{"id":67001,"date":"2012-08-28T12:06:05","date_gmt":"2012-08-28T10:06:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/?p=67001"},"modified":"2022-04-01T11:13:11","modified_gmt":"2022-04-01T09:13:11","slug":"obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/","title":{"rendered":"Obesidade e psicopatologia. Um estudo de caso \u2013 controlo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\"><strong>Obesidade e psicopatologia. Um estudo de caso \u2013 controlo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">O estudo das diferen\u00e7as no que respeita \u00e0 auto \u2013 estima e ao auto \u2013 conceito em mulheres obesas, comparativamente com mulheres normativas tem sido incentivado. Procur\u00e1mos investigar a exist\u00eancia de indicadores de maior incid\u00eancia de depress\u00e3o e de sintomas psicopatol\u00f3gicos&#8230;<\/span><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">Luis Maia \u2013 Professor Auxiliar da Universidade da Beira Interior<br \/>\nAna Filipa Carneiro \u2013 Mestre em Psicologia e Psic\u00f3loga Hospitalar<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resumo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo das diferen\u00e7as no que respeita \u00e0 auto \u2013 estima e ao auto \u2013 conceito em mulheres obesas, comparativamente com mulheres normativas tem sido incentivado. Procur\u00e1mos investigar a exist\u00eancia de indicadores de maior incid\u00eancia de depress\u00e3o e de sintomas psicopatol\u00f3gicos em mulheres obesas relativamente a mulheres normativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram avaliadas 32 mulheres obesas e 32 mulheres normativas, emparelhadas por idade (\u00b1 3 anos) e escolaridade (\u00b1 3 anos), utilizando-se para tal Question\u00e1rio S\u00f3cio-Demogr\u00e1fico, o Invent\u00e1rio de Avalia\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica da Depress\u00e3o (IACLIDE) (Vaz-Serra, 1993), a Escala de Auto \u2013 Estima de Coopersmith (Coopersmith, 1989), a SCL-90 (Derogatis, 1975) e o Invent\u00e1rio Cl\u00ednico do Auto \u2013 Conceito (ICAC) (Vaz-Serra, 1985).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os resultados sugerem que a popula\u00e7\u00e3o obesa apresenta valores indicadores de maior incid\u00eancia de sintomatologia depressiva e valores indicadores de um n\u00edvel mais prejudicial de auto-conceito. Por sua vez, a popula\u00e7\u00e3o normativa apresentou valores indicadores de melhor auto-estima, bem como menor sintomatologia psicopatol\u00f3gica em todos os factores da SCL-90.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Discute-se assim a urg\u00eancia de a popula\u00e7\u00e3o obesa necessitar de recorrer a ajuda m\u00e9dica e psicol\u00f3gica no sentido de melhorar a sua sa\u00fade f\u00edsica e psicol\u00f3gica e posteriormente a sua qualidade de vida enquanto a popula\u00e7\u00e3o normativa deve tentar prevenir a incid\u00eancia da obesidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Palavras-Chave: obesidade, auto-estima, auto-conceito, depress\u00e3o e sintomas psicopatol\u00f3gicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obesity and psychopathology. A case control study.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abstract<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">The study of differences in regards to self-esteem and self-concept in obese women, compared with normative women has been encouraged. We have tried to investigate the existence of indicators of greater incidence of depression and psychopathological symptoms in obese women when compared with normative women.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">We assessed 32 women and 32 obese women regulations, matched for age (\u00b1 3 years) and education (\u00b1 3 years) and evaluated through a Socio-Demographic Questionnaire, the Inventory of Clinical Assessment of Depression (IACLIDE) (Vaz-Serra, 1993), Coopersmith Self Esteem Scale (Coopersmith, 1989), the SCL-90 (Derogatis, 1975) and the Clinical Inventory of Self &#8211; Concept (ICAC) (Vaz Serra, 1985).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">The results suggest that the obese population presents indicators of a higher incidence of depressive symptomatology and indicators of negative self-concept. In turn, the normative population presented better self-esteem, as well as smaller symptomatology in all factors of two-dimensional model SCL-90.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">We discusses the urgency of the obese population need to seek for medical and psychological help to improve their physical and psychological health and its quality of life while the normative population must try to prevent the incidence of obesity.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Keywords: obesity, self-esteem, self-concept, depression and psychopathological symptoms.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contextualiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obesidade: Historicamente o aumento de peso e o acumulo de gordura, foram vistos como sinais de sa\u00fade e prosperidade (Almeida, Loureiro &amp; Santos, 2002). Actualmente a obesidade \u00e9 considerada uma doen\u00e7a cr\u00f3nica em crian\u00e7as, adolescentes e adultos (WHO, 1997 cit in Almeida, Loureiro &amp; Santos, 2002), estando presente em pa\u00edses desenvolvidos ou n\u00e3o, n\u00e3o se limitando a uma regi\u00e3o grupo racial\/\u00e9tnico, estatuto social etc., sendo hoje um fen\u00f3meno mundial (Bernardi, Cichelero &amp; Vitolo, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abraham, Carrol, Najjar and Fulwood (1983) distinguem peso excessivo (peso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 altura) e obesidade (um excesso de gordura corporal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 chamada massa magra corporal. Por conseguinte, a correla\u00e7\u00e3o da obesidade com o peso n\u00e3o \u00e9 constante, podendo um excesso de peso n\u00e3o significar obesidade e vice-versa (Abraham et al., 1983; Sjostrom, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obesidade \u00e9 uma doen\u00e7a psicossom\u00e1tica, cr\u00f3nica, com causas gen\u00e9ticos, neuroend\u00f3crinas, metab\u00f3licas, diet\u00e9ticas, ambientais, sociais, familiares e psicol\u00f3gicas (Felippe &amp; Santos, 2004), atingindo principalmente a popula\u00e7\u00e3o dos 25 aos 44 anos (Francischi, Pereira &amp; Freitas, 2000).<br \/>\nNa tabela 1 apresentamos os intervalos do estado nutricional de acordo com o \u00edndice de massa corporal (IMC), sendo que o mesmo se calcula atrav\u00e9s da seguinte f\u00f3rmula: Peso (kg) \/ Altura2 (m) (Plataforma Contra a Obesidade da Direc\u00e7\u00e3o Geral da Sa\u00fade, 2010).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tabela 1: \u00cdndice de Massa Corporal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estado Nutricional &#8211; IMC (kg\/m2)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Magreza &#8211; &lt; 18.5<br \/>\nPeso Normal &#8211; 18.5 a 24.9<br \/>\nExcesso de Peso &#8211; 25.0 a 29.9<br \/>\nObesidade Grau I &#8211; 30.0 a 34.9<br \/>\nObesidade Grau II &#8211; 35.0 a 39.9<br \/>\nObesidade Grau III &#8211; &gt; 40<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retirado da Plataforma Contra a Obesidade da Direc\u00e7\u00e3o Geral da Sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta doen\u00e7a \u00e9 presentemente um dos maiores problemas de sa\u00fade das sociedades ocidentais, principalmente na Europa e Estados Unidos da Am\u00e9rica, associando-se a um aumento da preval\u00eancia da diabetes1-3, hipertens\u00e3o, dislipid\u00e9mia, hiperuric\u00e9mia, lit\u00edase da ves\u00edcula, insufici\u00eancia card\u00edaca, acidentes vasculares cerebrais, osteoartrite e cancro do endom\u00e9trio (Silva, Jorge, Domingues, Lacerda Nobre, Chambel and J\u00e1come de Castro, 2006; Kluther &amp; Schubert, 1985). O excesso de peso agrava algumas doen\u00e7as cr\u00f3nicas como a asma, hipertens\u00e3o e dislipid\u00e9mia, doen\u00e7a cardiovascular, doen\u00e7a respirat\u00f3ria e alguns cancros (Silva et al., 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m dos desequil\u00edbrios bioqu\u00edmicos e das doen\u00e7as f\u00edsicas, a sintomatologia e as perturba\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas bem como as dificuldades ao n\u00edvel da adapta\u00e7\u00e3o social t\u00eam contribu\u00eddo significativamente para a manifesta\u00e7\u00e3o da obesidade (Odgen, 2000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, segundo um estudo realizado no Sahlgrenska Hospital da Universidade de Goteborg, na Su\u00e9cia, constatou-se que os obesos apresentavam um estado de sa\u00fade debilitado e uma diminui\u00e7\u00e3o humor comparativamente com indiv\u00edduos normativos, sendo mais graves nas mulheres do que nos homens (Karlsson, Sjostrom &amp; Sullivan, 1993; Silva et al. 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Provavelmente devido ao facto de sentirem a discrimina\u00e7\u00e3o e os preconceitos na sua vida acad\u00e9mica, social e profissional de forma clara e directa desenvolvem mais facilmente problemas cl\u00ednicos e psiqui\u00e1tricos tais como depress\u00e3o (Goldsmith, Anger-Friedfeld, Beren, Boeck &amp; Aronne, 1992; Maddi, Khoshaba, Persico, Bleecker &amp; VanArsdall, 1997), transtornos ansiosos (incluindo agorafobia, fobia simples e transtorno de stress p\u00f3s-traum\u00e1tico), transtorno de personalidade boderline, abuso de \u00e1lcool, drogas, tabaco e transtornos alimentares (bulimia) (Cordas &amp; Ascencio, 2006; Dobrow, Kamenetz &amp; Devlin, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim a n\u00edvel psicol\u00f3gico a altera\u00e7\u00e3o da imagem corporal provocada pelo aumento de peso poder\u00e1 levar a uma desvaloriza\u00e7\u00e3o da auto-imagem e do auto-conceito, no obeso, diminuindo a sua auto-estima e auto-confian\u00e7a (Bernardi et al., 2005). Em consequ\u00eancia disto, poder\u00e3o surgir sintomas depressivos (Bernardi et al., 2005) e ansiosos, uma diminui\u00e7\u00e3o da sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar e um aumento da sensa\u00e7\u00e3o de inadequa\u00e7\u00e3o social, com uma consequente degrada\u00e7\u00e3o da performance relacional (Brownell &amp; Wadden, 1992).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No enquadramento social das sociedades actuais e modernas, a beleza f\u00edsica \u00e9 muito valorizada e surge intimamente ligada a um ideal de corpo magro, firme e esbelto (Silva et al. 2006; Felippe &amp; Santos, 2004; Cordas &amp; Ascencio, 2006). Tal panorama produz no obeso, uma press\u00e3o social inc\u00f3moda e uma sensa\u00e7\u00e3o de inadequa\u00e7\u00e3o e sentimentos de menos valia perante os padr\u00f5es sociais vigentes, que poder\u00e1 provocar dificuldades relacionais e, muitas vezes, um evitamento do contacto social e da realiza\u00e7\u00e3o de algumas tarefas quotidianas indispens\u00e1veis (Silva et al., 2006; Felippe &amp; Santos, 2004; Cordas &amp; Ascencio, 2006). Esta sensa\u00e7\u00e3o de inadequa\u00e7\u00e3o acompanhada de sentimentos de menos valia e de uma fuga ao social, veiculada pelo isolamento, est\u00e1 muitas vezes na origem de dificuldades relacionais, quer de car\u00e1cter s\u00f3cio-profissional, quer de car\u00e1cter familiar (Silva et al. 2006; Felippe &amp; Santos, 2004; Cordas &amp; Ascencio, 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Portugal, estima-se que 13,8% da popula\u00e7\u00e3o adulta apresenta obesidade (\u00edndice de massa corporal (IMC = kg\/m2) \u2265 30), enquanto 52,4% manifestam excesso de peso (IMC \u2265 25) (Nobre, Macedo &amp; Castro, 2003). Por sua vez e segundo os mesmos autores, na Europa, a preval\u00eancia da obesidade chega a afectar, em alguns pa\u00edses, 25% da popula\u00e7\u00e3o adulta enquanto nos EUA os valores s\u00e3o ainda mais elevados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">O aumento das taxas de obesidade \u00e9 traduzido com o aumento nos custos para o sistema de sa\u00fade devido a uma maior necessidade de atendimento especializado e \u00e0 incapacita\u00e7\u00e3o do doente (Pereira &amp; Mateus, 2003).