{"id":36151,"date":"2016-01-25T19:52:15","date_gmt":"2016-01-25T18:52:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/?p=36151"},"modified":"2020-11-23T10:28:40","modified_gmt":"2020-11-23T09:28:40","slug":"neuropsicologia-estado-actual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/neuropsicologia-estado-actual\/","title":{"rendered":"Neuropsicologia: Estado actual"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: left;\"><strong>Neuropsicologia: Estado actual<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No presente texto procuraremos apresentar uma s\u00famula de temas como a Neuropsicologia, a sua evolu\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o, bem como focaremos a nossa aten\u00e7\u00e3o na grande distin\u00e7\u00e3o que se faz entre avalia\u00e7\u00e3o e reabilita\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Neuropsicologia: Estado actual<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Autores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paula Alexandra Dias Teixeira, Licenciada em Psicologia pela Universidade da Beira Interior, Portugal, Aluna de mestrado, email:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luis Alberto Coelho Rebelo Maia, Professor \u2013 Beira Interior University, Portugal; Clinical Neuropsychologist, PhD (USAL \u2013 Spain); Neuroscientist, MsC (Medicine School of Lisbon \u2013 Portugal); email:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neuropsicologia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Defini\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde h\u00e1 muitas d\u00e9cadas atr\u00e1s que a patologia humana fornece informa\u00e7\u00f5es cruciais acerca da rela\u00e7\u00e3o c\u00e9rebro &#8211; comportamento. As observa\u00e7\u00f5es efetuadas a partir das disfun\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas contribu\u00edram para a compreens\u00e3o de aspetos cognitivos &#8211; aquando do aparecimento da neuroci\u00eancia cognitiva (Thiers, Argimon &amp; Nascimento, <em>s.d.<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A neuropsicologia utiliza a an\u00e1lise das les\u00f5es cerebrais como m\u00e9todo para poder testar hip\u00f3teses da fun\u00e7\u00e3o cerebral em rela\u00e7\u00e3o ao comportamento. A neuropsicologia realiza as suas investiga\u00e7\u00f5es em seres humanos, como \u00e9 \u00f3bvio, n\u00e3o provoca les\u00f5es com fins experimentais, mas aproveita as les\u00f5es que se produzem espontaneamente como consequ\u00eancia das doen\u00e7as ou as les\u00f5es produzidas por cirurgias realizadas com fins terap\u00eauticos. As experiencias neuropsicol\u00f3gicas realizadas com sujeitos lesionados envolvem uma sele\u00e7\u00e3o de fases da amostra que devem ser estritamente definidas (Junqu\u00e9 &amp; Barroso, 2000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rao estabelece uma distin\u00e7\u00e3o entre a Neuropsicologia Humana e a Neuropsicologia Cl\u00ednica (cit in Thiers, Argimon &amp; Nascimento, <em>s.d.<\/em>), na qual defende que a primeira \u00e9 multidisciplinar, envolvendo especialistas da Psicologia (experimental, cognitiva e cl\u00ednica), da Neurologia, da Psiquiatria, da Lingu\u00edstica e das Neuroci\u00eancias em geral; enquanto a Neuropsicologia Cl\u00ednica \u00e9 tipicamente praticada por psic\u00f3logos cl\u00ednicos, que se encontram respons\u00e1veis de aplicar o conhecimento cient\u00edfico derivado da pesquisa para avaliar e tratar indiv\u00edduos com suspeita de disfun\u00e7\u00e3o cerebral (Thiers, Argimon &amp; Nascimento, <em>s.d.<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luria (1981, cit in Thiers, Argimon &amp; Nascimento, <em>s.d.<\/em>) definiu a Neuropsicologia como \u201c<em>a ci\u00eancia da organiza\u00e7\u00e3o cerebral dos processos mentais humanos<\/em>\u201d e que tem \u201c<em>como objectivo espec\u00edfico e peculiar investigar o papel dos sistemas cerebrais individuais nas formas complexas de actividades mentais<\/em>\u201d. Por outras palavras, a Neuropsicologia \u00e9 a ci\u00eancia que estuda a express\u00e3o comportamental das disfun\u00e7\u00f5es cerebrais, isto \u00e9, trata-se de uma especialidade que aborda as rela\u00e7\u00f5es entre fun\u00e7\u00f5es cerebrais e comportamento (Thiers, Argimon &amp; Nascimento, <em>s.d.<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma outra defini\u00e7\u00e3o proposta para a Neuropsicologia \u00e9 que esta \u00e9 um \u201c<em>ramo das ci\u00eancias que estudam as bases biol\u00f3gicas dos comportamentos<\/em>\u201d, ou seja, \u00e9 constitu\u00edda pela Psicobiologia e pela Psicologia Fisiol\u00f3gica, uma vez que s\u00e3o duas \u00e1reas que estudam a biologia nos fen\u00f3menos ps\u00edquicos. Consegue abranger a atividade biol\u00f3gica relacionada com o funcionamento do c\u00f3rtex cerebral, pelo que \u00e9 uma \u00e1rea que requer a integra\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias mais b\u00e1sicas do Sistema Nervoso, que s\u00e3o a Neuroanatomia, a Neurofisiologia e ainda a Neuroqu\u00edmica (Junqu\u00e9 &amp; Barroso, 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Neuropsicologia resulta da aplica\u00e7\u00e3o dos resultados cient\u00edficos no diagn\u00f3stico e no tratamento de patologias do Sistema Nervoso Central, as quais t\u00eam consequ\u00eancias no comportamento do indiv\u00edduo (Associa\u00e7\u00e3o Americana de Psicologia, 2002, cit in Junqu\u00e9, 1992; Junqu\u00e9 &amp; Barroso, 2001; Pinheiro, 2005; Kristensen, Almeida &amp; Gomes, 2001). A APA partilha desta ideia, a partir do momento em que define a Neuropsicologia (Cl\u00ednica) como \u201c<em>uma actividade no \u00e2mbito da interven\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica que tem o seu fundamento na Neuropsicologia Humana<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Neuropsicologia \u00e9 geralmente definida como o estudo das rela\u00e7\u00f5es c\u00e9rebro &#8211; comportamento. Naturalmente, esta defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o capta a multiplicidade de quest\u00f5es e abordagens que t\u00eam sido utilizados para explorar a forma como o sistema nervoso central representa, organiza e gere os recursos de infinita gama e a\u00e7\u00f5es humanas (Benton, 2000; Hebben &amp; Milberg, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo alguns autores a Neuropsicologia contempla v\u00e1rios objetivos, como promover a descri\u00e7\u00e3o cient\u00edfica das manifesta\u00e7\u00f5es da patologia ao n\u00edvel das atividades nervosas superiores, aumentando assim o conhecimento da fisiopatologia, das observa\u00e7\u00f5es observadas, diagn\u00f3stico cl\u00ednico, neuropsicol\u00f3gico e topogr\u00e1fico cerebral, subjacente a uma desordem comportamental, o estudo da influ\u00eancia da experi\u00eancia e da aprendizagem sobre o substrato neuro funcional, bem como o estudo das representa\u00e7\u00f5es internas dos fen\u00f3menos mentais (Perea, Ladera &amp; Echeand\u00eda, 2001, cit. in Maia, Loureiro, Silva, Pato, Correia, Carvalho, Oliveira, Viegas, Amaral, Azevedo, Marques, Pombo, Branco &amp; Pita, 2003; Bartolom\u00e9, Fernand\u00e9z &amp; Ajamil, 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquadramento Epistemol\u00f3gico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar das defini\u00e7\u00f5es que j\u00e1 foram facultadas, \u00e9 necess\u00e1rio remontar \u00e0 antiguidade da Neuropsicologia para que se possa compreender como foi evoluindo at\u00e9 aos tempos atuais e que autores contribu\u00edram para o seu desenvolvimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabia-se que os antigos eg\u00edpcios utilizavam a palavra \u201cc\u00e9rebro\u201d e que come\u00e7avam a entender algumas no\u00e7\u00f5es face \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre o c\u00e9rebro e as fun\u00e7\u00f5es motoras (M\u00e4der, 1996).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c\u00e9rebro era considerado por Hip\u00f3crates como o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelas emo\u00e7\u00f5es e sentimentos, sendo que o mesmo j\u00e1 demonstrava interesse pela rela\u00e7\u00e3o entre altera\u00e7\u00f5es da linguagem e do lado direito do corpo (M\u00e4der, 1996).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, Plat\u00e3o defendia que tal como o cora\u00e7\u00e3o era respons\u00e1vel pelas vontades e emo\u00e7\u00f5es e o baixo ventre pelo desejo,<\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o c\u00e9rebro era a estrutura que era respons\u00e1vel pela raz\u00e3o ( Kolb &amp; Whishaw, 1986 cit in Toni, Romanelli &amp; Salvo, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A teoria apelidada de \u201cAlma Partida\u201d foi substitu\u00edda pela Teoria Ventricular que defendia que os ventr\u00edculos eram considerados como a sede dos humores. Um dos principais percursores desta teoria foi Galeno, baseada na perce\u00e7\u00e3o de que os m\u00fasculos moviam-se em fun\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o do l\u00edquido enc\u00e9falo-raquidiano (Toni, Romanelli &amp; Salvo, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo XVI, Vesalius deitou a baixo a teoria apresentada anteriormente ao defender que a dimens\u00e3o do espa\u00e7o ventricular do ser humano era semelhante \u00e0 estrutura do mesmo nos primatas, portanto, demonstrou que os sentidos n\u00e3o podiam estar nos ventr\u00edculos (Toni, Romanelli &amp; Salvo, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no s\u00e9culo XVII, Descartes defendeu que a gl\u00e2ndula pineal (M\u00e4der, 1996), conhecida nos dias de hoje por ep\u00edfise, situada na regi\u00e3o superior do dienc\u00e9falo e sobre os col\u00edculos superiores do mesenc\u00e9falo, era a estrutura respons\u00e1vel pelo armazenamento da alma (Toni, Romanelli &amp; Salvo, 2005). Descartes para justificar a sua teoria argumentou que a gl\u00e2ndula pineal proporcionava a conex\u00e3o entre o corpo e a alma, por se encontrar pr\u00f3xima dos ventr\u00edculos (Toni, Romanelli &amp; Salvo, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com M\u00e4der (1996), a rela\u00e7\u00e3o entre as fun\u00e7\u00f5es cerebrais e o comportamento sofreu uma evolu\u00e7\u00e3o importante no s\u00e9culo que se seguiu com a cria\u00e7\u00e3o da cranioscopia que foi elaborada por Gall (cit. in Toni, Romanelli &amp; Salvo, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo assim, os avan\u00e7os que ocorreram durante o s\u00e9culo XVIII proporcionaram a Teoria Localizacionista, onde se encontra a ideia de que o c\u00e9rebro funciona de forma fragmentada. Logo, cada regi\u00e3o cerebral \u00e9 respons\u00e1vel por uma fun\u00e7\u00e3o que \u00e9 espec\u00edfica do organismo, da mente e at\u00e9 do comportamento (Toni, Romanelli &amp; Salvo, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante salientar que a perspetiva de Gall distinguiu-se completamente do pensamento dualista que era vigente, que separava totalmente a biologia da mente. Portanto sustentou que o c\u00e9rebro era composto por muitas estruturas cerebrais especializadas em termos de fun\u00e7\u00f5es, ou seja, em formas de atividade mental (Toni, Romanelli &amp; Salvo, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto a perspetiva Holista considerava o c\u00e9rebro como o substrato da conduta, sendo deste modo, respons\u00e1vel por todo o comportamento, a Teoria Localizacionista defendia a especificidade das diversas \u00e1reas cerebrais. Assim, Paul Broca concedeu um dos maiores contributos para a Neuropsicologia, ao indicar a \u00e1rea espec\u00edfica associada \u00e0 pr\u00e9-programa\u00e7\u00e3o da fala. Esta ficou designada por \u00c1rea de Broca, localiza-se no ter\u00e7o posterior do giro frontal temporal esquerdo e desempenha um papel fundamental no processamento ou produ\u00e7\u00e3o da linguagem falada (Pinheiro, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do