{"id":64372,"date":"2021-10-21T09:40:39","date_gmt":"2021-10-21T07:40:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/?p=64372"},"modified":"2025-04-10T16:23:15","modified_gmt":"2025-04-10T14:23:15","slug":"historia-da-enfermagem-no-mundo-e-em-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/historia-da-enfermagem-no-mundo-e-em-angola\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Enfermagem no mundo e em Angola"},"content":{"rendered":"<p><strong>Hist\u00f3ria da Enfermagem no mundo e em Angola<\/strong><\/p>\n<p>Autora principal: Dra. Aimara Larduet Torres<\/p>\n<p>Vol. XVI; n\u00ba 20; 970<!--more--><\/p>\n<p><strong>History of Nursing in the world and in Angola<\/strong><\/p>\n<p>Fecha de recepci\u00f3n: 30\/05\/2021<\/p>\n<p>Fecha de aceptaci\u00f3n: 20\/10\/2021<\/p>\n<p>Incluido en Revista Electr\u00f3nica de PortalesMedicos.com Volumen XVI. N\u00famero 20 \u2013\u00a0 Segunda quincena de Octubre de 2021 &#8211; P\u00e1gina inicial: Vol. XVI; n\u00ba 20; 970<\/p>\n<p>Autores: Dra. Aimara Larduet Torres. Dra Maribel Riveri Larduet.<\/p>\n<p>Dr.Orlando Justo Chipindo. Dr Mamady Bakary Kaba. Dra.Beatriz Malesso Kanguelenga. Dra Anelis Blanco Alvarez<\/p>\n<p>RESUMO<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong>: A hist\u00f3ria da enfermagem \u00e9 uma \u00e1rea interdisciplinar situada entre duas \u00e1reas de conhecimento: a enfermagem e a hist\u00f3ria<\/p>\n<p><strong>Objetivos<\/strong> Analisar a origem e evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3ria da enfermagem no contexto internacional e nacional.<\/p>\n<p><strong>M\u00e9todo:<\/strong> Foi realizada uma pesquisa bibliogr\u00e1fica, onde foram inclu\u00eddos na revis\u00e3o artigos indexados nas bases eletr\u00f4nicas, National Library of Medicine, Estados Unidos (MEDLINE), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ci\u00eancias da Sa\u00fade (LILACS), ScientificEletronic Library Online (SCIELO), com a utiliza\u00e7\u00e3o do descritor \u00abHist\u00f3ria da Enfermagem\u00bb, sendo encontrados 312 artigos relacionados ao tema.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o:<\/strong> A enfermagem \u00e9 uma profiss\u00e3o que surgiu empiricamente e se desenvolveu, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, em estreita rela\u00e7\u00e3o com a hist\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o, mas que nem sempre acompanhou o desenvolvimento no campo cient\u00edfico.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong>\u00a0Enfermagem; Hist\u00f3ria da Enfermagem;<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Enfermagem \u00e9 a arte de cuidar e a ci\u00eancia cuja ess\u00eancia e especificidade \u00e9 a assist\u00eancia\/cuidado ao ser humano,individualmente,na fam\u00edlia,ou em comunidade,de modo integral e hol\u00edstico.<\/p>\n<p>A Enfermagem surgiu antes mesmo de Cristo \u2013 ainda que \u00e0 \u00e9poca n\u00e3o tivesse esse nome t\u00e9cnico. Sua origem aponta para o trabalho de homens e mulheres abnegados que cuidavam do bem-estar dos enfermos, tentando garantir a eles uma situa\u00e7\u00e3o digna, de sa\u00fade b\u00e1sica e de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Entre os s\u00e9culos V e VIII d.C, por exemplo, alguns princ\u00edpios da Enfermagem eram aplicados pelos detentores da f\u00e9. No caso, os sacerdotes. Em raz\u00e3o dessas cren\u00e7as os sacerdotes ou feiticeiras acumulavam fun\u00e7\u00f5es de m\u00e9dicos e enfermeiros, pois eram respons\u00e1veis pelo tratamento dos doentes. O tratamento consistia em aplacar as divindades, afastando os maus esp\u00edritos por meio de sacrif\u00edcios.<\/p>\n<p>As medidas terap\u00eauticas adotadas eram: massagens, banho de \u00e1gua fria ou quente, purgativos, subst\u00e2ncias provocadoras de n\u00e1useas. Mais tarde os sacerdotes adquiriram conhecimentos sobre plantas medicinais e passaram a ensinar pessoas, delegando-lhes fun\u00e7\u00f5es de enfermeiros e farmac\u00eauticos.