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rios autores t\u00eam referido que a obesidade acarreta elevados custos econ\u00f3micos para a comunidade. Em Portugal, o custo directo da obesidade foi estimado em 297 milh\u00f5es de euros no ano de 2002, o que representa 2,5% da despesa total em sa\u00fade. Os custos indirectos foram estimados, no mesmo ano, em 199,8 milh\u00f5es de euros. A mortalidade prematura contribuiu com 58,4% deste valor e a morbilidade com 41,6%. Os resultados indicam-nos de que seria poss\u00edvel conceber poupan\u00e7as nos servi\u00e7os de sa\u00fade e ganhos na produtividade para a economia nacional usando estrat\u00e9gias eficazes de preven\u00e7\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o da obesidade (Pereira &amp; Mateus, 2003).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O reconhecimento da obesidade como problema de sa\u00fade p\u00fablica fez com que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade coloca-se em pr\u00e1tica uma s\u00e9rie de iniciativas nesta \u00e1rea, tais como o Programa Nacional de Combate \u00e0 Obesidade, criado em 2005 e integrado no Plano Nacional de Sa\u00fade 2004-2010, e a Plataforma contra a Obesidade, criada em 2007 a qual integra representantes de diversos minist\u00e9rios, do governo local e da sociedade civil (Pereira &amp; Mateus, 2003).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depress\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Portugal, calcula-se que, por ano, mais de 100 mil pessoas possam sofrer desta doen\u00e7a (valores relativos apenas \u00e0 Depress\u00e3o Major) (Paykel, 1991). Diversos estudos apontam para uma preval\u00eancia m\u00e9dia deste quadro cl\u00ednico, na popula\u00e7\u00e3o geral, \u00e0 volta dos 5%, afectando 3% dos homens e 6% das mulheres (Paykel, 1991). A preval\u00eancia pontual da Distimia, em adultos \u00e9 ligeiramente menor, situando-se por volta dos 3% (APA, 2002). Se nos focarmos apenas na presen\u00e7a de sintomas depressivos, a preval\u00eancia na popula\u00e7\u00e3o geral ascende de 13 a 23% (Boyd &amp; Weissman, 1982).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Efectivamente, a incid\u00eancia da depress\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 bastante significativa (Silva, 1993). Em 1993, estimava-se uma incid\u00eancia anual da Depress\u00e3o Major, na popula\u00e7\u00e3o mundial de 1% (Silva, 1993). Passados dez anos a literatura aponta para uma duplica\u00e7\u00e3o deste valor, ou seja, a taxa de incid\u00eancia a n\u00edvel mundial da Depress\u00e3o Major andar\u00e1 em torno de 2,1 novos casos por cada 100 habitantes, com mais de 15 anos de idade (Ramalheira, 2003).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, em 1981 os autores Boyd e Weissman (1982) indicaram uma probabilidade da popula\u00e7\u00e3o geral desenvolver uma depress\u00e3o ao longo da vida de 8 a 12% nos homens e de 20 a 26% nas mulheres, encontrando-se efectivamente uma propor\u00e7\u00e3o da sua preval\u00eancia, entre homens e mulheres, de 1 para 2, respectivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, e segundo Vaz Serra (2003) a \u201cdepress\u00e3o, quando se desenvolve, afecta a pessoa no seu todo. Tem repercuss\u00f5es psicol\u00f3gicas, biol\u00f3gicas e sociais sobre o indiv\u00edduo\u201d (Vaz Serra, 2003).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a teoria cognitiva da depress\u00e3o de Aaron Beck assente no modelo do processamento da informa\u00e7\u00e3o, a forma como um indiv\u00edduo interpreta um acontecimento determina o modo como lhe vai responder (Beck, 1963; Beck, Rush, Shaw &amp; Emery, 1979).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o processo cognitivo envolvido nessa interpreta\u00e7\u00e3o pertence a um grupo mais amplo de processos cognitivos, atrav\u00e9s dos quais cada pessoa estrutura, mentalmente, o mundo, existindo tr\u00eas processos cognitivos espec\u00edficos para explicar a etiologia da doen\u00e7a depressiva: a tr\u00edade cognitiva, os erros cognitivos e os esquemas cognitivos depressivog\u00e9nicos (Beck, 1963; Beck et al., 1979)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, aceitamos uma limita\u00e7\u00e3o deste modelo na explica\u00e7\u00e3o do quadro depressivo, que se refere ao facto de que, apesar das cogni\u00e7\u00f5es influenciarem o estado de humor, isso n\u00e3o implica que o pensamento negativo, por si s\u00f3, cause depress\u00e3o (Hawton et al., 1989) tendo que ser levado em conta outros factores, paciente a paciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Auto-Estima e Auto-Conceito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Auto-estima e o auto-conceito s\u00e3o dois constructos que se correlacionam, e que n\u00e3o t\u00eam um modelo te\u00f3rico de refer\u00eancia que apresente uma defini\u00e7\u00e3o clara e concisa acerca destes dois conceitos (Fleming &amp; Courtney, 1984; Fox, 1998). Todavia sabemos que ambos s\u00e3o indicadores cr\u00edticos do ajustamento \u00e0 vida e ao bem-estar emocional, intervindo nas diferentes formas de manifesta\u00e7\u00e3o de um indiv\u00edduo (Marsh &amp; Jackson, 1986; Marsh, Richards &amp; Barnes, 1986). Efectivamente, a auto-estima e o auto-conceito influenciam o modo como os indiv\u00edduos est\u00e3o motivados, persistem, alcan\u00e7am e atingem os n\u00edveis de sucesso desejados nas diversas \u00e1reas da sua actividade (Fontaine, 1991).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Weiss (1987) descreve o auto-conceito como descri\u00e7\u00f5es, ou etiquetas, que um indiv\u00edduo concede a si mesmo, referentes a qualidades f\u00edsicas, emocionais ou caracter\u00edsticas do comportamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, para Arndt (1974), o auto-conceito \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o e concep\u00e7\u00e3o de uma pessoa a respeito de si pr\u00f3pria, sendo estas percep\u00e7\u00f5es formadas atrav\u00e9s das experi\u00eancias com pessoas significativas e com as atribui\u00e7\u00f5es do seu pr\u00f3prio comportamento. Byrne (1984) refere, assim que \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de n\u00f3s pr\u00f3prios abrangendo as nossas atitudes, sentimentos, sensa\u00e7\u00f5es e conhecimentos sobre as nossas habilidades, capacidades, compet\u00eancias, apar\u00eancia e aceita\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vaz Serra (1986) defende assim a exist\u00eancia de tr\u00eas tipos de auto-conceito distintos: a) auto-conceito real, a forma como uma pessoa se percebe e se avalia tal como \u00e9 na realidade; b) auto-conceito ideal, aquilo a que a pessoa aspira, sente que deveria, ou gostaria, de ser; e c) auto-conceito aspirado que representa aquilo que uma pessoa aspira, com uma percep\u00e7\u00e3o mais realista e ligada \u00e0 situa\u00e7\u00e3o das aspira\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, as percep\u00e7\u00f5es e avalia\u00e7\u00f5es das situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas s\u00e3o influ\u00eancias que se v\u00e3o progressivamente organizando, podendo tamb\u00e9m falar-se em auto-conceito hierarquizado (Shavelson &amp; Bolus, 1982). Num sentido mais abrangente, o auto-conceito global apresenta-se como est\u00e1vel, diminuindo essa estabilidade \u00e0 medida que vai descendo na hierarquia (Shavelson &amp; Bolus, 1982). Paralelamente ao fen\u00f3meno de socializa\u00e7\u00e3o que vai evoluindo desde a inf\u00e2ncia at\u00e9 \u00e0 idade adulta, tamb\u00e9m o auto-conceito com a evolu\u00e7\u00e3o do desenvolvimento humano se vai tornando cada vez mais multifacetado (Shavelson &amp; Bolus, 1982).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vaz Serra (1988) refere que o constructo do auto-conceito \u00e9 constitu\u00eddo pela auto-estima, auto-imagens, auto-efic\u00e1cia, identidades, auto-conceito real e o auto-conceito ideal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fox (1998) \u00e9 um dos autores que distingue claramente a auto-estima do auto-conceito. Para este autor, quando um indiv\u00edduo produz afirma\u00e7\u00f5es de identidade do tipo \u201csou professor\u201d ou \u201csou alto\u201d, est\u00e1 a utilizar uma capacidade descritiva e, como tal, refere-se ao dom\u00ednio do auto-conceito. Desta forma, o auto-conceito refere-se \u00e0 auto-descri\u00e7\u00e3o de uma pessoa, \u00e0 auto-descri\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias, atributos, tra\u00e7os e de pap\u00e9is desempenhados na vida (Fox, 1998). Por outro lado, quando um indiv\u00edduo produz afirma\u00e7\u00f5es como \u201csou o melhor cozinheiro l\u00e1 de casa\u201d, refere-se \u00e0 auto-estima, entendida como a avalia\u00e7\u00e3o do self (Fox, 1998).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00edveis baixos de auto-estima podem conduzir a patologias diversas, comprometendo a qualidade de vida, al\u00e9m de interferir nos n\u00edveis de satisfa\u00e7\u00e3o com a vida (Alfermann &amp; Stoll, 2000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sintomas Psicopatol\u00f3gicos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As manifesta\u00e7\u00f5es psicopatol\u00f3gicas podem ser classificadas de diversas formas, org\u00e2nicas ou psicol\u00f3gicas, contudo opt\u00e1mos pelo modelo de Derogatis (1994) pela sua forte liga\u00e7\u00e3o \u00e0s consensuais classifica\u00e7\u00f5es do DSM e CID. Deste modo, Derogatis (1994) refere no manual da SCL-90, que as nove dimens\u00f5es prim\u00e1rias dos sintomas psicopatol\u00f3gicos s\u00e3o as que passaremos a descrever.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A somatiza\u00e7\u00e3o (S) reflectem os dist\u00farbios da percep\u00e7\u00e3o da disfun\u00e7\u00e3o corporal. As queixas localizam-se nos sistemas cardiovascular, gastrointestinal e respirat\u00f3rio (Derogatis, 1994). Por sua vez a obsessividade compulsividade (OC) focaliza-se em pensamentos, impulsos e ac\u00e7\u00f5es que s\u00e3o experienciados como repetitivos e irresist\u00edveis sendo de natureza indesej\u00e1vel, causando por exemplo deficit cognitivo, como dificuldades de concentra\u00e7\u00e3o (Derogatis, 1994). A sensibilidade interpessoal (SI) est\u00e1 focalizada nos sentimentos de inadequa\u00e7\u00e3o e inferioridade, especialmente na compara\u00e7\u00e3o com as outras pessoas. Auto deprecia\u00e7\u00e3o, falta de auto confian\u00e7a, grande desconforto durante interac\u00e7\u00f5es interpessoais, s\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es caracter\u00edsticas desta s\u00edndrome. Efectivamente, os indiv\u00edduos com alta pontua\u00e7\u00e3o na sensibilidade interpessoal relatam auto consci\u00eancia aguda e expectativas negativas sobre os comportamentos e as percep\u00e7\u00f5es interpessoais com os outros e de si mesmo (Derogatis, 1994). A Depress\u00e3o (D) traduz-se em sinais de retraimento, de baixo interesse na vida, falta de motiva\u00e7\u00e3o e falta de energia vital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, engloba sentimentos de derrota, pensamentos suicidas, e outros correlatos cognitivos e som\u00e1ticos da depress\u00e3o (Derogatis, 1994). Na ansiedade (AN) destacamos sinais gerais como nervosismo, tens\u00e3o e tremor, assim como ataques de p\u00e2nico, sentimentos de terror, de apreens\u00e3o e de medo (Derogatis, 1994). A hostilidade (H) reflecte pensamentos, sentimentos ou ac\u00e7\u00f5es que s\u00e3o caracter\u00edsticas da afectividade negativa do estado de raiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ansiedade f\u00f3bica (AF) \u00e9 definida como uma resposta persistente de medo dirigida a uma pessoa espec\u00edfica, lugar, objecto ou situa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 irracional e desproporcional ao est\u00edmulo levando a comportamentos de fuga. A ansiedade f\u00f3bica \u00e9 uma defini\u00e7\u00e3o similar de \u201cagorafobia\u201d (Derogatis, 1994). Por outro lado, as ideias Paran\u00f3ides (IP) s\u00e3o representadas fundamentalmente por comportamentos paran\u00f3ides como um modo desordenado do pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">As caracter\u00edsticas cardinais do pensamento projectivo, hostilidade, desconfian\u00e7a, grandiosidade, centralidade, medo de perder a autonomia e desilus\u00e3o s\u00e3o considerados os sinais prim\u00e1rios desta desordem (Derogatis, 1994). Por fim temos o psicoticismo (P) que representa o constructo como uma dimens\u00e3o cont\u00ednua da experi\u00eancia humana. Os itens indicados de afastamento, isolamento, estilo de vida esquiz\u00f3ide, foram inclu\u00eddos como sendo o primeiro grau de sintomas da esquizofrenia, tais como as alucina\u00e7\u00f5es e pensamentos controlados por del\u00edrios (Derogatis, 1994).