contributo de Broca referido anteriormente, ele tamb\u00e9m argumentou que o hemisf\u00e9rio esquerdo comandava a linguagem a partir da seguinte cita\u00e7\u00e3o <em>\u201cnous parlons avec l\u00b4h\u00e9misph\u00e8re gaush\u201d<\/em> (Walsh, 1994 cit. in Pinheiro, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wernicke, em 1874, associou uma \u00e1rea cerebral especifica \u00e0 compreens\u00e3o do pr\u00f3prio discurso da pessoa e dos discursos de quem comunica com ele. A \u00c1rea de Wernicke situa-se no ter\u00e7o posterior do giro temporal superior esquerdo e \u00e9 respons\u00e1vel pelo conhecimento, interpreta\u00e7\u00e3o e associa\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es (Lent, 2001 cit. in Pinheiro, 2005). Estes estudos fizeram com que houvesse a realiza\u00e7\u00e3o de uma profunda investiga\u00e7\u00e3o que se baseava na conce\u00e7\u00e3o de que formas complexas de atividade mental eram estimuladas por \u00e1reas cerebrais especificas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meio do s\u00e9culo XIX, Camillo Golgi e Santiago Ram\u00f3n y Cajal analisaram o tecido neuronal detalhadamente, sendo que Ramon y Cajal utilizou uma t\u00e9cnica de colora\u00e7\u00e3o histol\u00f3gica, desenvolvida pelo Golgi. No entanto, ambos chegaram a conclus\u00f5es muito diferentes, uma vez que o primeiro solicitou que o c\u00e9rebro poderia ser tratado com uma solu\u00e7\u00e3o de cromato de prata, e que o tecido nervoso era um ret\u00edculo cont\u00ednuo, composto por in\u00fameras c\u00e9lulas nervosas interligadas, enquanto Ramon y Cajal concluiu que o Sistema Nervoso era constitu\u00eddo por neur\u00f3nios distintos e polarizados que comunicam entre si atrav\u00e9s de liga\u00e7\u00f5es cerebrais designadas Sinapses (Pinheiro, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas hip\u00f3teses conservaram-se por v\u00e1rias d\u00e9cadas e s\u00f3 foram ultrapassadas pelo surgimento do microsc\u00f3pico e de outras t\u00e9cnicas de registo de sinais el\u00e9tricos dos neur\u00f3nios (Lent, 2001 cit. in Pinheiro, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, Luria tamb\u00e9m foi um autor que contribuiu muito para a evolu\u00e7\u00e3o da Neuropsicologia enquanto ci\u00eancia, pois optou por investigar a rela\u00e7\u00e3o que existe entre as fun\u00e7\u00f5es mentais superiores e os mecanismos cerebrais. Tamb\u00e9m foi ele que fortaleceu a ideia de que o Sistema Nervoso funciona como um todo e que o meio ambiente \u00e9 muito importante para a conduta humana. Para Luria, estas fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas s\u00e3o o resultado da evolu\u00e7\u00e3o constante e possuem uma estrutura que \u00e9 muito complexa, sendo constantemente sujeita a modifica\u00e7\u00f5es (Pinheiro, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Luria \u201c<em>toda a actividade mental humana \u00e9 um sistema funcional complexo, efectuado por meio de uma combina\u00e7\u00e3o de estruturas cerebrais, funcionando em concreto e cada uma destas, d\u00e3o a sua contribui\u00e7\u00e3o particular para o sistema funcional como um todo\u201d<\/em> (Luria, 1981, p.23, cit. in Pinheiro, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Pinheiro (2005), o c\u00e9rebro luriano era constitu\u00eddo por tr\u00eas unidades funcionais b\u00e1sicas e cada uma delas presenteia um pequeno contributo para toda e qualquer atividade mental. Cada uma delas exp\u00f5e uma estrutura hierarquizada, a qual \u00e9 formada por pelo menos tr\u00eas zonas corticais constru\u00eddas umas sobre as outras. Relativamente \u00e0s propriedades funcionais da primeira unidade b\u00e1sica, ela \u00e9 respons\u00e1vel pela regula\u00e7\u00e3o do c\u00f3rtex cerebral; a segunda tem a fun\u00e7\u00e3o de receber, analisar e armazenar informa\u00e7\u00e3o e integra as regi\u00f5es visuais (do lobo occipital), as auditivas (do lobo temporal) e as sensoriais (do lobo parietal) e ainda o c\u00f3rtex cerebral. Por \u00faltimo, a terceira unidade funcional \u00e9 respons\u00e1vel pela prepara\u00e7\u00e3o de programas de conduta, respondendo \u00e0 sua realiza\u00e7\u00e3o e controlo da sua execu\u00e7\u00e3o (referente \u00e0s regi\u00f5es anteriores, frontais ou pr\u00e9-frontais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da segunda metade do s\u00e9culo XX, a Neuropsicologia<\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">afirmou-se efetivamente enquanto uma \u00e1rea de estudo e embora a linguagem tenha sido o termo mais estudado, houve outros temas que tamb\u00e9m t\u00eam sido alvo de interesse, tais como a aten\u00e7\u00e3o, a perce\u00e7\u00e3o auditiva e visual e ainda a mem\u00f3ria (Pinheiro, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A neuropsicologia anterior \u00e0 apari\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas de neuro imagem utilizava a prova, anatomopatol\u00f3gica <em>post mortem<\/em>, mas tinha um grande inconveniente, pois estes estudos n\u00e3o se realizavam at\u00e9 ao falecimento do paciente, isto podia acontecer semanas, meses ou anos depois, pelo que se podia durante este per\u00edodo ou durante o per\u00edodo imediato \u00e1 morte, trocas nas les\u00f5es originais de quando o estudo comportamental foi levado a cabo (Junqu\u00e9 &amp; Barroso, 2000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Atualmente, a Neuropsicologia integra as \u00e1reas das ci\u00eancias humanas e as \u00e1reas vinculadas \u00e0 Biologia, proporcionando uma an\u00e1lise melhor de altera\u00e7\u00f5es cerebrais e ainda de mudan\u00e7as ocorridas nos processos psicol\u00f3gicos (Pinheiro, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica efetuada e o surgimento de m\u00e9todos cient\u00edficos, tal como as t\u00e9cnicas de observa\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro, levaram \u00e0 conce\u00e7\u00e3o de que as \u00e1reas cerebrais n\u00e3o funcionam de forma isolada, mas sim interagindo