e cols., (1995), do Invent\u00e1rio de Depress\u00e3o Infantil (CDI) elaborado por Kov\u00e1cs (1983), derivante, por sua vez, de uma adapta\u00e7\u00e3o do BDI (Invent\u00e1rio de Depress\u00e3o de Beck). Nesta vers\u00e3o, o CDI \u00e9 composto por 20 itens de auto administra\u00e7\u00e3o, apresentando cada um tr\u00eas op\u00e7\u00f5es de respostas, das quais a crian\u00e7a ou o adolescente escolhe a que melhor tra\u00e7a seus sentimentos nas duas \u00faltimas semanas, o que poder\u00e1 ser um indicador dos seus n\u00edveis de sintomatologia depressiva. <strong>(<\/strong>Coutinho, Carolino e Medeiros, 2008)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada resposta do instrumento possui um valor correspondente que varia de 0 a 02 pontos (a=0, b=1, c=2), sendo o somat\u00f3rio total dos valores das respostas o escore a ser considerado. Das tr\u00eas op\u00e7\u00f5es uma refere-se \u00e0 normalidade, outra \u00e0 severidade dos sintomas e a outra, \u00e0 enfermidade cl\u00ednica mais significativa. <strong>(<\/strong>Coutinho, Carolino e Medeiros, 2008)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos vinte itens que comp\u00f5em o CDI, sete englobam reac\u00e7\u00f5es afectivas (sentimentos de tristeza, medo, n\u00e3o gostar de si mesmo, vontade de chorar, sentir-se feio, solid\u00e3o, e sentimentos de n\u00e3o ser amado \u2013 itens 01, 06, 07, 10, 13, 16, e 19); seis itens reflectem aspectos cognitivos (pessimismo, avalia\u00e7\u00e3o negativa das pr\u00f3prias habilidades, idea\u00e7\u00e3o suicida, culpa, preocupa\u00e7\u00e3o, e compet\u00eancia \u2013 itens 02, 03, 08, 09, 11 e 18); cinco dizem respeito a quest\u00f5es comportamentais (lazer, comportamentos hostis, isolamento, interac\u00e7\u00e3o escolar, e obedi\u00eancia \u2013 itens 04, 05, 12, 17 e 20); e os dois \u00faltimos aos sintomas som\u00e1ticos (dificuldades em dormir e perda de energia \u2013 itens 14 e 15). <strong>(<\/strong>Coutinho, Carolino e Medeiros, 2008)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escala tem sido utilizada enquanto instrumento de <em>screening <\/em>na identifica\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes com altera\u00e7\u00f5es afectivas, altera\u00e7\u00f5es de humor, capacidade hed\u00f3nica, fun\u00e7\u00f5es vegetativas, auto-avalia\u00e7\u00e3o e outras condutas interpessoais. Como evidenciado, anteriormente, essa medida vem apresentando bons par\u00e2metros psicom\u00e9tricos, nessa vers\u00e3o adaptada e normalizada por Gouveia e Cols (1995), o instrumento apresentou um \u00edndice de consist\u00eancia interna (Alfa de Cronbach) de 0,81<strong>. (<\/strong>Coutinho, Carolino e Medeiros, 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para cota\u00e7\u00e3o do CDI utiliz\u00e1mos n\u00e3o apenas a nota bruta, mas consider\u00e1mos a nota total de 19 como ponto de corte para indica\u00e7\u00e3o de patrologia depressiva (na mesma linha de Coutinho, Carolino e Medeiros, 2008; Pereira, Matos &amp; Azevedo, 2015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Quest\u00f5es Sociodemogr\u00e1ficas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obteve-se informa\u00e7\u00e3o relacionada com o g\u00e9nero, idade, escolaridade, identifica\u00e7\u00e3o de parentalidade familiar (monoparentalidade ou biparentalidade) e falecimento de progenitores, com a finalidade de tra\u00e7ar o perfil da amostra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Procedimentos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a recolha de dados, foram obtidas autoriza\u00e7\u00f5es das direc\u00e7\u00f5es das escolas, atrav\u00e9s de um documento formal, como tamb\u00e9m, foi solicitado aos pais dos alunos a autoriza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de um Termo de Consentimento Informado, permitindo a participa\u00e7\u00e3o de seus filhos menores de idade. Assim, ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es e autoriza\u00e7\u00e3o dos pais, foram calendarizadas visitas \u00e0s escolas para a administra\u00e7\u00e3o do CDI, por t\u00e9cnicos previamente preparados para tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aplica\u00e7\u00e3o ocorreu de forma individual em contexto de consult\u00f3rio, tendo os participantes