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Metodologia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caracteriza\u00e7\u00e3o da amostra<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presente estudo foi constitu\u00eddo por uma amostra por conveni\u00eancia, com 64 (100%) sujeitos de nacionalidade portuguesa, sendo 32 (50%) mulheres obesas utentes de uma unidade de sa\u00fade a usufruir de apoio psicoterap\u00eautico emparelhadas por idade (\u00b1 3 anos) e escolaridade (\u00b1 3 anos) com 32 (50%) mulheres normativas escolhidas aleatoriamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relativamente \u00e0 sua caracteriza\u00e7\u00e3o sociodemogr\u00e1fica, apresentada no quadro 2, 64 sujeitos s\u00e3o do g\u00e9nero feminino, com uma m\u00e9dia de idades de 38,94 anos nas mulheres obesas e de 38,84 anos nas mulheres normativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos 32 sujeitos obesos, 25% (N=8) encontram-se a trabalhar na ind\u00fastria, 12,5% (N=4) a trabalhar nos servi\u00e7os, 43,8% (N=14) s\u00e3o dom\u00e9sticas e 18,8% (N=6) est\u00e3o desempregadas. No que respeita aos sujeitos normativos, das 32 mulheres, constatamos que 15,6% (N=5) trabalham na ind\u00fastria, 12,5% (N=4) no com\u00e9rcio, 62,5% (N=20) nos servi\u00e7os e 9,4% (N=3) s\u00e3o dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro 2: Caracter\u00edsticas s\u00f3cio-demogr\u00e1ficas da amostra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"obesidade_psicopatologia\/caracteristicas_sociodemograficas\" src=\"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/caracteristicas_sociodemograficas.jpg\" alt=\"obesidade_psicopatologia\/caracteristicas_sociodemograficas\" width=\"481\" height=\"412\" align=\"bottom\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"obesidade_psicopatologia\/escolaridade_nacionalidade_obesas\" src=\"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/escolaridade_nacionalidade_obesas.jpg\" alt=\"obesidade_psicopatologia\/escolaridade_nacionalidade_obesas\" width=\"452\" height=\"236\" align=\"bottom\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Quanto ao estado civil, a maioria das mulheres obesas (87,5%, N=28) s\u00e3o casadas ou vivem em uni\u00e3o de facto, 6,2% (N=2) s\u00e3o solteiras e 6,2% (N=2) s\u00e3o separadas\/divorciadas e vi\u00favas, com metade da percentagem para cada estado civil. Nas mulheres normativas, a maioria \u00e9 casada ou vive em uni\u00e3o de facto (62,5%, N=20), sendo 25% (N=8) solteiras, 9,4% (N=3) separadas\/divorciadas e apenas 3,1% (N=1) s\u00e3o vi\u00favas.<!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relativamente ao n\u00edvel de escolaridade da amostra, a maioria das mulheres obesas (40,6%, N=13) t\u00eam o 2\u00ba ciclo do ensino b\u00e1sico, 25% (N=8) o 3\u00ba ciclo do ensino b\u00e1sico, 18,8% (N=6), o 1\u00ba ciclo do ensino b\u00e1sico, 12,5% (N=4) o ensino secund\u00e1rio e apenas 3,1% (N=1) o ensino superior. Enquanto nas mulheres normativas a maioria (46,9%, N=15) possui o 3\u00ba ciclo do ensino b\u00e1sico, 28,1% (N=9) o ensino secund\u00e1rio, 21,9% (N=7) o 2\u00ba ciclo do ensino b\u00e1sico e somente 3,1% (N=1) tem o ensino superior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os sujeitos s\u00e3o de nacionalidade portuguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere ao n\u00famero de filhos, as mulheres obesas apresentam uma m\u00e9dia de 1,69 filhos enquanto as mulheres normativas apresentam uma m\u00e9dia de 1,59 filhos. Por sua vez, face ao peso, existe uma diferen\u00e7a de aproximadamente 30 quilos entre ambas as popula\u00e7\u00f5es, sendo a m\u00e9dia das mulheres obesas de 92,91 kg e a das mulheres normativas de 61,41 kg, que se distribuem por uma altura m\u00e9dia de 1,59 cm nas mulheres obesas e de 1,62 cm nas mulheres normativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro 3: Caracter\u00edsticas espec\u00edficas de ambas as popula\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"obesidade_psicopatologia\/altura_peso_flhos\" src=\"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/altura_peso_flhos.jpg\" alt=\"obesidade_psicopatologia\/altura_peso_flhos\" width=\"379\" height=\"277\" align=\"bottom\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Como crit\u00e9rio de inclus\u00e3o na amostra estabelecemos que a popula\u00e7\u00e3o obesa como a normativa n\u00e3o poderia apresentar doen\u00e7a f\u00edsica ou psiqui\u00e1trica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Objectivo do Estudo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A oportunidade de acompanhar de perto um grupo de mulheres obesas a usufruir de apoio psicoterap\u00eautico, suscitou em n\u00f3s uma enorme vontade de averiguar se os indiv\u00edduos obesos est\u00e3o mais suscept\u00edveis ao desenvolvimento de sintomatologia depressiva e sintomas psicopatol\u00f3gicos bem como ao desenvolvimento de uma baixa auto-estima e um baixo auto-conceito comparativamente com a popula\u00e7\u00e3o normativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tivemos, ent\u00e3o como quest\u00e3o principal a seguinte: \u201cExistem diferen\u00e7as estatisticamente significativas no que se refere \u00e0 sintomatologia depressiva, auto-estima tal como em rela\u00e7\u00e3o aos sintomas psicopatol\u00f3gicos e o auto-conceito no que concerne \u00e0s mulheres obesas comparativamente com as mulheres normativas?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caracteriza\u00e7\u00e3o dos Instrumentos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Question\u00e1rio S\u00f3cio-demogr\u00e1fico: Foi elaborado para esta investiga\u00e7\u00e3o um question\u00e1rio s\u00f3cio-demogr\u00e1fico com nove quest\u00f5es fechadas, acerca da idade, escolaridade, peso, altura, localidade\/resid\u00eancia, profiss\u00e3o, nacionalidade, estado civil e n\u00famero de filhos de cada um dos sujeitos de ambas as amostras em estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Invent\u00e1rio de Avalia\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica da Depress\u00e3o (Vaz Serra, 1993)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cInvent\u00e1rio de Avalia\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica da Depress\u00e3o\u201d (IACLIDE) \u00e9 um instrumento de auto-avalia\u00e7\u00e3o que tem como objectivo detectar a presen\u00e7a e a gravidade de um quadro cl\u00ednico depressivo (Almeida, Sim\u00f5es &amp; Gon\u00e7alves, 1995). Esta escala foi elaborada tendo como base a ideia de que uma depress\u00e3o varia em fun\u00e7\u00e3o do n\u00famero de sintomas assinalados e da intensidade que possam atingir (Vaz Serra, 1994), quando se responde a cada uma das 23 quest\u00f5es em escala de tipo Likert cujos resultado global varia entre 0 (inexist\u00eancia de qualquer perturba\u00e7\u00e3o) e 4 (gravidade m\u00e1xima atingida pela queixa), estando cada um dos sintomas subdivididos em cinco quest\u00f5es que traduzem uma gravidade progressivamente crescente, tendo impl\u00edcita a possibilidade de uma \u00fanica escolha (Vaz Serra, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">As quest\u00f5es do Invent\u00e1rio de Avalia\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica da Depress\u00e3o (IACLIDE) dizem respeito a perturba\u00e7\u00f5es de quatro tipos distintos, altera\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, sintomas cognitivos, modifica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es inter-pessoais e supress\u00e3o ou altera\u00e7\u00e3o do desempenho de tarefa (Almeida, Sim\u00f5es &amp; Gon\u00e7alves, 1995). Estes quatro tipos de perturba\u00e7\u00f5es t\u00eam a ver com a rela\u00e7\u00e3o que o indiv\u00edduo deprimido estabelece com o organismo, consigo pr\u00f3prio como pessoa, com os outros e com o trabalho (Vaz Serra, 1994).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pontua\u00e7\u00e3o global obtida no invent\u00e1rio designa os graus de gravidade da depress\u00e3o e a divis\u00e3o entre n\u00e3o deprimido e deprimido (Almeida, Sim\u00f5es &amp; Gon\u00e7alves, 1995), apresentando diferentes graus de severidade: depress\u00e3o leve (indiv\u00edduo perturbado pelos sintomas, com dificuldade em continuar com o seu trabalho e actividades sociais usuais, mas n\u00e3o deixa de funcionar completamente), depress\u00e3o moderada (o indiv\u00edduo tem normalmente uma dificuldade consider\u00e1vel em continuar com as suas actividades sociais, de trabalho ou dom\u00e9sticas) e a depress\u00e3o grave (a pessoa sente-se incapaz, a n\u00e3o ser de forma muito limitada, em continuar com as suas actividades sociais, de trabalho ou dom\u00e9sticas) (Vaz Serra, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escala de Auto-estima de Coopersmith (Coopersmith, 1989)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Escala Auto-Estima de Coopersmith \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o do Coopersmith Self-Esteem Inventory Short Form, contendo 25 perguntas fechadas (Coopersmith, 1967).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um instrumento com uma abordagem da auto-estima em \u00e1reas relacionais espec\u00edficas da vida, onde se pretende avaliar o sentimento de si, em termos valorativos e de compet\u00eancia, na fam\u00edlia e na sociedade. Assim, a soma dos itens determina indicadores de maior ou menor auto-estima (Coopersmith, 1967).