mutuamente, coordenando as a\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e fisiol\u00f3gicas num \u00fanico comportamento humano (Pinheiro, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gazzaniga, Ivry &amp; Mangum (1998, cit. in Maia, 2007), sustentavam que a avalia\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es cognitivas teve um grande impacto no estudo das perturba\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Objeto e m\u00e9todos de estudo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Neuropsicologia abrange a avalia\u00e7\u00e3o dos processos mentais humanos, como a aten\u00e7\u00e3o, aprendizagem, perce\u00e7\u00e3o e cogni\u00e7\u00e3o, assim como o estudo da rela\u00e7\u00e3o entre as fun\u00e7\u00f5es cerebrais e o comportamento humano (Luria, 1973; Richard, 1995 cit. in Maia et al., 2003). Deste modo, verifica-se que o objeto de estudo da Neuropsicologia baseia-se nas les\u00f5es cerebrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A investiga\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica utiliza tr\u00eas m\u00e9todos fundamentais, cada um dos quais disp\u00f5e de diversas t\u00e9cnicas e procedimentos: o m\u00e9todo Lesional, o m\u00e9todo Instrumental e o m\u00e9todo Funcional (Junqu\u00e9 &amp; Barroso, 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme Junqu\u00e9 &amp; Barroso (2001), no primeiro m\u00e9todo, ou seja, no m\u00e9todo Lesional controlam-se vari\u00e1veis que controlam diretamente o funcionamento cerebral. Ajustam-se a este m\u00e9todo as t\u00e9cnicas de an\u00e1lise de les\u00f5es (post mortem e in vivo), e as t\u00e9cnicas de inativa\u00e7\u00e3o cerebrais transit\u00f3rios (estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica cerebral e anestesia cerebral regional). \u00c9 o m\u00e9todo utilizado atrav\u00e9s das les\u00f5es cerebrais como vari\u00e1vel independente que o experimentador deve manipular para estudar o seu efeito sobre determinada fun\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica. As t\u00e9cnicas mais empregadas neste m\u00e9todo s\u00e3o a Tomografia Computorizada por raio X e a Resson\u00e2ncia Magn\u00e9tica. Com estas t\u00e9cnicas \u00e9 poss\u00edvel descrever que estruturas est\u00e3o danificadas e medir o valor relativo ou absoluto do volume do tecido afetado. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m se pode observar a presen\u00e7a de tumores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As t\u00e9cnicas post mortem t\u00eam o inconveniente de serem apenas examin\u00e1veis ap\u00f3s o falecimento do sujeito, o que pode acontecer meses ou anos ap\u00f3s o aparecimento da les\u00e3o, deste modo, quando se chegasse a observar essa les\u00e3o o c\u00e9rebro j\u00e1 teria sofrido altera\u00e7\u00f5es. Mas tamb\u00e9m foi por causa desta t\u00e9cnica que pela primeira vez, se soube que a linguagem humana, na maior parte dos sujeitos, estava representada no hemisf\u00e9rio esquerdo (Junqu\u00e9 &amp; Barroso, 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A t\u00e9cnica da inativa\u00e7\u00e3o cerebral consiste na estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica e anestesia cerebral. A estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica \u00e9 utilizada, habitualmente, numa interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, esta t\u00e9cnica vai permitir a contra\u00e7\u00e3o muscular e, como consequ\u00eancia, o movimento do corpo correspondente. A anestesia cerebral conhecida como a t\u00e9cnica de wada, consiste numa inje\u00e7\u00e3o de barbet\u00fario na art\u00e9ria car\u00f3tida interna para anestesiar provisoriamente um hemisf\u00e9rio cerebral (Junqu\u00e9 &amp; Barroso, 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Junqu\u00e9 &amp; Barroso (2001), no m\u00e9todo instrumental manipulam-se vari\u00e1veis que afetam indiretamente o funcionamento cerebral mediante a instrumenta\u00e7\u00e3o adequada. As t\u00e9cnicas utilizadas neste m\u00e9todo s\u00e3o a divis\u00e3o sensorial, ou seja, campos visuais separados, a audi\u00e7\u00e3o dic\u00f3tia e a palpa\u00e7\u00e3o dih\u00e1ptica. As t\u00e9cnicas de divis\u00e3o sensorial partem da rutura que existe nas vias sensoriais e manuseiam a informa\u00e7\u00e3o de acordo com a instrumenta\u00e7\u00e3o adequada para que chegue ao c\u00e9rebro de forma distinta. J\u00e1 a audi\u00e7\u00e3o dic\u00f3tica consiste na apresenta\u00e7\u00e3o de dois est\u00edmulos auditivos, um em cada ouvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No m\u00e9todo Funcional, assinalam-se mudan\u00e7as da atividade cerebral induzidas mediante o controlo de vari\u00e1veis comportamentais. Este m\u00e9todo consiste num agrupado de t\u00e9cnicas de registo da atividade cerebral e que poder\u00e3o ser eletromagn\u00e9ticas e metab\u00f3licas. As primeiras podem ser a eletroencefalografia (EEG) e os potenciais evocados. A eletroencefalografia \u00e9 utilizada para pesquisar padr\u00f5es de atividade el\u00e9trica do c\u00e9rebro. Aqui pode-se encontrar uma desvantagem, que \u00e9 o facto de ser unicamente sens\u00edvel para a ativa\u00e7\u00e3o el\u00e9trica de um grande n\u00famero de neur\u00f3nios. Enquanto os potenciais evocados (ERPS) podem ser muito fieis e esta t\u00e9cnica consiste na mudan\u00e7a no padr\u00e3o da atividade el\u00e9trica cerebral em resposta a um est\u00edmulo externo que poder\u00e1 ser registado por meio de el\u00e9trodos dispostos sobre o couro cabeludo (Junqu\u00e9 &amp; Barroso, 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Determinadas les\u00f5es que s\u00e3o muito espec\u00edficas produzem-se raramente, o que faz com que o estudo de casos seja de not\u00e1vel interesse em neuropsicologia, embora \u00e0s vezes a replica\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno, condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel em todo o estudo cient\u00edfico, n\u00e3o podem levar-se a cabo v\u00e1rios