<\/p>\n<p>Documento do s\u00e9culo VI A.C. relatam conhecimento dos hindus sobre anatomia e farmacologia: ligamentos, m\u00fasculos, nervos, plexos, vasos linf\u00e1ticos, ant\u00eddotos para alguns tipos de envenenamento e o processo digestivo. Os hindus tornaram-se conhecidos pela constru\u00e7\u00e3o de hospitais.<sup>1,2<\/sup><\/p>\n<p>As doen\u00e7as eram consideradas castigo. Mois\u00e9s, o grande legislador do povo hebreu, deixa relatos de no\u00e7\u00f5es de higiene e exame do doente: diagn\u00f3stico, desinfec\u00e7\u00e3o, afastamento de objetos contaminados e leis sobre o sepultamento de cad\u00e1veres para que n\u00e3o contaminassem a terra.<\/p>\n<p>Mais tarde, por volta do s\u00e9culo XVI, a atividade era vista, na Europa, como uma profiss\u00e3o que j\u00e1 come\u00e7ava a se institucionalizar, principalmente a partir da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial.<\/p>\n<p>Corresponde ao per\u00edodo que vai do final do s\u00e9culo XIII ao in\u00edcio do s\u00e9culo XVI A retomada da ci\u00eancia, o progresso social e intelectual da Renascen\u00e7a e a evolu\u00e7\u00e3o das universidades n\u00e3o constitu\u00edram fator de crescimento para a Enfermagem. Enclausurada nos hospitais religiosos, permaneceu emp\u00edrica e desarticulada durante muito tempo, piorando sua situa\u00e7\u00e3o a partir dos movimentos de Reforma Religiosa e das conturba\u00e7\u00f5es da Santa Inquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O hospital, j\u00e1 negligenciado, passa a ser um insalubre dep\u00f3sito de doentes, onde homens, mulheres e crian\u00e7as coabitam as mesmas depend\u00eancias, amontoados em leitos coletivos. Esta fase tempestuosa, que significou uma grave crise para a Enfermagem, permanece por muito tempo e apenas no limiar da revolu\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 que alguns movimentos reformadores, que partiram principalmente de iniciativas religiosas e sociais, tentam melhorar as condi\u00e7\u00f5es do pessoal a servi\u00e7o dos hospitais. <sup>3,4<\/sup><\/p>\n<p><strong>Enfermagem Moderna<\/strong><\/p>\n<p>Nasce com o capitalismo no s\u00e9culo XVIII, que conjuntamente com a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial muda a concep\u00e7\u00e3o do processo doen\u00e7a sa\u00fade, fazendo com que os cuidados enfermagem passassem a ser necess\u00e1rios para manter os cidad\u00e3os saud\u00e1veis, dinamizar a produ\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia m\u00e9dica dos ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o da Medicina vem favorecer a reorganiza\u00e7\u00e3o dos hospitais. \u00c9 na reorganiza\u00e7\u00e3o da Institui\u00e7\u00e3o Hospitalar e no posicionamento do m\u00e9dico como principal respons\u00e1vel por esta reordena\u00e7\u00e3o, que vamos encontrar os reflexos na Enfermagem, ao ressurgir da fase sombria em que esteve submersa at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>A enfermagem nos hospitais expandiu somente no final do s\u00e9culo XIX. Por outro lado, a enfermagem na comunidade n\u00e3o aumentou significativamente at\u00e9 1893 quando Lillian Wald e Mary Brewster criaram a Henry Street Settlement, a qual come\u00e7ou como uma empresa de enfermagem domiciliaria, esta institui\u00e7\u00e3o cedo publicitou a sua vis\u00e3o de enfermagem e atividades com ela relacionadas. Enfocava as necessidades de sa\u00fade das pessoas que viviam nas casas de c\u00f3modos na cidade de Nova York.<\/p>\n<p>No entanto, foi somente no s\u00e9culo XIX, na Era Moderna, que ela, de fato, ganhou notoriedade com a figura de uma mulher incr\u00edve, corajosa, impetuosa, de uma mente brilhante e que possu\u00eda tenacidade de prop\u00f3sitos como caracter\u00edstica particular.