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta escala define a auto-estima como a avalia\u00e7\u00e3o que o indiv\u00edduo faz, e que geralmente mant\u00e9m, de si mesmo, e expressa uma atitude de aprova\u00e7\u00e3o ou desaprova\u00e7\u00e3o, indicando o grau em que se considera capaz, importante e valioso (Okazaki &amp; Coelho, 2005) sendo uma experi\u00eancia subjectiva que o indiv\u00edduo exp\u00f5e aos outros por relatos verbais e express\u00f5es p\u00fablicas de comportamentos (Gobitta &amp; Guzzo, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Symptom Cheklist \u2013 90 \u2013 SCL \u2013 90 (Derogatis, 1975)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Symptom Cheklist \u2013 90 \u2013 SCL \u2013 90, foi criada pela National Computer Systems Inc., sendo um invent\u00e1rio multidimensional de auto avalia\u00e7\u00e3o de sintomas, delineado para avaliar um vasto espectro de problemas psicol\u00f3gicos e sintomas psicopatol\u00f3gicos (Derogatis, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Escala de Avalia\u00e7\u00e3o de Sintomas (SCL \u2013 90), tal como Derogatis (1994) refere \u00e9 constitu\u00edda por 90 itens de auto relato que pretendem reflectir o padr\u00e3o psicol\u00f3gico dos respondentes. Sendo que cada item deve ser respondido segundo uma escala de 5 pontos, que varia entre nenhuma manifesta\u00e7\u00e3o at\u00e9 extremamente presente (Derogatis, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que respeita aos itens da escala Derogatis (1994) menciona que comp\u00f5em 9 dimens\u00f5es prim\u00e1rias de sintomas: somatiza\u00e7\u00e3o (S), obsessividade compulsividade (OC), sensibilidade interpessoal (SI), depress\u00e3o (D), ansiedade (AN), hostilidade (H), ansiedade f\u00f3bica (AF), ideias paran\u00f3ides (IP) e psicoticismo (PS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, os \u00edndices globais s\u00e3o denominados de: \u00cdndice Global de Severidade (IGS), \u00cdndice de Dist\u00farbio de Sintomas Positivos (IDSP) e Total de Sintomas Positivos (TSP) (Laloni, 2001). Sendo que a fun\u00e7\u00e3o de cada uma destas medidas globais \u00e9 transmitir numa pontua\u00e7\u00e3o simples o n\u00edvel ou intensidade de um dist\u00farbio psicol\u00f3gico de um indiv\u00edduo (Derogatis, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim importa referir que a interpreta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica do perfil obtido pela SCL-90 oferece uma diversa gama do perfil sintom\u00e1tico multidimensional. Contudo para a compara\u00e7\u00e3o com uma avalia\u00e7\u00e3o unidimensional \u00e9 necess\u00e1rio a utiliza\u00e7\u00e3o apenas de uma subescala (Derogatis, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Invent\u00e1rio Cl\u00ednico de Auto-conceito (Vaz Serra, 1985)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Invent\u00e1rio Cl\u00ednico de Auto \u2013 Conceito (ICAC), segundo Vaz Serra (1988) \u00e9 uma escala unidimensional de tipo Likert, elaborada com o prop\u00f3sito de medir os aspectos emocionais e sociais do auto \u2013 conceito (Vaz Serra, 1988). \u00c9 um instrumento de auto \u2013 avalia\u00e7\u00e3o, que exige um grau m\u00ednimo de escolaridade para ser respondido (Almeida, Sim\u00f5es &amp; Gon\u00e7alves, 1995). Assim, Almeida, Sim\u00f5es &amp; Gon\u00e7alves (1995) referem que esta escala procura medir a maneira de ser habitual do indiv\u00edduo e n\u00e3o o estado em que transitoriamente se encontra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo e segundo o mesmo autor \u00e9 um instrumento de medida que pretende avaliar aspectos emocionais e sociais do auto \u2013 conceito. Assim \u00e9 constitu\u00eddo por 20 quest\u00f5es, sendo que cada uma delas \u00e9 cotada de 1 (n\u00e3o concordo) a 5 (concordo muit\u00edssimo), classificadas umas vezes numa ordem directa e outras, inversa, podendo a nota global ir de um m\u00ednimo de 20 a um m\u00e1ximo de 100 (Almeida, Sim\u00f5es &amp; Gon\u00e7alves, 1995). Destacamos como vantagens o facto de ser breve e levar pouco tempo a ser respondido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclu\u00edmos assim, e segundo Fitts (1972), que quanto pior for o auto-conceito, pior ser\u00e1 o ajustamento do indiv\u00edduo e mais prop\u00edcio estar\u00e1 a perturba\u00e7\u00f5es de cariz emocional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resultados<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pontua\u00e7\u00f5es do instrumento IACLIDE<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos IACLIDE (quadro 4) verificou-se que 28,1% (N = 9) da popula\u00e7\u00e3o obesa apresentou valores indicadores de sintomatologia depressiva moderada, 25% (N = 8) valores indicadores de sintomatologia depressiva leve, 25% (N=8) indicadores de depress\u00e3o grave e 21,9% (N=7) valores indicadores de aus\u00eancia de sintomatologia depressiva. Por sua vez a popula\u00e7\u00e3o normativa n\u00e3o apresentou valores indicadores de sintomatologia depressiva moderada ou grave, sendo que apenas 12,5% (N = 4) apresentaram valores indicadores de sintomatologia depressiva leve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro 4: Resultados do IACLIDE<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"obesidade_psicopatologia\/sintomatologia_depressiva_obesas\" src=\"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/sintomatologia_depressiva_obesas.jpg\" alt=\"obesidade_psicopatologia\/sintomatologia_depressiva_obesas\" width=\"398\" height=\"148\" align=\"bottom\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Relativamente aos sintomas apresentados no quadro 5 (sintomatologia depressiva), os biol\u00f3gicos s\u00e3o os mais significativos nas mulheres obesas, uma vez que 19 (59,4%) mulheres obesas apresentaram sintomas biol\u00f3gicos clinicamente significativos comparativamente com a maioria (96,9%, N=31) das mulheres normativas que apresentam sintomas biol\u00f3gicos normativos. Por outro lado, os sintomas cognitivos s\u00e3o maioritariamente normativos quer na popula\u00e7\u00e3o obesa (N=22; 68,8%) quer na popula\u00e7\u00e3o normativa (N=32; 100%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro 5: Resultados dos Sintomas do IACLIDE<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"obesidade_psicopatologia\/sintomas_biologicos_cognitivos\" src=\"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/sintomas_biologicos_cognitivos.jpg\" alt=\"obesidade_psicopatologia\/sintomas_biologicos_cognitivos\" width=\"433\" height=\"297\" align=\"bottom\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">No que se refere aos sintomas interpessoais, 23 (71,9%) mulheres obesas e 32 (100%) das mulheres normativas apresentam sintomas normativos. Por fim temos os sintomas do desempenho da tarefa, que nos indicam que a maioria das mulheres obesas (N=19; 59,4%) e das mulheres normativas (N=32; 100%) apresentam valores indicadores de sintomas normativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00e2mbito das incapacidades, apresentadas no quadro 6, que a sintomatologia depressiva desenvolve destacamos que no que se refere \u00e0s incapacidades para a vida em geral nas mulheres obesas, metade (N=16; 50%) encontra-se ligeiramente, moderadamente e marcadamente incapacitada, enquanto 100% (N=32) das mulheres normativas encontram-se normalizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0s incapacidades para o trabalho 46,9% (N=15) das mulheres obesas encontram-se ligeiramente incapacitadas para o trabalho, comparativamente com 71,9% (N=23) das mulheres normativas que nos indicaram que de modo algum se encontram incapacitadas para o trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">Quadro 6: Resultados das Incapacidades do IACLIDE<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"obesidade_psicopatologia\/incapacidades_vida_obesas\" src=\"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/incapacidades_vida_obesas.jpg\" alt=\"obesidade_psicopatologia\/incapacidades_vida_obesas\" width=\"406\" height=\"479\" align=\"bottom\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Na incapacidade para a vida social, os dados referem-nos que 37,5% (N=12) encontram-se moderadamente incapacitadas enquanto com os mesmos valores as mulheres normativas mencionam que se encontram de modo algum incapacitadas para a vida social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por \u00faltimo destacamos a incapacidade para a vida familiar, em que a maioria (37,5%; N= 12) das mulheres obesas referem que de modo algum se encontram incapacitadas sendo que 93,8% (N=30) das mulheres normativas referem o mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pontua\u00e7\u00f5es do instrumento Escala de Auto-Estima de Coopersmith<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Escala de Auto-Estima de Coopersmith (quadro 7) 68,8% de popula\u00e7\u00e3o obesa (N = 22) apresentaram baixa auto-estima, 21,9% (N = 7), valores indicadores de m\u00e9dia auto-estima e somente 9,4% (N = 3) valores de elevada auto-estima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez na popula\u00e7\u00e3o normativa constatou-se que 75% (N =24) das mulheres evidenciaram valores indicadores de m\u00e9dia auto-estima, 21,9% (N = 7) valores indicadores de elevada auto-estima, sendo que apenas 3,1% (N= 1) apresentam valores indicadores de baixa auto-estima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro 7: Resultados da Escala de Auto-Estima de Coopersmith<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"obesidade_psicopatologia\/escala_autoestima_Coopersmith\" src=\"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/escala_autoestima_Coopersmith.jpg\" alt=\"obesidade_psicopatologia\/escala_autoestima_Coopersmith\" width=\"419\" height=\"101\" align=\"bottom\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Pontua\u00e7\u00f5es do instrumento SCL-90<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos resultados do instrumento SCL-90 (quadro 8) verificou-se que relativamente ao factor somatiza\u00e7\u00e3o 87,5% (N = 28), a popula\u00e7\u00e3o obesa apresenta elevada somatiza\u00e7\u00e3o comparativamente com 43,8% (N = 14) dos normativos que apresentaram baixa somatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao factor obsess\u00e3o do SCL-90 (quadro 8) 81,2% (N = 26) da popula\u00e7\u00e3o obesa apresentou valores elevados n\u00edveis de obsess\u00e3o comparativamente com 68,8% (N = 22) da popula\u00e7\u00e3o normativa que apresentaram valores indicadores de baixos n\u00edveis de obsess\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao factor sensibilidade interpessoal do SCL-90 (quadro 8) 84,4% (N = 27) da popula\u00e7\u00e3o obesa apresentou elevados n\u00edveis de sensibilidade interpessoal comparativamente com 75% (N = 24) da popula\u00e7\u00e3o normativa que apresentou baixos n\u00edveis de sensibilidade interpessoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No factor depress\u00e3o do SCL-90 (quadro 8) 84,4% (N = 27) da popula\u00e7\u00e3o obesa apresentou elevada sintomatologia depressiva e 56,2% (N = 18) da popula\u00e7\u00e3o normativa apresentou baixa sintomatologia depressiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos resultados do factor ansiedade do SCL-90 (quadro 8) 78,1% (N = 25) da popula\u00e7\u00e3o obesa apresentou elevada sintomatologia ansi\u00f3gena e 65,6% (N = 21) da popula\u00e7\u00e3o normativa apresentou baixa sintomatologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao factor hostilidade do SCL-90 (quadro 8) apurou-se que 81,2% (N =26) da popula\u00e7\u00e3o obesa apresentou elevados n\u00edveis de hostilidade relativamente a 75% (N =24) da popula\u00e7\u00e3o normativa que apresentou baixos n\u00edveis de hostilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao factor ansiedade f\u00f3bica do SCL-90 (quadro 8) 75% (N = 24) da popula\u00e7\u00e3o obesa apresentaram elevada sintomatologia f\u00f3bica comparativamente com 78,1% (N = 25) da popula\u00e7\u00e3o normativa que apresentou baixa sintomatologia f\u00f3bica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao factor idea\u00e7\u00e3o paran\u00f3ide do SCL-90 (quadro 8) 78,1% (N =25) da popula\u00e7\u00e3o obesa apresentou valores indicadores de elevados n\u00edveis de idea\u00e7\u00e3o paran\u00f3ide compatados com 75% (N = 24) da popula\u00e7\u00e3o normativa que apresentaram baixos n\u00edveis de idea\u00e7\u00e3o paran\u00f3ide.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por \u00faltimo, quanto ao factor psicoticismo do SCL-90 (quadro 8) 84,4% (N = 27) apresentaram elevados n\u00edveis de psicoticismo relativamente com 68,8% (N = 22) da popula\u00e7\u00e3o normativa que apresentaram valores indicadores de baixos n\u00edveis de psicoticismo.<!