anos depois da primeira observa\u00e7\u00e3o (Junqu\u00e9 &amp; Barroso, 2000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As t\u00e9cnicas funcionais metab\u00f3licas permitem que tenhamos a imagem do metabolismo cerebral, temos ent\u00e3o a tomografia por emiss\u00e3o de positr\u00f5es (PET), que consiste numa inje\u00e7\u00e3o intravenosa que oferece imagens da atividade cerebral em vez da estrutura do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Junqu\u00e9 &amp; Barroso (2000), \u00e9 evidente que nem todos os pacientes que anualmente ingressam nos servi\u00e7os de neurologia e neurocirurgia de um hospital cumpram os requisitos necess\u00e1rios para ser candidatos de uma investiga\u00e7\u00e3o neuropsicologia concreta e assim por diversos<\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">motivos. Em primeiro lugar, podem apresentar les\u00f5es em \u00e1reas cerebrais que n\u00e3o s\u00e3o de interesse para o estudo planeado, em segundo lugar podem apresentar complica\u00e7\u00f5es de outras patologias que podem atuar como vari\u00e1veis estranhas e que portanto se excluem do projeto e por \u00faltimo, podem ter caracter\u00edsticas demogr\u00e1ficas amostrais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 idade, sexo, n\u00edveis acad\u00e9micos, entre outros que permitam a sua inclus\u00e3o pela necessidade de controlar as vari\u00e1veis. Pode-se deduzir facilmente que s\u00f3 a partir de um grande n\u00famero de pacientes \u00e9 poss\u00edvel selecionar amostras de estudo com crit\u00e9rios exigentes para levar a cabo uma investiga\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rom\u00e1n (2004, cit. in Maia, 2007) refere que a neuropsicologia est\u00e1 a desdobrar-se em v\u00e1rias linhas de investiga\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o, como a neuropsicologia clinica, cognitiva, desenvolvimental, experimental, entre outras; cada uma com um corpo central de origem. O mesmo pode referir-se em rela\u00e7\u00e3o aos modelos de avalia\u00e7\u00e3o e de interven\u00e7\u00e3o reabilitativa ou at\u00e9 mesmo de estimula\u00e7\u00e3o cognitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Avalia\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A avalia\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica consente o estudo aprofundado de v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es cognitivas emocionais e comportamentais. Nesta linha, recorre-se a uma diversidade de testes e procedimentos estandardizados e com o intuito de delinear um diagn\u00f3stico, investigar ou apoiar o planeamento do processo de reabilita\u00e7\u00e3o. Assim sendo, a avalia\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica \u00e9 um componente essencial no diagn\u00f3stico e tratamento. Sendo a avalia\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica um processo no qual se recorre ao uso de testes estandardizados com a inten\u00e7\u00e3o de aceder a determinados processos psicol\u00f3gicos (constructos) como, por exemplo, a mem\u00f3ria, a aten\u00e7\u00e3o, a concentra\u00e7\u00e3o, as fun\u00e7\u00f5es executivas, entre outros (Maia, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este tipo de avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada uma avalia\u00e7\u00e3o compreensiva composta por uma vasta s\u00e9rie de processos (comportamentais, adaptativos e emocionais) que reflete a normalidade ou anormalidade do funcionamento cerebral (Maia, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Maia (2007), h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s, a avalia\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica centrava-se quase unicamente na identifica\u00e7\u00e3o e localiza\u00e7\u00e3o de les\u00f5es cerebrais focais. Contudo, Luria veio contestar estas conceptualiza\u00e7\u00f5es localizacionistas bem como as equipotencialistas defendendo que qualquer report\u00f3rio comportamental \u00e9 resultado da interdepend\u00eancia entre v\u00e1rias regi\u00f5es cerebrais, propondo desta forma o conceito de pluripotencialidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, a avalia\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica fundamenta-se na localiza\u00e7\u00e3o din\u00e2mica de fun\u00e7\u00f5es tendo como objetivo a investiga\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es corticais superiores como por exemplo a aten\u00e7\u00e3o e a linguagem (Maia, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A avalia\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica \u00e9 recomendada em qualquer caso onde exista suspeita de uma dificuldade cognitiva ou comportamental de origem neurol\u00f3gica, dado que pode auxiliar no diagn\u00f3stico e tratamento de diversas patologias neurol\u00f3gicas, problemas de desenvolvimento infantil, comprometimentos psiqui\u00e1tricos, altera\u00e7\u00f5es de comportamento entre outros (Maia, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Torna-se fundamental referir a import\u00e2ncia e a aplicabilidade deste tipo de avalia\u00e7\u00e3o no contexto infantil, na medida em que, a contribui\u00e7\u00e3o deste exame na crian\u00e7a \u00e9 extensiva ao processo de ensino \u2013 aprendizagem, pois permite-nos estabelecer algumas rela\u00e7\u00f5es entre as fun\u00e7\u00f5es mentais superiores e a aprendizagem simb\u00f3lica (Maia, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, autores como Bergquist &amp; Malec mencionam que a avalia\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica tem um passado relativamente recente, no entanto, \u00e9 importante na medida em que tem demonstrado um papel fundamental como m\u00e9todo de diagn\u00f3stico na identifica\u00e7\u00e3o de les\u00f5es ou altera\u00e7\u00f5es cerebrais. Outros autores refor\u00e7am esta ideia salientando que este tipo de avalia\u00e7\u00e3o desempenha um papel fulcral n\u00e3o s\u00f3 na formula\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico como tamb\u00e9m em toda a interven\u00e7\u00e3o terap\u00eautica espec\u00edfica para cada subtipo de manifesta\u00e7\u00f5es clinicas (Maia, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reabilita\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reabilita\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica caracteriza-se por se tratar de um processo ativo, cujo objetivo \u00e9 capacitar as pessoas portadoras de d\u00e9fices cognitivos causados por les\u00e3o ou doen\u00e7a, para que estas possam obter um bom n\u00edvel de funcionamento social, f\u00edsico e ps\u00edquico (Maia, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta linha de pensamento, a reabilita\u00e7\u00e3o procura maximizar as fun\u00e7\u00f5es cognitivas atrav\u00e9s do bem-estar psicol\u00f3gico, da funcionalidade na realiza\u00e7\u00e3o das atividades da vida di\u00e1ria (AVD\u2019s) e do relacionamento social. Procura ainda a diminui\u00e7\u00e3o dos d\u00e9fices que implicam afastamento e isolamento social, depend\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o (\u00c1vila, 2003 cit. in Maia, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reabilita\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica trata-se de um tratamento biopsicossocial que atinge os pacientes e os seus familiares tendo em considera\u00e7\u00e3o as altera\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e cognitivas dos pacientes, o ambiente em que vivem, os fatores subjetivos, entre outros (\u00c1vila &amp; Miotto, 2002 cit. in Maia, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fundamento cient\u00edfico da reabilita\u00e7\u00e3o assenta na plasticidade neuronal, sendo esta uma capacidade do c\u00e9rebro de regenera\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o da sua morfologia. Desta forma, o conhecimento dos mecanismos de plasticidade sin\u00e1ptica e de recupera\u00e7\u00e3o funcional direciona a formula\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios b\u00e1sicos e modelos de reabilita\u00e7\u00e3o, ao passo que, o conhecimento dos fatores de progn\u00f3sticos permite a sua aplica\u00e7\u00e3o racional. Partindo do conhecimento dos mecanismos de recupera\u00e7\u00e3o funcional ap\u00f3s les\u00f5es cerebrais, Zangwill definiu os tr\u00eas princ\u00edpios (ainda v\u00e1lidos) da reabilita\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica: restitui\u00e7\u00e3o, substitui\u00e7\u00e3o e compensa\u00e7\u00e3o (Hasse &amp; Lacerda, 2003 cit. in Maia, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A substitui\u00e7\u00e3o funcional relaciona-se com o princ\u00edpio de Kennard, que sugere que, quanto mais precoce for a les\u00e3o maior ser\u00e1 a probabilidade de recupera\u00e7\u00e3o funcional. O princ\u00edpio de substitui\u00e7\u00e3o comportamental ou funcional consiste em executar o mesmo comportamento recorrendo a outros meios (garra para apanhar objetos a que o paciente n\u00e3o chega muito bem, por exemplo). A restitui\u00e7\u00e3o funcional ap\u00f3s les\u00f5es cerebrais \u00e9 poss\u00edvel quando estas les\u00f5es s\u00e3o parciais ou circunscritas; as tentativas de restitui\u00e7\u00e3o funcional baseiam-se na prescri\u00e7\u00e3o de treinos funcionais espec\u00edficos com v\u00e1rios graus de complexidade (Hasse<\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&amp; Lacerda, 2003 cit. in Maia, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos preconizadores do desenvolvimento de compensa\u00e7\u00f5es sob a forma de uma reorganiza\u00e7\u00e3o funcional foi Luria (1973), que desenvolveu o princ\u00edpio de an\u00e1lise de sistemas funcionais. Este autor afirmava que cada comportamento ou atividade mental complexa pressup\u00f5e a organiza\u00e7\u00e3o de um sistema funcional integrando v\u00e1rias \u00e1reas em diversos n\u00edveis do neuro eixo; e cada parte deste sistema funcional complexo desempenha uma fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Assim sendo, atrav\u00e9s de uma an\u00e1lise de uma s\u00edndrome complexo nos seus componentes funcionais possibilita a identifica\u00e7\u00e3o do componente ou elemento afetado, direcionando ent\u00e3o o planeamento dos exerc\u00edcios de reabilita\u00e7\u00e3o (Maia, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento de programas neuropsicol\u00f3gicos foca-se numa reabilita\u00e7\u00e3o cognitiva; a natureza e a severidade do \u201c<em>handicaps<\/em>\u201d cognitivo n\u00e3o dependem apenas da extens\u00e3o e natureza da les\u00e3o cerebral ou defici\u00eancia org\u00e2nica, tamb\u00e9m \u00e9 determinado pelas caracter\u00edsticas da personalidade, pelas rea\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas do paciente, pelo ambiente do paciente e por fim pelas suas pr\u00f3prias expectativas (Maia, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Posto isto, a reabilita\u00e7\u00e3o cognitiva nunca \u00e9 simples da\u00ed a necessidade de ensinar ao paciente, familiares e\/ou cuidadores estrat\u00e9gias para lidar de forma eficaz com as suas dificuldades cognitivas no seu dia-a-dia (estrat\u00e9gias compensat\u00f3rias) e organiza\u00e7\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de respostas, propiciando melhorias nas rela\u00e7\u00f5es das fun\u00e7\u00f5es cognitivas (Maia, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme Haase &amp; Lacerda (2003, cit. in Maia, 2007), algumas estrat\u00e9gias de compensa\u00e7\u00e3o s\u00e3o desenvolvidas de forma natural por parte do paciente ou da sua fam\u00edlia, podendo ser aperfei\u00e7oadas partindo de sugest\u00f5es do terapeuta. Frequentemente, o uso de compensa\u00e7\u00f5es imp\u00f5e um treino muito intenso bem como uma boa capacidade de disciplina e planeamento por parte do paciente e da sua fam\u00edlia. Um pr\u00e9-requisito crucial para a implementa\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00f5es \u00e9 a capacidade de<em> insight<\/em> sobre a pr\u00f3pria incapacidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em jeito de conclus\u00e3o e de acordo com Sohlberg &amp; Mateer (1989, cit. in Maia, 2007), existem alguns princ\u00edpios gerais da reabilita\u00e7\u00e3o cognitiva:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>As fun\u00e7\u00f5es cognitivas comprometidas s\u00e3o identificadas a partir do exame neuropsicol\u00f3gico;<\/li>\n<li>Um modelo teoricamente embasado define o processo cognitivo que vai ser treinado;<\/li>\n<li>As tarefas terap\u00eauticas s\u00e3o exercitadas repetitivamente;<\/li>\n<li>Os objetivos s\u00e3o hierarquicamente organizados;<\/li>\n<li>O processo de remediado \u00e9 individualizado, isto \u00e9, ajustado ao n\u00edvel de performance do individuo;<\/li>\n<li>O uso de tarefas \u201cpara casa\u201d e testes de generaliza\u00e7\u00e3o permite verificar a aplica\u00e7\u00e3o das melhorias de desempenho na vida quotidiana;<\/li>\n<li>As medidas de sucesso ou fracasso relacionam-se com a capacidade de vida independente e reabilita\u00e7\u00e3o profissional.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qualidade de vida e sa\u00fade mental<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar de sa\u00fade sem referir a sa\u00fade mental. Uma pessoa saud\u00e1vel deve poder pensar de forma clara, ser capaz de lidar com os problemas do quotidiano, poder apreciar a qualidade das boas rela\u00e7\u00f5es com os pares e familiares. Deve igualmente sentir-se bem do ponto de vista espiritual e contribuir, de certa forma, para o bem-estar dos seus concidad\u00e3os (Quartilho, 2010 cit. in Braga, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se fala em sa\u00fade mental, menciona-se uma parte integrante do conceito geral de sa\u00fade, ou seja, um estado de completo bem-estar f\u00edsico, mental e social, e n\u00e3o somente a aus\u00eancia de doen\u00e7a ou enfermidade (Quartilho, 2010 cit. in Braga, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se trata de algo mais do que a aus\u00eancia de doen\u00e7a mental, \u00e9 como um elemento positivo, um recurso com valor intr\u00ednseco, um bem importante para sa\u00fade f\u00edsica bem como para a Qualidade de Vida (QV), um fundamento universal de bem-estar individual e uma condi\u00e7\u00e3o fundamental ao funcionamento adequado das pessoas da comunidade, independentemente de fatores geogr\u00e1ficos ou culturais (Quartilho, 2010 cit. in Braga, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verifica-se, geralmente uma tend\u00eancia para percecionar a sa\u00fade mental como um atributo individual, de acordo com uma orienta\u00e7\u00e3o que concede prioridade a fatores psicol\u00f3gicos proximais, e desvaloriza a import\u00e2ncia de outros aspetos quer sociais quer estruturais. Contudo, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, o rendimento salarial, o estatuto educacional e a qualidade das rela\u00e7\u00f5es interpessoais, s\u00e3o fatores que tamb\u00e9m s\u00e3o fulcrais a uma sa\u00fade mental positiva (Quartilho, 2010 cit. in Braga, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma sa\u00fade mental positiva aparece, desta forma, associada ao conceito de Qualidade de Vida. Este \u00faltimo alcan\u00e7ou uma crescente import\u00e2ncia no mundo contempor\u00e2neo e em diversas vertentes, tendo despertado o interesse da comunidade cient\u00edfica e tamb\u00e9m da comunidade em geral (Pereira, 2007 cit. in Braga, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Panzini, Rocha, Bandeira e Fleck (2007), n\u00e3o existe unanimidade na literatura face ao conceito de QV e opini\u00e3o de Fallowfield (1990), este conceito adota diferentes significados em diferentes \u00e9pocas e contextos (Pedro, 2007 cit. in Braga, 2011). Segundo a defini\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), o conceito de qualidade de vida corresponde \u00e0 \u2015<em>perce\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo sobre a sua posi\u00e7\u00e3o no contexto da cultura e do sistema de valores em que vive, relativamente aos seus objetivos, expectativas, padr\u00f5es e preocupa\u00e7\u00f5es pessoais.<\/em> (WHOQOL Group, 1994, cit. in Braga, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por Soares (2006, p. 49), a QV \u2015<em>\u00e9 entendida como um ju\u00edzo subjetivo do grau de satisfa\u00e7\u00e3o e bem-estar pessoal, associado a indicadores objetivos biol\u00f3gicos, psicol\u00f3gicos e comportamentais, mas que traduzam a perce\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios doentes\u201d<\/em>. Ou seja, resume-se a um estado de sa\u00fade percecionado pelas pr\u00f3prias pessoas relativo \u00e0s dimens\u00f5es biol\u00f3gica, psicol\u00f3gica e social (Soares, 2006 cit. in Braga, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, Opara, Jaracz &amp; Brola (2010) definiram QV como um constructo multidimensional que abarca pelo menos tr\u00eas dom\u00ednios: f\u00edsico, psicol\u00f3gico e social. Atualmente sabe-se que, pessoas com doen\u00e7as cr\u00f3nicas t\u00eam uma incid\u00eancia muito mais elevada de depress\u00e3o e ansiedade comparativamente com a popula\u00e7\u00e3o em geral. A depress\u00e3o em pessoas com condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas cr\u00f3nicas aumenta a preval\u00eancia de problemas f\u00edsicos e sintomas<\/p>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">som\u00e1ticos, provocando, um aumento da incapacidade funcional e dos custos m\u00e9dicos. Isto afeta bastante o seu desempenho, causando perdas a n\u00edvel de emprego e redu\u00e7\u00e3o das horas laborais (Word Federation for Mental Health, 2010 cit. in Braga, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consideramos que a pesquisa bibliogr\u00e1fica realizada para a concretiza\u00e7\u00e3o deste documento veio contribuir para uma percep\u00e7\u00e3o mais realista do mundo complexo que gira \u00e0 volta das fun\u00e7\u00f5es cerebrais e do comportamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquando a realiza\u00e7\u00e3o deste trabalho, depar\u00e1mo-nos com uma s\u00e9rie de desafios que tent\u00e1mos ultrapassar com \u00eaxito, visto que quando come\u00e7\u00e1mos a elaborar o trabalho ainda n\u00e3o se tinha grande familiaridade com alguns dos conceitos envolvidos nesta tem\u00e1tica e o facto de algumas refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas se encontrarem num idioma que n\u00e3o o portugu\u00eas. J\u00e1 se sabia de antem\u00e3o que este trabalho n\u00e3o seria f\u00e1cil, mas sim que seria \u00fatil e imprescind\u00edvel para a pr\u00e1tica como futuros psic\u00f3logos, independentemente da \u00e1rea a seguir. Sendo essa previs\u00e3o comprovada com \u00eaxito!