<sup>5<\/sup><\/p>\n<p><strong>\u00a0Florence Nightingale<\/strong>\u00a0foi um marco para a Enfermagem mundial. Nasceu em 1820, em Floren\u00e7a, e \u00e9 considerada, por todos, como a m\u00e3e da Enfermagem moderna no mundo. Realizou fa\u00e7anhas marcantes, especialmente por ser mulher em uma realidade bem diferente da atual.<\/p>\n<p>Em uma viagem ao Egito para conhecer hospitais, Florence sentiu despertar em si uma voca\u00e7\u00e3o para ser enfermeira.<\/p>\n<p>Paix\u00e3o essa pela profiss\u00e3o de cuidar dos outros que s\u00f3 aumentou depois dela visitar, em 1846, o Hospital de Kaiserswerth, local fundado e administrado por freiras alem\u00e3s. De volta \u00e0 Inglaterra, Florence foi indicada para trabalhar em um hospital de caridade da regi\u00e3o, Atendendo feridos das batalhas no Campo de Scutari, Florence Nightingale e uma equipe de 38 enfermeiras volunt\u00e1rias treinadas por ela conseguiram baixar o \u00edndice de mortalidade de 40% para menos de 5%.Florence e suas colegas s\u00e3o consideradas hero\u00ednas de guerra e a enfermeira l\u00edder recebe o apelido carinhoso de \u201cDama da L\u00e2mpada\u201d.<\/p>\n<p>Embora respons\u00e1vel pelo atendimento durante a guerra, a colabora\u00e7\u00e3o de Florence para a Enfermagem n\u00e3o se encerra a\u00ed. Foi ent\u00e3o que, em 1860, fundou a Escola de Enfermagem do Hospital Saint Thomas, em Londres. L\u00e1, era promovido um curso com dura\u00e7\u00e3o de um ano, coordenado por uma enfermeira e com aulas te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas ministradas por m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Todo o esfor\u00e7o e a dedica\u00e7\u00e3o de Florence Nightingale foram reconhecidos pela Rainha Vit\u00f3ria que, em 1883, concedeu \u00e0 enfermeira a Cruz Vermelha Real. Florence Nightingale se tornou, ent\u00e3o, a primeira mulher a receber tamanha honraria. At\u00e9 hoje o Dia Internacional da Enfermagem \u00e9 comemorado em 12 de maio, anivers\u00e1rio de Florence.<\/p>\n<p>Florence foi considerada a primeira teorista, a primeira fil\u00f3sofa em enfermagem e a primeira enfermeira epidemiologista. Ficou cega aos 81 anos. Aos 87 anos, recebeu a honraria dom\u00e9rito do rei Eduardo VII. Em 13 de agosto de 1910, aos 90 anos, morreu em Londres, enquanto dormia.<sup>6,7<\/sup><\/p>\n<p>A palavra Enfermeira\/o se comp\u00f5e de duas palavras do latim: \u201cnutrix\u201d, que significa M\u00e3e, e do verbo \u201cnutrire\u201d, que tem como significados criar e nutrir. Essas duas palavras, adaptadas ao ingl\u00eas do s\u00e9culo XIX, acabaram se transformando na palavra NURSE que, traduzida para o portugu\u00eas, significa Enfermeira.M\u00e3e, e do verbo \u201cnutrire\u201d, que tem como significados criar e nutrir. Essas duas<\/p>\n<p>Conforme os escritos de Florence, a enfermagem \u201cdeveria significar o uso apropriado de ar fresco, luz, aquecimento, limpeza, sil\u00eancio e dieta adequadamente escolhida e administrada \u2014 tudo com o menor gasto de energia vital do paciente\u201d. Segundo a autora, cabia a enfermagem \u201ccolocar o paciente na melhor condi\u00e7\u00e3o para que a natureza aja sobre ele\u201d. Manifestava tamb\u00e9m que a enfermagem era uma arte, um processo reparador. <sup>7<\/sup><\/p>\n<p>No conceito de enfermagem apresentado por Florence foram encontradas as defini\u00e7\u00f5es de Ser humano, Ambiente e Sa\u00fade. O ser humano \u00e9 definido em rela\u00e7\u00e3o ao seu ambiente e ao impacto desse ambiente sobre ele. O ambiente \u00e9 enfocado considerando-se a ventila\u00e7\u00e3o, o aquecimento, o ru\u00eddo, a luz e a limpeza. Tudo que circunda os seres humanos \u00e9 considerado em rela\u00e7\u00e3o ao seu estado de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades que as pioneiras da Enfermagem tiveram que enfrentar, devido \u00e0 incompreens\u00e3o dos valores necess\u00e1rios ao desempenho da profiss\u00e3o, as escolas se espalharam pelo mundo, a partir da Inglaterra. Nos Estados Unidos a primeira Escola foi criada em 1873. Em 1877 as primeiras enfermeiras diplomadas come\u00e7am a prestar servi\u00e7os a domic\u00edlio em New York.