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro 8: Resultados da SCL-90<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"obesidade_psicopatologia\/sintomas_psicopatologicos_obesas\" src=\"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/sintomas_psicopatologicos_obesas.jpg\" alt=\"obesidade_psicopatologia\/sintomas_psicopatologicos_obesas\" width=\"489\" height=\"376\" align=\"bottom\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"obesidade_psicopatologia\/ansiedade_hostilidade_fobia\" src=\"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/ansiedade_hostilidade_fobia.jpg\" alt=\"obesidade_psicopatologia\/ansiedade_hostilidade_fobia\" width=\"494\" height=\"467\" align=\"bottom\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Pontua\u00e7\u00f5es do instrumento Invent\u00e1rio Cl\u00ednico de Auto-Conceito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">Nos resultados Invent\u00e1rio Cl\u00ednico de Auto-conceito (quadro 9) a popula\u00e7\u00e3o obesa 68,8% (N = 22) apresentou um baixo auto-conceito comparativamente com 28,1% (N =9) na popula\u00e7\u00e3o normativa. Por sua vez, 28,1% (N =9) das mulheres obesas apresentaram um elevado auto-conceito comparativamente com 68,8% (N = 22) da popula\u00e7\u00e3o normativa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro 9: Resultados do Invent\u00e1rio Cl\u00ednico de Auto-Conceito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"obesidade_psicopatologia\/autoconceito_total_obesas\" src=\"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/autoconceito_total_obesas.jpg\" alt=\"obesidade_psicopatologia\/autoconceito_total_obesas\" width=\"458\" height=\"383\" align=\"bottom\" border=\"0\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">No que se refere \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o\/rejei\u00e7\u00e3o social as mulheres obesas oscilam entre a baixa aceita\u00e7\u00e3o \u2013 rejei\u00e7\u00e3o social (50%, N=16) e elevada aceita\u00e7\u00e3o \u2013 rejei\u00e7\u00e3o social (50%, N=16), sendo que a popula\u00e7\u00e3o normativa maioritariamente (87,5%, N=28) apresenta elevada aceita\u00e7\u00e3o \u2013 rejei\u00e7\u00e3o social.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Face \u00e0 baixa efic\u00e1cia, a maioria (71,9%, N=23) da popula\u00e7\u00e3o obesa considera que tem uma baixa auto-efic\u00e1cia em contraste com 93,8% (N=30) da popula\u00e7\u00e3o normativa que se encontra dividida com igual percentagem entre uma baixa auto-efic\u00e1cia e uma elevada auto-efic\u00e1cia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso da maturidade psicol\u00f3gica e auto-afirma\u00e7\u00e3o a maioria das mulheres obesas (46,9%, N=15) e a maioria das mulheres normativas (62,5%, N=20) consideram que t\u00eam uma elevada maturidade psicol\u00f3gica e auto-afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por \u00faltimo, na impulsividade e actividade a maioria das mulheres obesas (75%, N=24) considera que tem baixa impulsividade e actividade, contrariando a maioria das mulheres normativas (56,2%, N=18) que referem ter elevada impulsividade e actividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferen\u00e7as de m\u00e9dias entre instrumentos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo como base as an\u00e1lises Teste \u2013 T verificaram-se diferen\u00e7as estat\u00edsticas bastante significativas (quadro 10) no que se refere \u00e0 sintomatologia depressiva (IACLIDE) (t = 6,705; p &lt;0,05; p = 0,000), sintomas biol\u00f3gicos (IACLIDE) (t = 7,429; p &lt;0,05; p = 0,000), sintomas cognitivos (IACLIDE) (t = 6,107; p &lt;0,05; p = 0,000), sintomas interpessoais (t = 4,026; p &lt;0,05; p = 0,000), sintomas desempenho de tarefa (IACLIDE) (t = 5,192; p &lt;0,05; p = 0,000), incapacidade para a vida em geral (t = 6,264; p &lt;0,05; p = 0,000), incapacidade para a vida social (t = 6,421; p &lt;0,05; p = 0,000), incapacidade para a vida familiar (t = 5,246; p &lt;0,05; p = 0,000) e auto-estima (t = &#8211; 5,735; p &lt;0,05; p = 0,000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, no que se refere ao SCL-90 tamb\u00e9m se apuraram diferen\u00e7as estat\u00edsticas bastante significativas (quadro 8) nos factores somatiza\u00e7\u00e3o (t = 6,029; p &lt;0,05; p = 0,000); obsess\u00e3o (t = 6,365; p &lt;0,05; p = 0,000); sensibilidade interpessoal (t = 7,857; p &lt;0,05; p = 0,000); depress\u00e3o (t = 8,033; p &lt;0,05; p = 0,000); ansiedade (t = 7,786; p &lt;0,05; p = 0,000); hostilidade (t = 7,360; p &lt;0,05; p = 0,000); ansiedade f\u00f3bica (t = 4,945; p &lt;0,05; p = 0,000); idea\u00e7\u00e3o paran\u00f3ide (t = 6,608; p &lt;0,05; p = 0,000); e psicoticismo (t = 6,554; p &lt;0,05; p = 0,000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere ao Invent\u00e1rio Cl\u00ednico de Auto-Conceito constataram-se diferen\u00e7as estat\u00edsticas bastante significativas no total (t = &#8211; 4,122;p &lt;0,05; p = 0,000) e na aceita\u00e7\u00e3o \u2013 rejei\u00e7\u00e3o social (t = &#8211; 3530; p &lt;0,05; p = 0,001). N\u00e3o existindo diferen\u00e7as estat\u00edsticas significativas no que concerne \u00e0 auto-efic\u00e1cia, maturidade psicol\u00f3gica \u2013 auto-afirma\u00e7\u00e3o e impulsividade e actividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere ao Invent\u00e1rio Cl\u00ednico de Auto-Conceito constataram-se diferen\u00e7as estat\u00edsticas bastante significativas no total (t = &#8211; 4,122;p &lt;0,05; p = 0,000) e na aceita\u00e7\u00e3o \u2013 rejei\u00e7\u00e3o social (t = &#8211; 3530; p &lt;0,05; p = 0,001). N\u00e3o existindo diferen\u00e7as estat\u00edsticas significativas no que concerne \u00e0 auto-efic\u00e1cia, maturidade psicol\u00f3gica \u2013 auto-afirma\u00e7\u00e3o e impulsividade e actividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto todas as dimens\u00f5es que n\u00e3o foram anteriormente referidas apresentam diferen\u00e7as estatisticamente significativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quadro 10: M\u00e9dias, desvios padr\u00f5es e diferen\u00e7as de m\u00e9dias entre os v\u00e1rios instrumentos nas duas popula\u00e7\u00f5es em estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"obesidade_psicopatologia\/medias_desvios_padroes\" src=\"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/medias_desvios_padroes.jpg\" alt=\"obesidade_psicopatologia\/medias_desvios_padroes\" width=\"449\" height=\"543\" align=\"bottom\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Discuss\u00e3o dos Resultados<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste estudo o principal objectivo era verificar se existiam diferen\u00e7as estatisticamente significativas nos indicadores de sintomatologia depressiva, na auto-estima, no auto-conceito e nos sintomas psicopatol\u00f3gicos entre a popula\u00e7\u00e3o obesa e a popula\u00e7\u00e3o normativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, constatou-se que a popula\u00e7\u00e3o obesa no que respeita \u00e0 sintomatologia depressiva apresentou maior incid\u00eancia da mesma, sendo que 28,1% (N = 9) das mulheres obesas apresentaram valores indicadores de sintomatologia depressiva moderada (as mulheres obesas t\u00eam uma dificuldade consider\u00e1vel em continuar com as suas actividades sociais, de trabalho ou dom\u00e9sticas) e 50% (N=16) das mulheres obesas sintomatologia depressiva leve e grave (as mulheres obesas sentem-se incapazes, a n\u00e3o ser de forma muito limitada, em continuar com as suas actividades sociais, de trabalho ou dom\u00e9sticas) com metade da percentagem para cada intervalo. Por sua vez a maioria (87,5%, N=28) da popula\u00e7\u00e3o normativa n\u00e3o apresenta valores indicadores de sintomatologia depressiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere aos sintomas biol\u00f3gicos, os mesmos s\u00e3o clinicamente significativos nas mulheres obesas (59,4%, N=19) em compara\u00e7\u00e3o com as mulheres normativas (3,1%, N=1). Deste modo as mulheres obesas apresentam dificuldades ao n\u00edvel da reten\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, concentra\u00e7\u00e3o bem como em adormecer e ter um sono reparador, acabando por acordando v\u00e1rias vezes durante a noite. Ao n\u00edvel dos sintomas cognitivos, interpessoais e desempenho da tarefa ambas as popula\u00e7\u00f5es apresentam sintomas normativos. Verificamos que h\u00e1 diferen\u00e7as estatisticamente significativas entre os indicadores de maior incid\u00eancia de sintomas clinicamente significativos causados pela depress\u00e3o nas mulheres obesas comparativamente com as mulheres normativas da amostra, uma vez que somente os sintomas biol\u00f3gicos s\u00e3o clinicamente significativos nas mulheres obesas, estando os sintomas cognitivos, interpessoais e de desempenho da tarefa normativos em ambas as popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">Ao n\u00edvel das incapacidades, constatamos que para a vida em geral a maioria de ambas as popula\u00e7\u00f5es se encontra maioritariamente de modo algum incapacitada, sendo que para o trabalho a maioria (46,9%, N=15) popula\u00e7\u00e3o obesa manifesta-se ligeiramente incapacitada no que respeita \u00e0 fatigabilidade no desempenho de tarefas, sendo que a popula\u00e7\u00e3o normativa se encontra de modo algum incapacitada. Na incapacidade para a vida social a maioria da popula\u00e7\u00e3o normativa (37,5%, N=12) encontra-se mais uma vez de modo algum incapacitado contrastando com a maioria da popula\u00e7\u00e3o obesa (37,5%, N=12) que se encontra moderadamente incapacitada. Por fim na incapacidade para a vida familiar a maioria (37,5%, N=12) da popula\u00e7\u00e3o obesa manifesta se de modo algum incapacitada, o mesmo acontece com a maioria (93,8%, N=30) da popula\u00e7\u00e3o normativa. H\u00e1 tamb\u00e9m diferen\u00e7as estatisticamente significativas entre os indicadores de maior incid\u00eancia de incapacidades causadas pela incid\u00eancia da depress\u00e3o nas mulheres obesas comparativamente com as mulheres normativas da amostra), uma vez que as mulheres obesas s\u00f3 se encontram incapacitadas para o trabalho e para a vida social.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior incid\u00eancia de sintomatologia depressiva e o aumento de incapacidades nas mulheres obesas pode dever-se ao facto desta popula\u00e7\u00e3o apresentar um estado de sa\u00fade debilitado que faz com que experienciem uma diminui\u00e7\u00e3o do bom humor, altera\u00e7\u00f5es do sono, comprometimento da mem\u00f3ria e concentra\u00e7\u00e3o bem como anedonia e sensa\u00e7\u00f5es de falta de esperan\u00e7a (Karlsson, Sjostrom &amp; Sullivan, 1993; Silva et al., 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Cardoso (1998) o papel da mulher obriga-a a responder \u00e0s necessidades dos outros e \u00e9 talvez esta vulnerabilidade feminina respons\u00e1vel por parte substancial do seu stress psicol\u00f3gico. Deste modo, as mulheres n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 sens\u00edveis em rela\u00e7\u00e3o a elas, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a tudo o que as rodeia. Freudenberg (1997) refere que as mulheres s\u00e3o mais suscept\u00edveis ao s\u00edndrome de Burnout e por sua vez mais suscept\u00edveis \u00e0 sintomatologia depressiva, j\u00e1 que ter\u00e3o de enfrentar a uma variedade de tarefas dom\u00e9sticas e familiares complementares ao seu trabalho. Assim, as mulheres mais do que os homens s\u00e3o afectadas emocionalmente pelas suas experi\u00eancias de elevado stress mas tamb\u00e9m pelas experi\u00eancias dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os estudos epidemiol\u00f3gicos para al\u00e9m de terem demonstrado que a depress\u00e3o \u00e9 duas vezes mais comum na mulher do que no homem, tamb\u00e9m evidenciaram, haver diferen\u00e7a na sua manifesta\u00e7\u00e3o e curso. Outros estudos epidemiol\u00f3gicos, levados a cabo nos Estados Unidos por Kornstein (1997) demonstraram que ao longo da vida, a depress\u00e3o na mulher \u00e9 de 21,3% enquanto nos homens \u00e9 de 12,7%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Russel (1997) as mulheres t\u00eam um risco de desenvolver depress\u00e3o de 20% a 25% e s\u00e3o mais afectadas que os homens, que t\u00eam um risco durante a vida de 7% a 12%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verific\u00e1mos diferen\u00e7as significativas na incid\u00eancia de maiores indicadores de sintomatologia depressiva nas mulheres obesas comparativamente com as mulheres normativas da amostra, e tal \u00e9 corroborado pelo estudo de Tosetto &amp; J\u00fanior (2008) que comparam mulheres sedent\u00e1rias e n\u00e3o sedent\u00e1rias no que respeita \u00e0 obesidade, sintomas de depress\u00e3o, ansiedade e desesperan\u00e7a, que verificaram a presen\u00e7a de n\u00edveis maiores de depress\u00e3o em pacientes obesas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, no que respeita \u00e0 auto-estima verificou-se que a popula\u00e7\u00e3o obesa apresenta maioritariamente valores indicadores de baixa auto-estima (68,8%, N = 22), sendo que na popula\u00e7\u00e3o normativa maioritariamente apresenta valores indicadores de m\u00e9dia auto-estima (75%, N = 24). Assim as mulheres obesas avaliam negativamente as suas qualidades e os seus desempenhos, expressando desaprova\u00e7\u00e3o de si mesmas e considerando-se inadequadas. Estes resultados podem ser explicados pela altera\u00e7\u00e3o da imagem corporal provocada pelo aumento de peso que poder\u00e1 levar a uma desvaloriza\u00e7\u00e3o da auto-imagem e do auto-conceito, nas mulheres obesas, diminuindo a sua auto-estima e auto-confian\u00e7a (Bernardi, Cichelero &amp; Vitolo, 2005), e por sentirem a discrimina\u00e7\u00e3o e os preconceitos na sua vida acad\u00e9mica, social e profissional (Goldsmith et al., 1992; Maddi et al., 1997).