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de tudo o que j\u00e1 foi abordado \u00e9 de constatar que a hist\u00f3ria evolutiva da Neuropsicologia remonta a alguns s\u00e9culos atr\u00e1s, em que os eg\u00edpcios j\u00e1 falavam na palavra <em>c\u00e9rebro<\/em>, no entanto, tem evolu\u00eddo muito enquanto ci\u00eancia at\u00e9 aos dias de hoje em que a sua defini\u00e7\u00e3o passou a integrar v\u00e1rias ci\u00eancias (por exemplo: a Neurologia e a Psicologia) e um vasto conjunto de descobertas muito importantes para a Ci\u00eancia em geral e n\u00e3o apenas para a Neuropsicologia em espec\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partindo da Bibliografia dispon\u00edvel, consideramos tamb\u00e9m que o essencial foi abordado, al\u00e9m de haver muita informa\u00e7\u00e3o pertinente dentro destes temas; e acreditamos por\u00e9m, ter conseguido atingir o objetivo inicialmente proposto, isto \u00e9, enquadrar a Neuropsicologia no campo das Neuroci\u00eancias, ao definir o seu objeto de estudo bem como o papel do neuropsic\u00f3logo. Todavia, devido \u00e0 import\u00e2ncia da quest\u00e3o, pensamos que se trata de um tema sobre o qual os especialistas se devam continuar a debru\u00e7ar e a realizar estudos mais aprofundados, na possibilidade de conhecermos melhor as bases biol\u00f3gicas dos comportamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bartolom\u00e9, M. V. P., Fern\u00e1ndez, V. L. &amp; Ajamil, C. E. (2001). <em>Neuropsicologia: Libro de trabajo<\/em>. 2\u00aa ed. Salamanca: Am\u00e1ru Ediciones.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Benton, A. (2000). <em>Exploring the history of Neuropsychology<\/em>. New York: Oxford Press.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Braga M.N.F. (2011). <em>Qualidade de vida e Sa\u00fade Mental em Portadores de Esclerose M\u00faltipla.<\/em> Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Psicologia Clinica e da Sa\u00fade, Universidade da Beira Interior, Covilh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hebben, N. &amp; Milberg, W. (2002). <em>Essentials of Neuropsychological assessment.<\/em> Canada: Alan S. &amp; Naseen L. Kaufman, Series editors.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junqu\u00e9, C., &amp; Barroso, J. (2000). <em>Neuropsicolog\u00eda.<\/em> madrid: Sintesis Editorial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junqu\u00e9, C. &amp; Barroso, J. (2001). <em>Neuropsicolog\u00eda<\/em>. Madrid<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kristensen, C., Almeida, R. &amp; Gomes, W. (2001). Desenvolvimento hist\u00f3rico e fundamentos metodol\u00f3gicos da Neuropsicologia Cognitiva. Psicologia: Reflex\u00e3o e Cr\u00edtica, 14 (2), pp.259-274. <em>Revista de la Universidad Federal do Rio Grande do Sul.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e4der, M. J. (1996). Avalia\u00e7\u00e3o Neuropsicol\u00f3gica: Aspectos hist\u00f3ricos e situa\u00e7\u00e3o actual, vol.16, n.3, pp.12-18. <em>Psicologia: Ci\u00eancia e Profiss\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maia, L. A. (2007). <em>Manual Pr\u00e1tico de Avalia\u00e7\u00e3o &amp; Interven\u00e7\u00e3o Neuropsicol\u00f3gica<\/em>. \u00c9dipos Prometaicos: Covilh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maia, L., Loureiro, M., Silva, C. F., Pato, A. V., Correira, C., Carvalho, C., Gaspar, C., Oliveira, H., Viegas, J. Amaral, M., Azevedo, M., Marques, M., Pombo, P., Branco, R. &amp; Pita, T. (2003). Avalia\u00e7\u00e3o Neuropsicol\u00f3gica da Bateria de Avalia\u00e7\u00e3o Neuropsicol\u00f3gica de Luria Nebraska: a sua introdu\u00e7\u00e3o em Portugal \u2013 Descri\u00e7\u00e3o do Instrumento e dois Estudos de caso. <em>Psiquiatria Cl\u00ednica<\/em>, 24 (2), 91-106.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pinheiro, M. (2005). <em>Aspectos hist\u00f3ricos da Neuropsicologia: subs\u00eddios para a forma\u00e7\u00e3o de educadores<\/em>, n.25, pp.175-196. Educar: Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Thiers, V., Argimon, I., &amp; Nascimento, R. (s.d.). Neuropsicologia: a express\u00e3o comportamental dos processos mentais. <em>O portal dos psic\u00f3logos<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toni, P. M., Romanelli, E. J. &amp; Salvo, C. G. (2005). A evolu\u00e7\u00e3o da Neuropsicologia: da antiguidade aos tempos modernos. <em>Psicologia Argumento, Curitiba<\/em>, 23, 41, 47-55.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neuropsicologia: Estado actual Resumo: No presente texto procuraremos apresentar uma s\u00famula de temas como a Neuropsicologia, a sua evolu\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o, bem como focaremos a nossa aten\u00e7\u00e3o na grande distin\u00e7\u00e3o que se faz entre avalia\u00e7\u00e3o e reabilita\u00e7\u00e3o neuropsicol\u00f3gica.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[164,188],"tags":[6887,1567],"class_list":["post-36151","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-neurologia","category-psicologia","tag-estado-actual","tag-neuropsicologia","no-featured-image-padding"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- 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