que seguir as instru\u00e7\u00f5es facultadas por escrito e verbalmente. O tempo de aplica\u00e7\u00e3o foi de, aproximadamente, 37 minutos por cada crian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>An\u00e1lises de dados<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi utilizado o pacote estat\u00edstico Statistical Package for the Social Sciences \u2013 SPSS (vers\u00e3o 22,0) para realizar as an\u00e1lises dos dados. Utilizaram-se estat\u00edsticas descritivas (medidas de tend\u00eancia central e dispers\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o de frequ\u00eancia), principalmente, para caracteriza\u00e7\u00e3o da amostra estudada (de acordo com procedimentos de Coutinho, Carolino e Medeiros, 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise do quadro I permite observar que forma avaliados 21 sujeitos do sexo masculino e 19 do sexo feminino. A idade m\u00e9dia da amostra variou de 8 anos idade o sexo masculino (desvio padr\u00e3o ,154) e de 7,89 anos de idade para o sexo feminino (desvio padr\u00e3o ,151), n\u00e3o se verificando qualquer diferen\u00e7a estatisticamente significativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro I \u2013 Distribui\u00e7\u00e3o por g\u00e9nero e m\u00e9dia et\u00e1ria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No quadro II podemos verificar que quando cruzamos as vari\u00e1veis Classe Social (Abaixo do Limiar de Pobreza \/ Acima do Limiar de Pobreza) com os valores brutos do CDI, temos que em 40 crian\u00e7as, 27 das mesmas (67,5% da amostra) se encontram abaixo do limiar de pobreza, sendo a m\u00e9dia dos resultados brutos do CDI de 18,56 com um desvio padr\u00e3o de 8,541. Do total de crian\u00e7as, 13 (32,5% da amostra) encontram-se acima do limiar de pobreza e os seus resultados bruto no CDI s\u00e3o de uma m\u00e9dia de 16,77, com um desvio padr\u00e3o de 7,960, n\u00e3o sendo estas diferen\u00e7as estatisticamente significativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro II: Resultado no momento 1 do CDI em fun\u00e7\u00e3o da classe social<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise do quadro III permite verificar que no que toca a fazer parte de uma fam\u00edlia monoparental ou biparental, 24 crian\u00e7as (60%) enquadram-se em fam\u00edlias monoparentais, em compara\u00e7\u00e3o com 16 crian\u00e7as (40%) de fam\u00edlias biparentais. Os seus resultados brutos no CDI s\u00e3o de uma m\u00e9dia de 16,38 (aus\u00eancia de sintomatologia depressiva), com um desvio padr\u00e3o de 7,186, e as crian\u00e7as de fam\u00edlias biparentais com uma m\u00e9dia no CDI de 20,38 (presen\u00e7a de sintomatologia depressiva) com desvio padr\u00e3o de 9,465, n\u00e3o sendo estas diferen\u00e7as estatisticamente significativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro III: Resultado no momento 1 do CDI em fun\u00e7\u00e3o da parentalidade<\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Resultados comparativos pr\u00e9-interven\u00e7\u00e3o vs p\u00f3s-interven\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise do quadro IV onde se cruza o g\u00e9nero com o valor bruto no CDI, na primeira avalia\u00e7\u00e3o, demonstra que a m\u00e9dia no CDI para os meninos era de 19,14 (presen\u00e7a de sintomatologia depressiva) com desvio padr\u00e3o de 7,838, e das meninas era de 16,68 de m\u00e9dia no CDI (aus\u00eancia de sintomatologia depressiva) com desvio padr\u00e3o de 8,807, n\u00e3o sendo estas diferen\u00e7as estatisticamente significativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro IV: Resultado no momento 1 do CDI em fun\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise do quadro V demonstra um esbatimento das diferen\u00e7as mencionadas da primeira para a segunda avalia\u00e7\u00e3o, bem como descida dos valores de CDI em ambas as amostras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, verifica-se que a m\u00e9dia dos CDI nos meninos passou para 14,33, com um desvio padr\u00e3o de 5,562 e para as meninas uma m\u00e9dia de CDI de 13,58 com desvio padr\u00e3o de 5,460, n\u00e3o sendo estas diferen\u00e7as estatisticamente significativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro V: Resultado no momento 2 do CDI em fun\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quadro VI apresenta os resultados da amostra global (40 sujeitos) no CDI. Verifica-se que a m\u00e9dia dos sujeitos na primeira avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de 17,98, com desvio padr\u00e3o de 8,297 e na segunda avalia\u00e7\u00e3o a m\u00e9dia global \u00e9 de 13,98, com desvio padr\u00e3o de 5,456.