<\/p>\n<p>O\u00a0ano 2020 foi institu\u00eddo pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade(OMS) e Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade(OPAS), como o ano internacional da Enfermagem e Obstetr\u00edcia. Um marco que, aliado ao momento de pandemia do novo coronav\u00edrus pelo mundo, mostra a import\u00e2ncia desses profissionais de sa\u00fade.<sup>8,9<\/sup><\/p>\n<p>N\u00e3o foi \u00e0 toa que se instituiu este ano para esta celebra\u00e7\u00e3o, mas por duas raz\u00f5es: o mundo precisa de mais de 9 milh\u00f5es de enfermeiras(os) e obstetrizes para atingir a meta de cobertura universal de sa\u00fade at\u00e9 2030. E pelo 200\u00ba anivers\u00e1rio de nascimento da Florence Nightingale \u2013 a fundadora da enfermagem moderna. Escrevo esse texto no dia internacional da Enfermagem (12 de maio), com um hist\u00f3rico racial, para que pensemos enfermeiras negras, que n\u00e3o s\u00e3o reconhecidas nas aulas de hist\u00f3ria da enfermagem ou que no nosso dia-a-dia s\u00e3o negligenciadas devido seu estere\u00f3tipo racial.<\/p>\n<p>A enfermagem \u00e9 conhecida como a arte do cuidar. E vamos trazer o hist\u00f3rico de mulheres negras tiradas for\u00e7adamente da \u00c1frica para o mundo, sendo submetidas \u00e0 escraviza\u00e7\u00e3o e cuidado \u00e0 todas as pessoas da sociedade colonial. No contexto da escraviza\u00e7\u00e3o nota-se que essas mulheres negras muitas vezes eram impedidas de cuidar de outras pessoas escravizadas e familiares, pois o cuidado exercido por estas mulheres negras no per\u00edodo colonial tinha como fun\u00e7\u00e3o social a servid\u00e3o escravocrata. As mulheres negras prestavam o cuidado como negras dom\u00e9sticas, m\u00e3es pretas, parteiras, enfermeiras e amas-de-leite.<sup>10<\/sup><\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria da Enfermagem no Angola<\/strong><\/p>\n<p>Angola foi ocupada pelos portugueses no s\u00e9culo XV, mais propriamente em 1482 com a chegada do navegador \u00a0Diogo C\u00e3o, no ent\u00e3o Santo Ant\u00f3nio do Zaire, atual Prov\u00edncia do Zaire, no munic\u00edpio do Soyo. Estes trouxeram mission\u00e1rios que aprenderam atrav\u00e9s da religi\u00e3o cat\u00f3lica sensibilizar o Rei do Congo se converter para o catolicismo. Desta forma, o Rei foi batizado, passando a ser denominado de Dom Afonso. A partir da\u00ed, o ent\u00e3o Dom Afonso assina um Acordo com Portugal iniciando assim o com\u00e9rcio de escravos e a invas\u00e3o dos outros reinos que constituem o mosaico do territ\u00f3rio da Rep\u00fablica de Angola, em troca de especiarias e com\u00e9rcio de escravos.<sup>13<\/sup><\/p>\n<p>Na Rep\u00fablica de Angola, verifica-se que nos per\u00edodos em refer\u00eancia se tratava passivamente a enfermagem como uma profiss\u00e3o subalterna, assumir o enfermeiro licenciado era um mito para outros profissionais.<\/p>\n<p>Antigamente, a educa\u00e7\u00e3o ou forma\u00e7\u00e3o profissional de car\u00e1ter meramente assistencial, era reservada para as classes sociais menos favorecidas. A heran\u00e7a da era colonial de mais de cinco s\u00e9culos de escravid\u00e3o, em Angola, ajudaram a refor\u00e7ar essa distin\u00e7\u00e3o, marcando um forte preconceito social os que executavam trabalhos manuais.<\/p>\n<p>Entretanto, quase excluiu o Curso de Auxiliar de Enfermagem do sistema de ensino, apesar de existir desde a d\u00e9cada de 1940.