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos assim compreender que a auto-estima da mulher ocidental reflecte o efeito de uma forte influ\u00eancia social agindo como fonte de poss\u00edveis desajustamentos ou de conflitos interpessoais, com repercuss\u00f5es na sua imagem corporal e na sua sa\u00fade mental. N\u00edveis baixos de auto-estima podem conduzir a patologias diversas, comprometendo a qualidade de vida, al\u00e9m de interferir nos n\u00edveis de satisfa\u00e7\u00e3o com a vida (Alfermann &amp; Stoll, 2000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere ao auto-conceito, atrav\u00e9s da an\u00e1lise dos resultados confirm\u00e1mos as diferen\u00e7as estat\u00edsticamente significativas entre a incid\u00eancia de indicadores de menor auto-conceito das mulheres obesas comparativamente com as mulheres normativas da amostra, uma vez que 68,8% (N = 22) das mulheres da popula\u00e7\u00e3o obesa apresentaram valores indicadores de baixo auto-conceito, enquanto na popula\u00e7\u00e3o normativa, as mulheres apresentaram maioritariamente valores indicadores de um elevado auto-conceito (68,8%, N = 22). Assim as mulheres obesas oscilam entre a baixa aceita\u00e7\u00e3o \u2013 rejei\u00e7\u00e3o social (50%, N=16) e elevada aceita\u00e7\u00e3o \u2013 rejei\u00e7\u00e3o social (50%, N=16), sendo que a popula\u00e7\u00e3o normativa apresenta maioritariamente (87,5%, N=28) elevada aceita\u00e7\u00e3o \u2013 rejei\u00e7\u00e3o social. Assim percebemos que a popula\u00e7\u00e3o obesa considera que n\u00e3o passa uma boa imagem aos outros uma vez que tem um consequente feedback negativo daquilo que transmite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez a maioria (71,9%, N=23) da popula\u00e7\u00e3o obesa considera que tem uma baixa auto-efic\u00e1cia em contraste com 93,8% da popula\u00e7\u00e3o normativa que se encontra dividida com igual percentagem entre uma baixa auto-efic\u00e1cia e uma elevada auto-efic\u00e1cia. Assim quer a popula\u00e7\u00e3o obesa quer a normativa t\u00eam uma percep\u00e7\u00e3o negativa do seu desempenho nas v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso da maturidade psicol\u00f3gica e auto-afirma\u00e7\u00e3o a maioria das mulheres obesas (46,9%, N=15) e a maioria das mulheres normativas (62,5%, N=20) consideram que t\u00eam uma elevada maturidade psicol\u00f3gica e auto-afirma\u00e7\u00e3o. Na impulsividade e actividade a maioria das mulheres obesas (75%, N=24) considera que tem baixa impulsividade e actividade, contrariando a maioria das mulheres normativas (56,2%, N=18) que referem ter elevada impulsividade e actividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mulheres obesas t\u00eam tend\u00eancia a distorcer o seu tamanho corporal, a serem mais insatisfeitas, preocupadas com sua apar\u00eancia pessoal bem como apresentarem falta de confian\u00e7a em si mesmas e dificuldades em expressar de forma simb\u00f3lica a sua imagem corporal influenciando assim negativamente o seu auto-conceito (Cordas &amp; Ascencio, 2006; Almeida, Loureiro e Santos, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim as reac\u00e7\u00f5es e atitudes da sociedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 obesidade reflectem-se nas reac\u00e7\u00f5es e atitudes das pessoas obesas, que tendem a fazer auto-declara\u00e7\u00f5es depreciativas em rela\u00e7\u00e3o a si pr\u00f3prios e a apresentarem um auto-conceito comprometido (Barlow, 1999).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No SCL-90 verificou-se no factor somatiza\u00e7\u00e3o que a maioria das mulheres obesas apresentaram valores indicadores de elevada sintomatologia som\u00e1tica (87,5%, N = 28), enquanto na popula\u00e7\u00e3o normativa 56,2% (N = 18) apresentaram valores indicadores de baixa sintomatologia som\u00e1tica. Tais resultados est\u00e3o associados a um aumento da incid\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es endocrinol\u00f3gicas, artrite de m\u00e3os e joelhos, doen\u00e7as de ves\u00edcula biliar, apneia do sono, altera\u00e7\u00f5es dos lip\u00eddeos sangu\u00edneos, altera\u00e7\u00f5es da coagula\u00e7\u00e3o, alguns tipos de neoplasias, dor na coluna lombar, joelho e tornozelo\/p\u00e9 (Bray, 1996; Bjorntorp, 1998;). Lecerf (1996) do Servi\u00e7o de Nutri\u00e7\u00e3o da Universidade de Lille (Fran\u00e7a), fizeram uma avalia\u00e7\u00e3o de todo o pa\u00eds, ou seja, 18 102 pacientes com \u00edndice de massa corporal IMC&gt; 25 kg\/m2, sendo 66,8% mulheres e 33,2% homens, com idade m\u00e9dia de 48,0 anos (variando de 34 a 62 anos) e IMC m\u00e9dio de 34,6 (variando de 28,5 a 40,7), sem diferen\u00e7as acentuadas entre os dois sexos. As queixas mais frequentes eram dor na coluna (44,6%), hipertens\u00e3o (44,2%), colesterol alto (39,9%), artrose no joelho (30,8%), edema nas pernas (24,3%), suores exagerados (23,8%), micose nas dobras da pele (22,8%) e diabetes (21,6%).<!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No factor obsess\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o obesa apresentou na grande maioria valores indicadores de elevados n\u00edveis de obsess\u00e3o (81,2%, N = 26), relativamente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o normativa que por sua vez apresentou maioritariamente valores indicadores de baixos n\u00edveis de obsess\u00e3o (68,8%, N = 22). As mulheres obesas focalizam-se mais em pensamentos, impulsos e ac\u00e7\u00f5es que s\u00e3o experienciados como repetitivos e irresist\u00edveis sendo de natureza indesej\u00e1vel acabando por manifestar dificuldades de concentra\u00e7\u00e3o (Derogatis, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No factor sensibilidade interpessoal a popula\u00e7\u00e3o obesa apresentou na sua grande maioria valores indicadores de elevados n\u00edveis de sensibilidade interpessoal (84,4%, N =27), comparativamente com 75% (N = 24) da popula\u00e7\u00e3o normativa que apresentou valores indicadores de baixos n\u00edveis de sensibilidade interpessoal. Tais resultados explicam o facto da popula\u00e7\u00e3o obesa apresentar desconforto nas interac\u00e7\u00f5es interpessoais, evitando muitas vezes o contacto social (Silva et al. 2006; Felippe &amp; Santos, 2004; Cordas &amp; Ascencio, 2006). Focalizam-se em sentimentos de inadequa\u00e7\u00e3o e inferioridade, especialmente quando se comparam com as outras pessoas, manifestando auto deprecia\u00e7\u00e3o e falta de auto confian\u00e7a (Drogatis, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No factor depress\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o obesa apresentou na sua maioria elevada sintomatologia depressiva (84,4%, N = 27), comparativamente com 56,2% (N = 18) da popula\u00e7\u00e3o normativa que apresentou baixa sintomatologia. Esta incid\u00eancia de depress\u00e3o traduz-se em retraimento, baixo interesse na vida, falta de motiva\u00e7\u00e3o e falta de energia vital (Derogatis, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere ao factor ansiedade neste estudo apuramos que na popula\u00e7\u00e3o obesa a sua maioria apresentou elevada sintomatologia ansi\u00f3gena (78,1%, N = 25), relativamente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o normativa que na sua maioria apresentou baixa sintomatologia ansi\u00f3gena (65,6%, N = 21). Estes resultados v\u00e3o ao encontro dos que foram apurados por Bray (1992) e Wadden e Sternberg (1999) que mencionam que a popula\u00e7\u00e3o obesa que procura tratamento passa por uma elevada preval\u00eancia de sintomas psicol\u00f3gicos ansiosos, alimentares e depressivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez no factor hostilidade a popula\u00e7\u00e3o obesa apresentou maioritariamente elevado n\u00edvel de hostilidade (81,2%, N = 26), enquanto a popula\u00e7\u00e3o normativa apresentou indicadores de baixo n\u00edvel de hostilidade (75%, N = 24). Podemos assim referir que a popula\u00e7\u00e3o obesa vivencia com muito mais intensidade irritabilidade e ressentimento (Derogatis, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: small;\">No factor ansiedade f\u00f3bica, apuramos que na popula\u00e7\u00e3o obesa metade das mulheres apresentou elevada sintomatologia f\u00f3bica (75%, N = 24), enquanto na popula\u00e7\u00e3o normativa a maioria das mulheres apresentaram baixa sintomatologia f\u00f3bica (78,1%, N = 25). A popula\u00e7\u00e3o normativa n\u00e3o viv\u00eancia tanto respostas persistentes de medo dirigida a uma pessoa espec\u00edfica, lugar, objecto ou situa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 irracional e desproporcional ao est\u00edmulo levando a comportamentos de fuga comparativamente \u00e0s mulheres obesas (Derogatis, 1994).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere ao factor idea\u00e7\u00e3o paran\u00f3ide verificamos que na popula\u00e7\u00e3o obesa a maioria apresentou elevados n\u00edveis de idea\u00e7\u00e3o paran\u00f3ide (78,1%, N = 25), comparativamente com 75% (N = 24) da popula\u00e7\u00e3o normativa que apresentou baixos n\u00edveis de idea\u00e7\u00e3o suicida. Assim as mulheres obesas mostram maior desconfian\u00e7a e medo de perder a autonomia (Derogatis, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, no factor psicoticismo, averiguamos que na popula\u00e7\u00e3o obesa a grande maioria apresentou valores indicadores de elevados n\u00edveis de psicoticismo (84,4%, N =27), relativamente a 68,8% (N=22) da popula\u00e7\u00e3o normativa que apresentou baixos n\u00edveis de psicoticismo. Estes resultados s\u00e3o refor\u00e7ados pelo que foi anteriormente referido no que respeita \u00e0s mulheres obesas tenderem mais ao isolamento e afastamento (Derogatis, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, verific\u00e1mos existirem diferen\u00e7as estatisticamente significativas entre incid\u00eancia de indicadores de maior sintomatologia psicopatol\u00f3gica nas mulheres obesas comparativamente com as mulheres normativas da amostra, uma vez que a popula\u00e7\u00e3o obesa em todos os factores pontuou com maior incid\u00eancia de sintomatologia psicopatol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os resultados supramencionados v\u00e3o ao encontro do estudo de Ferreira e colaboradores que em 1995 utilizaram a SCL-90 no servi\u00e7o de endocrinologia do Instituto Portugu\u00eas de Oncologia de Lisboa para avaliar senhoras com excesso de peso recente e senhoras normativas comparando o mesmo com medidas end\u00f3crinas. Os resultados indicaram que existiram diferen\u00e7as estatisticamente significativas entre os dois grupos em rela\u00e7\u00e3o a todos os sintomas do SCL-90.