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro VI: Resultados da amostra global (40 sujeitos) no CDI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para perceber se a diferen\u00e7a da primeira para a segunda avalia\u00e7\u00e3o (ou seja, para perceber o eventual efeito da interven\u00e7\u00e3o terap\u00eautica) realizou-se um teste emparelhado constitu\u00eddo por pares de resultados. Por exemplo, primeiro par, constitu\u00eddo pelo resultado nas duas avalia\u00e7\u00f5es, por parte do primeiro sujeito, num total de 40 pares de resultados emparelhados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se pode verificar no quadro VII, as diferen\u00e7as entre o momento de pr\u00e9 interven\u00e7\u00e3o e o momento de p\u00f3s interven\u00e7\u00e3o s\u00e3o altamente significativas (t= 6,902: p= ,000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro VII: diferen\u00e7as entre o momento de pr\u00e9 interven\u00e7\u00e3o e o momento de p\u00f3s interven\u00e7\u00e3o no CDI<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No quadro VIII verificamos que, considerando a nota bruta de corte de 19 pontos no CDI como presen\u00e7a de sintomatologia depressiva, antes de qualquer interven\u00e7\u00e3o psicoterap\u00eautica verific\u00e1vamos 15 sujeitos (37,5% da amostra) com indica\u00e7\u00e3o de patologia depressiva, e 25 sujeitos (62,5% da amostra) sem indicador de sintomatologia depressiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro VIII: ponto de corte CDI no momento pr\u00e9-interven\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No momento p\u00f3s interven\u00e7\u00e3o (Quadro IX), considerando a nota bruta de corte de 19 pontos no CDI como presen\u00e7a de sintomatologia depressiva, verificamos 11 sujeitos (27,5% da amostra) acima do ponto de corte como indicativo de patologia depressiva, e 29 sujeitos (72,5%) sem indica\u00e7\u00e3o de patologia depressiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro IX: ponto de corte CDI no momento p\u00f3s-interven\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Diferen\u00e7a entre Terapia Breve (5 sess\u00f5es) e Convencional (20 sess\u00f5es)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No quadro X quando se procura avaliar os resultados no CDI no grupo que aleatoriamente partiu para o grupo da terapia breve (5 sess\u00f5es) verifica-se que a sua m\u00e9dia era de 18,70, com um desvio padr\u00e3o de 9,437, e que o grupo que partiu para a terapia convencional de 20 sess\u00f5es apresentava uma m\u00e9dia no CDI de 17,25, com um desvio padr\u00e3o de 7,152, n\u00e3o sendo estas diferen\u00e7as estatisticamente significativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa an\u00e1lise p\u00f3s interven\u00e7\u00e3o verifica-se uma redu\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel nos valores brutos do CDI em ambos os grupos. A m\u00e9dia dos que foram sujeitos a terapia breve passa para 14,10 de nota bruta no CDI, com um desvio padr\u00e3o de 6,265, e a m\u00e9dia no grupo sujeito a terapia convencional passa para 13,85, com desvio padr\u00e3o de 4,671. N\u00e3o se verificam diferen\u00e7as estatisticamente significativas entre os dois modelos de interven\u00e7\u00e3o, mas sim encontram-se diferen\u00e7as estatisticamente significativas considerando o facto de a crian\u00e7a ter passado por um processo de interven\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica (t= 6,902: p= ,000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro X: Diferen\u00e7as pr\u00e9 e p\u00f3s interven\u00e7\u00e3o no CDI em fun\u00e7\u00e3o do tipo de interven\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Discuss\u00e3o dos resultados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise dos resultados permite verificar que a amostra estava equilibrada em fun\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero e das idades m\u00e9dias dos alunos. Assim, n\u00e3o \u00e9 de esperar que eventuais diferen\u00e7as se possam dever a efeitos parasitas aportados por tais vari\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no que diz respeito \u00e0 vari\u00e1vel que permite perceber se a crian\u00e7a est\u00e1 inserida num ambiente socioecon\u00f3mico familiar abaixo ou acima do limiar de pobreza, o quadro II permite-nos verificar que quando cruzamos as vari\u00e1veis Classe Social (Abaixo do Limiar de Pobreza \/ Acima do Limiar de Pobreza) com os valores brutos do CDI, temos que em 40 crian\u00e7as, 27 das mesmas (67,5% da amostra) se encontram abaixo do limiar de pobreza, sendo a m\u00e9dia dos resultados brutos do CDI de 18,56 com um desvio padr\u00e3o de 8,541. Do total de crian\u00e7as, 13 (32,5% da amostra) encontram-se acima do limiar de pobreza e os seus resultados bruto no CDI s\u00e3o de uma m\u00e9dia de 16,77, com um desvio padr\u00e3o de 7,960, n\u00e3o sendo estas diferen\u00e7as estatisticamente significativas. Tais resultados est\u00e3o em conformidade com os v\u00e1rios relat\u00f3rios relativos ao n\u00edvel econ\u00f3mico que a maioria das crian\u00e7as de zonas desfavorecidas, como s\u00e3o o Mindelo, em Cabo Verde, est\u00e3o sujeitas (cf. Proen\u00e7a, 2009).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise do quadro III permite verificar que no que toca a fazer parte de uma fam\u00edlia monoparental ou biparental, 24 crian\u00e7as (60%) enquadram-se em fam\u00edlias monoparentais, em compara\u00e7\u00e3o com 16 crian\u00e7as (40%) de fam\u00edlias biparentais. Os seus resultados brutos no CDI s\u00e3o de uma m\u00e9dia de 16,38 (aus\u00eancia de sintomatologia depressiva), com um desvio padr\u00e3o de 7,186, e as<\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">crian\u00e7as de fam\u00edlias biparentais com uma m\u00e9dia no CDI de 20,38 (presen\u00e7a de sintomatologia depressiva) com desvio padr\u00e3o de 9,465, n\u00e3o sendo estas diferen\u00e7as estatisticamente significativas. Estes resultados demonstram o claro peso do papel da Mulher na cultura Cabo-verdiana na cria\u00e7\u00e3o dos filhos e na sua responsabiliza\u00e7\u00e3o como cabe\u00e7a de casal, sendo muito conhecido o papel da desresponsabiliza\u00e7\u00e3o masculina no que toca \u00e0 parentalidade (cf. Proen\u00e7a, 2009).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise do quadro IV onde se cruza o g\u00e9nero com o valor bruto no CDI, na primeira avalia\u00e7\u00e3o, demonstra que a m\u00e9dia no CDI para os meninos era de 19,14 (presen\u00e7a de sintomatologia depressiva) com desvio padr\u00e3o de 7,838, e das meninas era de 16,68 de m\u00e9dia no CDI (aus\u00eancia de sintomatologia depressiva) com desvio padr\u00e3o de 8,807, n\u00e3o sendo estas diferen\u00e7as estatisticamente significativas. Tais resultados sugerem que os rapazes desta amostra apresentam valores mais elevados que as raparigas, estando mesmo os rapazes, em m\u00e9dia, acima do porto de corte indicador de maior sintomatologia depressiva, quando comparado com as meninas da amostra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o obstante as diferen\u00e7as encontradas, importava perceber o que aconteceria quando ambos os grupos fossem sujeitos a processos de interven\u00e7\u00e3o psicoterap\u00eautica. Assim, a an\u00e1lise do quadro V demonstra um esbatimento das diferen\u00e7as mencionadas da primeira para a segunda avalia\u00e7\u00e3o, bem como descida dos valores de CDI em ambas as amostras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verifica-se que a m\u00e9dia dos CDI nos meninos passou para 14,33, com um desvio padr\u00e3o de 5,562 e para as meninas uma m\u00e9dia de CDI de 13,58 com desvio padr\u00e3o de 5,460, n\u00e3o sendo estas diferen\u00e7as estatisticamente significativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para perceber se a diferen\u00e7a da primeira para a segunda avalia\u00e7\u00e3o (ou seja, para perceber o eventual efeito da interven\u00e7\u00e3o terap\u00eautica) realizou-se um teste emparelhado constitu\u00eddo por pares de resultados. Por exemplo, primeiro par, constitu\u00eddo pelo resultado nas duas avalia\u00e7\u00f5es, por parte do primeiro