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a d\u00e9cada de 1960, e com a influ\u00eancia do taylorismo, a pr\u00e1tica de enfermagem rege-se por crit\u00e9rio de efic\u00e1cia, seguran\u00e7a e conforto, que v\u00e3o modificar a presta\u00e7\u00e3o dos cuidados, dando-se grande \u00eanfase \u00e0 t\u00e9cnica em detrimento da rela\u00e7\u00e3o Enfermeiro\/paciente.<\/p>\n<p>O processo de Independ\u00eancia, em 1975, n\u00e3o se desenvolveu de forma adequada, tendo desencadeado um maci\u00e7o abandono do pa\u00eds, de t\u00e9cnicos formados nas escolas de enfermagem, durante a administra\u00e7\u00e3o colonial. Para evitar a referida fuga de quadros, ap\u00f3s o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o. O governo, angolano garantiu, progressivamente, o postulado no seu programa de a\u00e7\u00e3o, segundo o qual se deveria trabalhar no sentido de aperfei\u00e7oar o sistema nacional de sa\u00fade, e ensino com especial aten\u00e7\u00e3o a preven\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade dirigida fundamentalmente ao combate \u00e0s endemias e doen\u00e7as transmiss\u00edveis.<sup>13,14<\/sup><\/p>\n<p>Assim as condi\u00e7\u00f5es de atendimento prec\u00e1rias, sendo ainda mais agravante essa situa\u00e7\u00e3o com concentra\u00e7\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es nas grandes cidades, principalmente as dos litoral, e concomitantemente, com a instala\u00e7\u00e3o da pandemia do HIV\/SIDA, al\u00e9m de endemias da mal\u00e1ria, da tuberculose, tripanossomiase, culminado recentemente com a febre hemorr\u00e1gica.Diante destes relatos, podemos perceber que a Enfermagem foi ao longo dos tempos praticada por indiv\u00edduos despojados de bases cient\u00edficas suficiente para torna-los not\u00e1veis e aut\u00f3nomos como qualquer outro profissional, como por exemplo o medico, o Juiz, entre outros.<\/p>\n<p>O ano de 1883 data a constru\u00e7\u00e3o da primeira Escola de Forma\u00e7\u00e3o de Auxiliares, Atendentes e Pr\u00e1ticos de Enfermagem junto ao Hospital Josina Machel em Luanda, Em Angola esta realidade era ainda pior porque se praticava a medicina curativa numa vis\u00e3o biom\u00e9dica, al\u00e9m da discrimina\u00e7\u00e3o e superioridade biol\u00f3gica que os colonos supunham possuir.<\/p>\n<p>Em 1967 foi inaugurada a Escola de Enfermagem dos Servi\u00e7os de Sa\u00fade e Assist\u00eancia em Luanda para forma\u00e7\u00e3o de Auxiliares e T\u00e9cnicos de Enfermagem, com uma vis\u00e3o um pouco mais dignificada atendendo os movimentos nacionalistas que se moviam na \u00c1frica para autodetermina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1970, o Governo portugu\u00eas cria no Distrito de Malanje, Concelho do Cota, a Escola de forma\u00e7\u00e3o dos Agentes Sanit\u00e1rios de Assist\u00eancia Rural, (ASAR), e neste per\u00edodo em Angola os servi\u00e7os de sa\u00fade e assist\u00eancia social intensificaram a vacina\u00e7\u00e3o dos aut\u00f3ctones contra a febre amarela, var\u00edola e rastreio de tripanossom\u00edases e Lepra<\/p>\n<p>No ano de 1975, Angola torna-se uma Na\u00e7\u00e3o independente e em dezembro do mesmo ano cria-se o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade por meio do Decreto Lei N\u00ba 9\/75 de 10 de dezembro no Di\u00e1rio da Rep\u00fablica I.<\/p>\n<p>A forte e ativa atua\u00e7\u00e3o do governo angolano ap\u00f3s 11 de novembro de 1975 (sua Independ\u00eancia). Cria-se a Lei N\u00ba 9\/75 de 10 de dezembro que institucionaliza tamb\u00e9m o Curso de T\u00e9cnico B\u00e1sico de Enfermagem. \u00c0 semelhan\u00e7a de outras profiss\u00f5es, \u00e9 criado tamb\u00e9m o Curso M\u00e9dio de Enfermagem em 1982 atrav\u00e9s do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o-MED, na escola denominada de Instituto M\u00e9dio de Sa\u00fade-IMS, localizada na prov\u00edncia de Bi\u00e9.Anos depois se multiplicou rapidamente a forma\u00e7\u00e3o de cursos de n\u00edvel m\u00e9dio, contudo, a carreira de enfermagem s\u00f3 foi criada e aprovada apenas em 1997.