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo como base as an\u00e1lises Teste \u2013 T verificaram-se diferen\u00e7as estat\u00edsticas bastante significativas no que se refere \u00e0 sintomatologia depressiva (IACLIDE) (t = 6,705; p &lt;0,05; p = 0,000), sintomas biol\u00f3gicos (IACLIDE) (t = 7,429; p &lt;0,05; p = 0,000), sintomas cognitivos (IACLIDE) (t = 6,107; p &lt;0,05; p = 0,000), sintomas interpessoais (t = 4,026; p &lt;0,05; p = 0,000), sintomas desempenho de tarefa (IACLIDE) (t = 5,192; p &lt;0,05; p = 0,000), incapacidade para a vida em geral (t = 6,264; p &lt;0,05; p = 0,000), incapacidade para a vida social (t = 6,421; p &lt;0,05; p = 0,000), incapacidade para a vida familiar (t = 5,246; p &lt;0,05; p = 0,000) e auto-estima (t = &#8211; 5,735; p &lt;0,05; p = 0,000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, no que se refere ao SCL-90 tamb\u00e9m se apuraram diferen\u00e7as estat\u00edsticas bastante significativas (quadro 8) nos factores somatiza\u00e7\u00e3o (t = 6,029; p &lt;0,05; p = 0,000); obsess\u00e3o (t = 6,365; p &lt;0,05; p = 0,000); sensibilidade interpessoal (t = 7,857; p &lt;0,05; p = 0,000); depress\u00e3o (t = 8,033; p &lt;0,05; p = 0,000); ansiedade (t = 7,786; p &lt;0,05; p = 0,000); hostilidade (t = 7,360; p &lt;0,05; p = 0,000); ansiedade f\u00f3bica (t = 4,945; p &lt;0,05; p = 0,000); idea\u00e7\u00e3o paran\u00f3ide (t = 6,608; p &lt;0,05; p = 0,000); e psicoticismo (t = 6,554; p &lt;0,05; p = 0,000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere ao Invent\u00e1rio Cl\u00ednico de Auto-Conceito constataram-se diferen\u00e7as estat\u00edsticas bastante significativas no total (t = &#8211; 4,122;p &lt;0,05; p = 0,000) e na aceita\u00e7\u00e3o \u2013 rejei\u00e7\u00e3o social (t = &#8211; 3530; p &lt;0,05; p = 0,001). N\u00e3o existindo diferen\u00e7as estat\u00edsticas significativas no que concerne \u00e0 auto-efic\u00e1cia, maturidade psicol\u00f3gica \u2013 auto-afirma\u00e7\u00e3o e impulsividade e actividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa ainda referir que foram encontradas correla\u00e7\u00f5es estatisticamente significativas entre a depress\u00e3o e a auto-estima (correla\u00e7\u00e3o negativa), depress\u00e3o e auto-conceito (correla\u00e7\u00e3o negativa), depress\u00e3o e sintomas psicopatol\u00f3gicos (correla\u00e7\u00e3o positiva), auto-estima e auto-conceito (correla\u00e7\u00e3o positiva), auto-estima e sintomas psicopatol\u00f3gicos (correla\u00e7\u00e3o negativa) e auto-conceito e sintomas psicopatol\u00f3gicos (Correla\u00e7\u00e3o negativa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No enquadramento social das sociedades actuais e modernas, a beleza f\u00edsica \u00e9 muito valorizada e surge intimamente ligada a um ideal de corpo magro, firme e esbelto (Silva et al. 2006; Felippe &amp; Santos, 2004; Cordas &amp; Ascencio, 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal panorama produz no obeso, uma press\u00e3o social inc\u00f3moda e uma sensa\u00e7\u00e3o de inadequa\u00e7\u00e3o e sentimentos de menos valia perante os padr\u00f5es sociais vigentes, que poder\u00e1 provocar dificuldades relacionais e, muitas vezes, um evitamento do contacto social e da realiza\u00e7\u00e3o de algumas tarefas quotidianas indispens\u00e1veis (Silva et al. 2006; Felippe &amp; Santos, 2004; Cordas &amp; Ascencio, 2006). Esta sensa\u00e7\u00e3o de inadequa\u00e7\u00e3o acompanhada de sentimentos de menos valia e de uma fuga ao social, veiculada pelo isolamento, est\u00e1 muitas vezes na origem de dificuldades relacionais, quer de car\u00e1cter s\u00f3cio-profissional, quer de car\u00e1cter familiar (Silva et al. 2006; Felippe &amp; Santos, 2004; Cordas &amp; Ascencio, 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim no que se refere ao tratamento desta patologia destacamos a mudan\u00e7a dos h\u00e1bitos alimentares, a medica\u00e7\u00e3o, a dieta, a actividade f\u00edsica ou mesmo a cirurgia (Pollock &amp; Wilmore, l993). Contudo, o sucesso do tratamento \u00e9 frequentemente limitado e transit\u00f3rio, pelo que a preven\u00e7\u00e3o \u00e9 a maneira mais eficaz de controlar esta verdadeira epidemia (Coelho et al., 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo em vista os factores cognitivos e emocionais associados ao aumento do consumo de alimentos a mudan\u00e7a comportamental tem sido usada no tratamento da obesidade. A auto-monitoriza\u00e7\u00e3o faz parte do programa da mudan\u00e7a comportamental e consiste na auto-observa\u00e7\u00e3o dos factos, sentimentos, pensamentos e atitudes que ocorrem antes, durante e ap\u00f3s as tentativas de manter um comportamento prudente ao alimentar-se e na pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos (Foreyt &amp; Goodrick, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Atckinson (1992), os componentes de um programa de mudan\u00e7a comportamental incluem: educa\u00e7\u00e3o sobre a etiologia e a fisiopatologia da obesidade; educa\u00e7\u00e3o alimentar, nutricional e novas t\u00e9cnicas diet\u00e9ticas; educa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da fisiologia do exerc\u00edcio, estrat\u00e9gias, t\u00e9cnicas e monitoriza\u00e7\u00e3o da actividade f\u00edsica; conhecimento de estrat\u00e9gias para evitar novamente o ganho de gordura; apoio familiar, social e acompanhamento por uma equipa multidisciplinar de profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m de se delinear estrat\u00e9gias de interven\u00e7\u00e3o eficazes tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio acabar com a presen\u00e7a de atitudes e estere\u00f3tipos negativos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 obesidade por parte de m\u00e9dicos e demais profissionais de sa\u00fade. Al\u00e9m do primeiro aspecto, h\u00e1 outros aspectos de grande import\u00e2ncia: a percep\u00e7\u00e3o dessas atitudes e desses estere\u00f3tipos por parte do paciente obeso faz com que ele n\u00e3o procure ajuda adequada \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o; os m\u00e9dicos podem estar menos interessados em tratar pacientes com excesso de peso, acreditando que s\u00e3o pessoas com pouca for\u00e7a de vontade e que menos provavelmente beneficiar\u00e3o de aconselhamento (WHO, 1997).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wadden e Sternberg citam um estudo no qual 80% dos pacientes de cirurgia bari\u00e1trica relataram ter sido sempre ou quase sempre tratados desrespeitosamente pela classe m\u00e9dica devido ao excesso de peso (Wadden e Sternberg, 1999).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo o referido anteriormente deve fazer-nos pensar acerca desta problem\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As principais conclus\u00f5es retiradas deste estudo s\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A popula\u00e7\u00e3o obesa apresenta incid\u00eancia de maiores indicadores de sintomatologia depressiva comparativamente com a popula\u00e7\u00e3o normativa;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A popula\u00e7\u00e3o obesa manifesta maior incid\u00eancia de sintomas clinicamente significativos causados pela depress\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres normativas da amostra, nomeadamente no que se refere aos sintomas biol\u00f3gicos. Nos sintomas cognitivos, interpessoais e desempenho da tarefa ambas as popula\u00e7\u00f5es apresentam sintomas normativos;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A popula\u00e7\u00e3o obesa manifesta indicadores de maiores incapacidades clinicamente significativas causadas pela depress\u00e3o comparativamente com as mulheres normativas. Sendo que nas incapacidades para a vida geral e familiar a popula\u00e7\u00e3o obesa n\u00e3o se encontra de modo algum incapacitada, nas incapacidades para o trabalho encontra-se ligeiramente incapacitada e nas incapacidades para a vida social moderadamente incapacitada. Contrastando com a popula\u00e7\u00e3o normativa que em todas as incapacidades refere que se encontra de modo algum incapacitada;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A popula\u00e7\u00e3o obesa apresenta indicadores de menor auto-estima comparativamente com as mulheres normativas da amostra;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A popula\u00e7\u00e3o obesa manifesta incid\u00eancia de maior sintomatologia psicopatol\u00f3gica comparativamente com as mulheres normativas da amostra. No que se refere a todos os factores do SCL-90, ou seja, somatiza\u00e7\u00e3o, obsess\u00e3o, sensibilidade interpessoal, depress\u00e3o, ansiedade, hostilidade, ansiedade f\u00f3bica, ideias paran\u00f3ides e psicotiscismo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A popula\u00e7\u00e3o obesa demonstra indicadores de menor auto-conceito relativamente \u00e0s mulheres normativas da amostra. Ao passo que a popula\u00e7\u00e3o obesa tamb\u00e9m refere que tem baixa auto-efic\u00e1cia e baixa impulsividade e actividade. Contudo demonstram ter elevada maturidade psicol\u00f3gica e auto-afirma\u00e7\u00e3o e oscilam entre elevada e baixa aceita\u00e7\u00e3o\/rejei\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: xx-small;\"><strong>Bibliografia <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abraham, S., Carrol, M., Najjar, M. &amp; Fulwood, R. (1983). Obese and Overweight Adults in the United States. Vital Health Stat 11 (230): 1-93.<br \/>\nAlfermann, D. &amp; Stool, O (2000). Effects of Physical Exercise on Self-Concept and Well-Being. International Journal of Sort Psychology, 30, 47-65.<br \/>\nAlmeida, G., Loureiro, S. &amp; Santos, J. (2002). A Imagem Corporal de Mulheres Morbidamente Obesas avaliada atrav\u00e9s do Desenho da Figura Humana. Psicologia: Reflex\u00e3o e Cr\u00edtica.15 (2), pp. 283 \u2013 292. S\u00e3o Paulo.<br \/>\nAlmeida, L., Sim\u00f5es, M. &amp; Gon\u00e7alves, M. (1995). Provas Psicol\u00f3gicas em Portugal. APPORT. Braga.<br \/>\nAPA, American Psychiatry Association (2002). DSM-IV-TR \u2013 Manual de Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstica das Perturba\u00e7\u00f5es Mentais \u2013 4\u00aa Edi\u00e7\u00e3o, Texto Revisto. Lisboa: Climepsi Editores. (T\u00edtulo da edi\u00e7\u00e3o original: Diagnostic and Statistical Manual of Psychiatric Disorders \u2013 Fourth edition, Text Revision, 2000).<br \/>\nArndt, W. (1974). Theories of personality. MacMillan. New York.<br \/>\nAtckinson, R. (1992). Atkins\u2019 New Diet Revolution. Avon Books: New York.<br \/>\nBarlow, S. (1999). Obesity evaluation and treatment. Expert Committee Recommendations Pediatrics.102(3):E29.<br \/>\nBeck, A. (1983). Cognitive Therapy of Depression: New Perspectives. New York<br \/>\nBeck A., Rush, A., Shaw, B. &amp; Emery, G. (1979). Cognitive Therapy of Depression. Guilford Press. New York.<br \/>\nBernardi, F., Cichelero, C., &amp; Vitolo, M. (2005). Comportamento de restri\u00e7\u00e3o alimentar e obesidade. Revista de Nutri\u00e7\u00e3o.18 (1): 85-93. Campinas.<br \/>\nBjorntorp, P. (1998) Etiology of the Metabolic Syndrome. Marcel Dekker, New York: pp.573-600.<br \/>\nBoyd, J. &amp; Weissman, M. (1981). Epidemiology of Affective Disorders. Archives of General Psychiatry. 38, 1039-1046.<br \/>\nBray, G. (1992). Drug Treatment of Obesity. American Journal of Clinical Nutrition. 55: 538S-544S.<br \/>\nBrownell, K. &amp; Wadden, T.A (1992) Etiology and Treatment of Obesity: Understanding a serious, prevalent and refractory disorder. Journal of Consulting and Clinical Psychology. 60, 505-517.<br \/>\nByrne, B. (1984). The general\/academic self-concept nomological network: A review of construct validation research. Review of Educational Research. 54, 427-456.<br \/>\nCoelho, R., Sousa, S., Laranjo, M., Monteiro, A., Bragan\u00e7a, G. &amp; Carreiro, H. (2008). Excesso de peso e obesidade: preven\u00e7\u00e3o na escola. Acta M\u00e9dica Portuguesa. 21: 341 \u2013 344.<br \/>\nCordas, T. &amp; Ascencio R. (2006). Tratamento Comportamental da Obesidade. Brasil. Einstein. Supl 1:S44-S48.<br \/>\nCoopersmith, S. (1967). Coopersmith Self-Esteem Inventory. CA: Consulting Psychologists Press. Palo Alto.<br \/>\nDerogatis, L. (1994). Symptom Checlkist-90-R (SCL-90-R) Administration, Scoring and Procedures (3\u00aa Ed.). Minneapolis: National Computer Systems. U.S.A.