sujeito, num total de 40 pares de resultados emparelhados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se pode verificar no quadro VII, as diferen\u00e7as entre o momento de pr\u00e9 interven\u00e7\u00e3o e o momento de p\u00f3s interven\u00e7\u00e3o s\u00e3o altamente significativas (t= 6,902: p= ,000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No quadro VIII verificamos que, considerando a nota bruta de corte de 19 pontos no CDI como presen\u00e7a de sintomatologia depressiva, antes de qualquer interven\u00e7\u00e3o psicoterap\u00eautica verific\u00e1vamos 15 sujeitos (37,5% da amostra) com indica\u00e7\u00e3o de patologia depressiva, e 25 sujeitos (62,5% da amostra) sem indicador de sintomatologia depressiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No momento p\u00f3s interven\u00e7\u00e3o (Quadro IX), considerando a nota bruta de corte de 19 pontos no CDI como presen\u00e7a de sintomatologia depressiva, verificamos 11 sujeitos (27,5% da amostra) acima do ponto de corte como indicativo de patologia depressiva, e 29 sujeitos (72,5%) sem indica\u00e7\u00e3o de patologia depressiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No quadro X quando se procura avaliar os resultados no CDI no grupo que aleatoriamente partiu para o grupo da terapia breve (5 sess\u00f5es) verifica-se que a sua m\u00e9dia era de 18,70, com um desvio padr\u00e3o de 9,437, e que o grupo que partiu para a terapia convencional de 20 sess\u00f5es apresentava uma m\u00e9dia no CDI de 17,25, com um desvio padr\u00e3o de 7,152, n\u00e3o sendo estas diferen\u00e7as estatisticamente significativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa an\u00e1lise p\u00f3s interven\u00e7\u00e3o verifica-se uma redu\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel nos valores brutos do CDI em ambos os grupos. A m\u00e9dia dos que foram sujeitos a terapia breve passa para 14,10 de nota bruta no CDI, com um desvio padr\u00e3o de 6,265, e a m\u00e9dia no grupo sujeito a terapia convencional passa para 13,85, com desvio padr\u00e3o de 4,671. N\u00e3o se verificam diferen\u00e7as estatisticamente significativas entre os dois modelos de interven\u00e7\u00e3o, mas sim encontram-se diferen\u00e7as estatisticamente significativas considerando o facto de a crian\u00e7a ter passado por um processo de interven\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica (t= 6,902: p= ,000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com este artigo podemos explorar a preval\u00eancia relativa de sintomatologia depressiva em escolares do ensino b\u00e1sico da Zona do Mindelo, da Ilha de S\u00e3o Vicente, em Cabo Verde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verificamos que a preval\u00eancia de sintomatologia depressiva infantil afecta mais o sexo masculino que o feminino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A interven\u00e7\u00e3o terap\u00eautica breve ou convencional mostrou-se altamente eficaz para a redu\u00e7\u00e3o significativa das manifesta\u00e7\u00f5es depressivas na globalidade da amostra, mesmo considerando as diferen\u00e7as por g\u00e9nero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sugere-se assim a implementa\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o psicoterap\u00eautica como fazendo parte do leque de respostas que a comunidade escolar pode apresentar a uma popula\u00e7\u00e3o escolar t\u00e3o sujeita \u00e0 submiss\u00e3o a condi\u00e7\u00f5es de vida socioecon\u00f3mica t\u00e3o desfavorecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quadros &#8211; Efic\u00e1cia entre interven\u00e7\u00f5es Psicoter\u00e1picas Breves<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><iframe loading=\"lazy\" style=\"width: 100%; height: 500px;\" src=\"http:\/\/docs.google.com\/gview?url=http:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/wp-content\/uploads\/Quadros-Efic\u00e1cia-entre-interven\u00e7\u00f5es-Psicoter\u00e1picas-Breves-.pdf&amp;embedded=true\" width=\"300\" height=\"150\" frameborder=\"0\"><\/iframe><a href=\"http:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/wp-content\/uploads\/Quadros-Efic\u00e1cia-entre-interven\u00e7\u00f5es-Psicoter\u00e1picas-Breves-.