<sup>14<\/sup><\/p>\n<p>Em 2002, o Instituto Superior de Enfermagem, principal institui\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o de docentes para as Escolas T\u00e9cnicas profissionais de sa\u00fade, passa a integrar a Universidade Agostinho Neto como unidade org\u00e2nica, cuja autonomia foi confirmada no 1o Senado Universit\u00e1rio, realizado em Cabinda de 2 a 3 de Junho de 2003.<\/p>\n<p>No ano de 2004, nos dias 24 e 25 de junho realizou-se a Reuni\u00e3o Nacional com as chefias de enfermagem dos hospitais centrais, gerais e centros de sa\u00fade com objetivo de clarificar as fun\u00e7\u00f5es e os papeis dos estratos da classe de enfermagem.A organiza\u00e7\u00e3o deste evento ficou a cargo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, da Ordem dos Enfermeiros &#8211; ORDENFA e da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Enfermeiros de Angola &#8211; ANEA.<\/p>\n<p>A Ordem dos Enfermeiros de Angola \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o socio-profissional de inscri\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria para os Licenciados e Bachar\u00e9is em Enfermagem, dotada de personalidade jur\u00eddica e administrativa.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o t\u00eam dado o seu contributo no \u00e2mbito da forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e cient\u00edfica,formando profissionais com atitude respons\u00e1vel,eticamente comprometidos como saber ser, saber fazere saber estar.<sup>15<\/sup><\/p>\n<p>Deve-se direccionar a forma\u00e7\u00e3o de profissionais de enfermagem no sentido de serem capazes de atender \u00e0s necessidades de toda uma sociedade. Para isso, torna-se indispens\u00e1vel uma tomada de consci\u00eancia e um comprometimento efectivo da categoriana busca de solu\u00e7\u00f5es para os problemas, levando-se em considera\u00e7\u00e3o quest\u00f5es mais amplas, como a sa\u00fade preventiva.<\/p>\n<p>Em Angola,os enfermeiros t\u00eam desempenhado ao longo de d\u00e9cadas um papel \u00edmpar a cuidar da sa\u00fade das pessoas,geralmente em condi\u00e7\u00f5es muito adversas.E,cada vez mais,o enfermeiro assume um papel decisivo e proactivo na identifica\u00e7\u00e3o das necessidades do cuidado da popula\u00e7\u00e3o, bem como na promo\u00e7\u00e3o e protec\u00e7\u00e3o da sa\u00fade dosindiv\u00edduos em suas diferentes dimens\u00f5es.<sup>15,16<\/sup><\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/p>\n<p>A enfermagem como profiss\u00e3o surgiu do desenvolvimento e evolu\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas de sa\u00fade no decorrer dos per\u00edodos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>A Enfermagem \u00e9 uma profiss\u00e3o que tem mostrado compromisso com a colectivida de a sa\u00fade do ser humano, participando com dignidade, compet\u00eancia,humildade e responsabilidade dos processos a ela relacionados.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o hoje vivenciada na profiss\u00e3o enfermagem dar\u00e1 origem a novos paradigmas e a novos modelos assistenciais neste terceiro mil\u00eanio.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliograficas<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Chuaqui-Kettlun J, Bettancourt-Ortega L, LealRom\u00e1n V, Aguirre-Gonz\u00e1lez C. La identidad profesional de la enfermer\u00eda: un an\u00e1lisis cualitativo de la enfermer\u00eda en Valpara\u00edso (1933-2010). 