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Quadros &#8211; Efic\u00e1cia entre interven\u00e7\u00f5es Psicoter\u00e1picas Breves<\/a>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ajuriaguerra, J. (1976). <em>Manual de Psiquiatria Infantil.<\/em> 2ed. Rio de Janeiro. Masson do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">American Psychiatric Association. (2013). <em>Diagnostic and statistical manual of mental disorders<\/em> (5th ed.). Washington, DC: Author.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andriola, W. B. &amp; Cavalcante, L. R. (1999). A avalia\u00e7\u00e3o da depress\u00e3o\u00a0infantil em alunos da pr\u00e9 escola. <u>Psicologia: Reflex\u00e3o e Cr\u00edtica, Porto Alegre, 12 (2)<\/u>. Recuperado em 06 de jul. 1999, da SciELO (Scientific Eletrocnic On Line): <u>www.scielo.br<\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Barbosa, G. A. &amp; Gai\u00e3o, A. A. (1996). Depress\u00e3o infantil: Um estudo de preval\u00eancia. Revista de Neuropsiquiatria da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia. 4 (3), 36-40.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Barbosa, G. A. &amp; Lucena, A. (1995). Depress\u00e3o Infantil. Revista Neuropsiquiatria da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia, 03 (02), 23-30.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cortez, M.V.D.M. (2005). Depress\u00e3o Infantil no Contexto Escolar: uma an\u00e1lise comportamental. Monografia apresentada como requisito para a conclus\u00e3o do curso de psicologia do UniCEUB \u2013 Centro Universit\u00e1rio de Bras\u00edlia, sob a orienta\u00e7\u00e3o da prof(a) Yvanna Gadelha Sarmet. Bras\u00edlia\/DF, Junho de 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Coutinho, M.P.L.; Carolino, Z.C.G. &amp; Medeiros, E.D.(2008). <\/em>Invent\u00e1rio de Depress\u00e3o Infantil (CDI): Evid\u00eancias de Validade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonseca, A. C., Ferreira, A G., Rebelo, J. A., Sim\u00f5es, M. D. F., Pires, C. L., &amp; Gregorio, M. H. (2002). O estudo da depress\u00e3o em crian\u00e7as: a escala de auto-avalia\u00e7\u00e3o da depress\u00e3o de Birleson<em>. Psychologica<\/em>, 29, 113-122.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonseca, V. (1995). <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s dificuldades de aprendizagem.<\/em> Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frigeiro, A.; Pesenti, S.; Molteni, M.; Snider, J. &amp; Battaglia, M. (2001). Depressive Symptons as Measured by the CDI in a Population of Northern Italian Children. <em>Eur Psychiatry 16<\/em>: 33-7, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gouveia, V.V., Barbosa, G. A. Almeida, H. j. F. &amp; Gai\u00e3o, A. A. (1995). Invent\u00e1rio de depress\u00e3o infantil \u2013 CDI: Estudos de adapta\u00e7\u00e3o com escolares. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 44, 345 \u2013 349.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00fcbner, M. M. &amp; Marinotti, M. (2000). Crian\u00e7as com problemas de desenvolvimento. Em Silvares (Org.). Estudos de caso em psicologia cl\u00ednica comportamental infantil. vol. 2. 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(2009). <em>A Exclus\u00e3o Social em Cabo Verde &#8211; Uma Abordagem Preliminar<\/em>. Centro de Estudos sobre \u00c1frica do Desenvolvimento do Instituto Superior de economia e Gest\u00e3o da Universidade T\u00e9cnica de Lisboa. Colec\u00e7\u00e3o <em>Documentos de Trabalho, n\u00ba 76.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim\u00f5es, M.R. (1999). A Depress\u00e3o em crian\u00e7as e adolescentes: elementos para a sua avalia\u00e7\u00e3o e diagn\u00f3stico. <em>Psychologica<\/em>, Coimbra, n 31, pp. 27-64.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Efic\u00e1cia entre interven\u00e7\u00f5es Psicoter\u00e1picas Breves e interven\u00e7\u00f5es de m\u00e9dia dura\u00e7\u00e3o, junto a crian\u00e7as em risco, nos bairros s\u00f3cio \u2013 economicamente desfavorecidos de S\u00e3o Vicente, Cabo Verde Neste artigo apresentam-se os resultados de 40 alunos de duas escolas da Zona do Mindelo em Cabo Verde, classificadas como moradores de bairros socioecon\u00f3micos desfavorecidos. 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