2014 mar [citado 2021 Feb 21]; 14(1): 53-66. Disponible en: http:\/\/ www.scielo.org.co\/scialo.php?pid=S1657- 59972014000100006&amp;script=sci_ abstract&amp;tlng=es<\/li>\n<li>N\u00fa\u00f1ez E, Urra E, Pavez A. Identidad e institucionalidad de las enfermeras chilenas en la mitad del siglo XX. Cienc enferm 2016 abr[citado\u00a0 2021 Feb 21]; 22(1): 135-45. Disponible en: https:\/\/scielo.conicyt.cl\/pdf\/cienf\/ v22n1\/art_12.pdf<\/li>\n<li>Dur\u00e1n DVMM. Una mirada hacia afuera: proyecci\u00f3n de enfermer\u00eda para el 2050. Aquich\u00e1n [Internet]. 2018 Ene [citado 2021 Feb 21]; 18(1): 5-8. Disponible en: http:\/\/www.scielo.org.co\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1657-59972018000100005&amp;lng=e<\/li>\n<li>Borges L. et al. Reflex\u00f5es sobre enfermagem p\u00f3s-florence. Min. Enf.2018 [citado 2021 Feb 21], 4(1\/2):77-82, jan\/dez. Disponible en: https:\/\/cdn.publisher.gn1.link\/reme.org.br\/pdf\/v4n1a15.pdf<\/li>\n<li>Barreira IA, Baptista SS. O movimento de reconsidera\u00e7\u00e3o do ensino e da pesquisa em Hist\u00f3ria da Enfermagem. Rev Bras Enferm. 2017[citado 2021 Feb 21],56(6):702-6. Disponible en: https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0034-71672003000600024.<\/li>\n<li>Padilha MICS, Borenstein MS. O m\u00e9todo de pesquisa hist\u00f3rica em enfermagem. Texto Contexto-Enferm. 2015; 14(4):575-84.<\/li>\n<li>Geovanini, T. et al. Hist\u00f3ria da enfermagem: vers\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es. Rio de Janeiro:Revinter , 2017.<\/li>\n<li>World Health Organization. State of the world\u2019s nursing 2020: investing in education, jobs and leadership. Geneva: WHO; 2020.<\/li>\n<li>Organizaci\u00f3n Panamericana de la Salud. Ampliaci\u00f3n del rol de las enfermeras y enfermeros en la atenci\u00f3n primaria de salud. Washington, D.C.: OPS; 2018.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"10\">\n<li>PNUD, (2009), \u00abRelat\u00f3rio Desenvolvimento Humano\u201d, PNUD\/\u00c1frica, 2009\/2010, mil\u00eanio.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"11\">\n<li>Queza, A. J. Tese de Mestrado Integrado em Medicina. Sistema Nacional de Sa\u00fade em Angola: uma Proposta da Reforma do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade de Portugal Pag.9.15. 2010<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"12\">\n<li>Lewenson SB, McAllister A. Cap 1. Learning the Historical Method: Step by Step. En: De Chesnay M, editor. Nursing Research using Historical Methods: Qualitative Designs and Methods in Nursing [Internet]. New York (US): Springer Publishing Company; 2015[citado 2021 Feb 21], p. 1-21. Disponible en: http:\/\/http.48653.nexcesscdn.net\/80223CF\/springer-<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"13\">\n<li>M. S. Regionaliza\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os de Sa\u00fade. Desafios para Angola. 2010.<\/li>\n<li>Tiago J. A forma\u00e7\u00e3o de Auxiliares e T\u00e9cnicos de Enfermagem nos per\u00edodos Colonial e P\u00f3s-Independ\u00eancia: um estudo dos egressos da Escola T\u00e9cnica Profissional de Sa\u00fade de Luanda \u2013 Angola. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Sa\u00fade P\u00fablica. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica S\u00e9rgio Arouca, Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz; 2011.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"15\">\n<li>Forma\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade \u201cNovo Sistema\u201d\/Documento de Trabalho, MED\/Ensino Profissional &#8211; MINSA\/DNRH. Luanda, 2007c.<\/li>\n<li>Wermelinger MC et al. A forma\u00e7\u00e3o do t\u00e9cnico em enfermagem: perfil de qualifica\u00e7\u00e3o. Ci\u00eanc. sa\u00fade coletiva, Rio de Janeiro,2020 [citado\u00a0 2021 Feb 21] v. 25, n. 1, p. 67-78, jan. Dispon\u00edvel em:http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-81232020000100067&amp;lng=en&amp;nrm=iso<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria da Enfermagem no mundo e em Angola Autora principal: Dra. 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