<br \/>\nDobrow, I, Kamenetz, C. &amp; Devlin, M. (2002). Aspectos Psiqui\u00e1tricos da Obesidade. Revista Brasileira de Psiquiatria. 24 (supl III): 63- 7.<br \/>\nFelippe, F. &amp; Santos, A. (2004). Novas demandas profissionais: obesidade em foco. Revista da ADPPUCRS. 5, 63-70.<br \/>\nFitts, W. (1972). The self-concept and psychopathology \u2013 monograph. National Technical Information Service, U.S.A.<br \/>\nFleming, J. &amp; Courtney, B. (1984). The dimensionality of self-esteem: Hierarchical facet model for revised measurement scales. Journal of Personality and Social Psychology. 46 (2): 404-421.<br \/>\nFontaine, A. (1991). Desenvolvimento do conceito de si pr\u00f3prio e realiza\u00e7\u00e3o escolar na adolesc\u00eancia. Psychologica. 5, 13-31.<br \/>\nFox, R. (1998). Advances in measurement of the Physical Self. In: J.L.Duda (Ed.), Advances in Sport and Exercise Psychology measurement (pp.295-310), Morgantown: Fitness Information Technology.<br \/>\nFrancischi, R., Pereira, L., Freitas, C. et al. (2000) Obesidade: actualiza\u00e7\u00e3o sobre sua etiologia, morbilidade e tratamento. Revista de Nutri\u00e7\u00e3o. 13 (1): 17-28.<br \/>\nFreudenberg, H. (1974): Burn-out institutionnel. Annales M\u00e9dico &#8211; Psychologiques, 143, (7): 646-651.<br \/>\nGuedes, E., Carrado, L., Godoy-Matos, A. &amp; Lopes, A. (2005). Obesidade: etiologia. Projecto Directrizes. Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira e Conselho Federal de Medicina.<br \/>\nGobitta, M. e Guzzo R. (2002). Estudo Inicial do Invent\u00e1rio de Auto-Estima (SEI) \u2013 Forma A. Psicologia Reflexiva Critica. 15 (1): 143 \u2013 150.<br \/>\nGoldsmith, S., Anger-Friedfeld, K., Beren, S., Boeck, M. &amp; Aronne, L. (1992). Psychiatric illness in patients presenting for obesity treatment. Internartional Journal of Eating Disorders.<br \/>\nHawton, K., Salkovskis, P., Kirk, J. &amp; Clark, D. (1989). Cognitive Behaviour Therapy for Psychiatric Problems. A Practical Guide. (Oxford Medical Publications). Oxford University Press.<br \/>\nKarlsson J., Sjostrom L. &amp; Sullivan, M. (1993). Swedish obese subjects (SOS) \u2013 an intervention study of obesity. Baseline evaluation of health and psychosocial functioning in the first 1743 subjects examined. International Journal of Obesity.17: 503-512.<br \/>\nKluther, R. &amp; Schubert, A. (1985). Obesity in Europe. Annals of Internal Medicine. 103: 1043-7.<br \/>\nLecerf (1996). Obesidade e articula\u00e7\u00f5es. Revista de Atualiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dica. 32 (15): 689-695.<br \/>\nMaddi S., Khoshaba D., Persico, M., Bleecker, F. &amp; VanArsdall, G. (1997). Psychosocial correlates of psychopathology in a national sample of the morbidly obese. Journal of Obesity Surgery. 7:397-404.<br \/>\nMarsh, H. &amp; Jackson, S. (1986). Multidimensional self-concepts, masculinity and femininity as a function of women\u00b4s involvement in athletics. Sex Roles, 15, 391-415.<br \/>\nMarsh, H., Richards, G. &amp; Barnes, J. (1986). Muldimensional self-concepts: A long term follow-up of the effect of participation in an Outward Bound program. Personality and Social Psychology Bulletin. 12, 475-492.<br \/>\nMonteiro, C., Mondili, L., Souza, A., Popkin, B. (1995) Velhos e novos males da sa\u00fade no Brasil: a evolu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e de suas doen\u00e7as. Hucitec: S\u00e3o Paulo.<br \/>\nNobre, E., Macedo, A. &amp; Castro, J. (2004) Tend\u00eancias do peso em Portugal no final do s\u00e9culo XX. Estudo de coorte de jovens do sexo masculino. Acta M\u00e9dica Portuguesa. 17, 205-209.<br \/>\nOdgen, J. (2000). Psicologia da Sa\u00fade. 2\u00aa Edi\u00e7\u00e3o. Climepsi. Lisboa.<br \/>\nOkazaki, F. (2005). Estudo da rela\u00e7\u00e3o da auto-estima com o estresse pr\u00e9-competitivo e performance do atleta de voleibol feminino de alto rendimento. Universidade Federal do Panam\u00e1. Curitiba.<br \/>\nPaykel, E. (1991). Epidemiology and Prognosis of Depression. Biological Psychiatry. Editors. Elsevier Science Publishers B.V.<br \/>\nPlataforma Contra a Obesidade da Direc\u00e7\u00e3o Geral de Sa\u00fade. Internet \u2013 acedido em Janeiro de 2010 em www.plataformacontraaobesidade.dgs.pt.<br \/>\nPollock, M. &amp; Wilmore, J.(1993). Exerc\u00edcios na Sa\u00fade e na Doen\u00e7a. Medsi. Rio de Janeiro.<br \/>\nRamalheira, C. (2003). Dados Epidemiol\u00f3gicos Mais Salientes das Perturba\u00e7\u00f5es Depressivas cit in Vaz-Serra (Coord.), Medicina \u2013 Temas Actuais: Depress\u00e3o. Atral-Cipan.<br \/>\nRussel, R. (1997). Changing Narrative Schemas in Psychotherapy. Psychotherapy. 29 (3): 344-354.<br \/>\nShavelson, R., &amp; Bolus, R. (1982). Self-concept: The interplay of theory and methods. Journal of Educational Psychology. 74, 3-17.<br \/>\nSilva, J. (1993). Editorial. WPA Teaching Bulletin on Depression, World Psychiatric Association.<br \/>\nSilva, M.P., Jorge, Z., Domingues, A., Lacerda Nobre, A., Chambel, P. &amp; J\u00e1come de Castro, J. (2006). Obesidade e Qualidade de Vida. Acta m\u00e9dica Portuguesa. 19: 247 \u2013 250.<br \/>\nSjostrom, L. (1993). Impacts of Body Weight, Body Composition, and Adipose Tissue Distribution on Morbidity and Mortality. In Stunkard AJ, Waaen, Tj (eds), Obesity, Theory and Therapy, pp. 13-44. Raven Press, New York.<br \/>\nTosetto, A. &amp; J\u00fanior, C. (2008). Obesidade e sintomas de depress\u00e3o, ansiedade e desesperan\u00e7a em mulheres sedent\u00e1rias e n\u00e3o sedent\u00e1rias. Medicina. Ribeir\u00e3o Preto.<br \/>\nVaz Serra (1988). O auto-conceito. An\u00e1lise Psicol\u00f3gica, 2, 101-110.<br \/>\nVaz Serra, A. (1994). IACLIDE \u2013 Invent\u00e1rio de depress\u00e3o cl\u00ednica da depress\u00e3o. Edi\u00e7\u00e3o Psiquiatria Cl\u00ednica. Coimbra.<br \/>\nVaz Serra, A.(Coord.) (2003). Medicina \u2013 Temas Actuais: Depress\u00e3o. Atral-Cipan.<br \/>\nWadden, A., Sternberg, J. (1989). Treatment of obesity by very low calorie diet, behaviour therapy, and their combination: a five-year perspective. International Journal of Obesity. 13(suppl. 2):39\u201346.<br \/>\nWeiss, M. (1987). Self-esteem and achievement in children\u00b4s sport and physical activity. Champaign, IL: Human Kinetics.<br \/>\nWHO &#8211; World Health Organization (1997). Obesity: Preventing and managing the global epidemic. Geneva. Cit in Almeida, G., Loureiro, S., &amp; Santos, J. (2002). A Imagem Corporal de Mulheres Morbidamente Obesas avaliada atrav\u00e9s do Desenho da Figura Humana. Psicologia: Reflex\u00e3o e Cr\u00edtica. 15 (2): 283 \u2013 292.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Obesidade e psicopatologia. Um estudo de caso \u2013 controlo O estudo das diferen\u00e7as no que respeita \u00e0 auto \u2013 estima e ao auto \u2013 conceito em mulheres obesas, comparativamente com mulheres normativas tem sido incentivado. Procur\u00e1mos investigar a exist\u00eancia de indicadores de maior incid\u00eancia de depress\u00e3o e de sintomas psicopatol\u00f3gicos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[188],"tags":[4452,3253,277,375,15976],"class_list":["post-67001","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-psicologia","tag-autoconcepto","tag-autoestima","tag-depresion","tag-obesidad","tag-sintomas-psicopatologicos","no-featured-image-padding"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Obesidade e psicopatologia. Um estudo de caso \u2013 controlo<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Obesidade e psicopatologia. Um estudo de caso \u2013 controlo O estudo das diferen\u00e7as no que respeita \u00e0 auto \u2013 estima e ao auto \u2013 conceito em mulheres obesas,\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/\" \/>\n<link rel=\"next\" href=\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/2\/\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Redacci\u00f3n Revista\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tiempo de lectura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"46 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"ScholarlyArticle\",\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/\"},\"author\":{\"name\":\"Redacci\u00f3n Revista\",\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#\/schema\/person\/aff35293bfdd1e8bb11bc1d216ac2c6e\"},\"headline\":\"Obesidade e psicopatologia. Um estudo de caso \u2013 controlo\",\"datePublished\":\"2012-08-28T10:06:05+00:00\",\"dateModified\":\"2022-04-01T09:13:11+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/\"},\"wordCount\":10279,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/caracteristicas_sociodemograficas.jpg\",\"keywords\":[\"autoconcepto\",\"Autoestima\",\"depresi\u00f3n\",\"obesidad\",\"s\u00edntomas psicopatol\u00f3gicos\"],\"articleSection\":[\"Psicolog\u00eda\"],\"inLanguage\":\"es\"},{\"@type\":[\"WebPage\",\"ItemPage\"],\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/\",\"url\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/\",\"name\":\"Obesidade e psicopatologia. Um estudo de caso \u2013 controlo\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/caracteristicas_sociodemograficas.jpg\",\"datePublished\":\"2012-08-28T10:06:05+00:00\",\"dateModified\":\"2022-04-01T09:13:11+00:00\",\"description\":\"Obesidade e psicopatologia. Um estudo de caso \u2013 controlo O estudo das diferen\u00e7as no que respeita \u00e0 auto \u2013 estima e ao auto \u2013 conceito em mulheres obesas,\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"es\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"es\",\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/#primaryimage\",\"url\":\"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/caracteristicas_sociodemograficas.jpg\",\"contentUrl\":\"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/caracteristicas_sociodemograficas.jpg\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Inicio\",\"item\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Psicolog\u00eda\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/\",\"name\":\"Revista Electr\u00f3nica de PortalesMedicos.com\",\"description\":\"ISSN 1886-8924 - Publicaci\u00f3n de art\u00edculos, casos cl\u00ednicos, etc. de Medicina, Enfermer\u00eda y Ciencias de la Salud\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#organization\"},\"alternateName\":\"Revista de PortalesMedicos\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"es\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#organization\",\"name\":\"Revista Electr\u00f3nica de Portales Medicos.com\",\"alternateName\":\"Revista de PortalesMedicos\",\"url\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"es\",\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/wp-content\/uploads\/logorevista_negro.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/wp-content\/uploads\/logorevista_negro.jpg\",\"width\":199,\"height\":65,\"caption\":\"Revista Electr\u00f3nica de Portales Medicos.com\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#\/schema\/logo\/image\/\"}},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#\/schema\/person\/aff35293bfdd1e8bb11bc1d216ac2c6e\",\"name\":\"Redacci\u00f3n Revista\",\"sameAs\":[\"https:\/\/x.com\/portalesmedicos\"],\"url\":\"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/author\/pmedadmin\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Obesidade e psicopatologia. Um estudo de caso \u2013 controlo","description":"Obesidade e psicopatologia. Um estudo de caso \u2013 controlo O estudo das diferen\u00e7as no que respeita \u00e0 auto \u2013 estima e ao auto \u2013 conceito em mulheres obesas,","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/","next":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/2\/","twitter_misc":{"Escrito por":"Redacci\u00f3n Revista","Tiempo de lectura":"46 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"ScholarlyArticle","@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/"},"author":{"name":"Redacci\u00f3n Revista","@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#\/schema\/person\/aff35293bfdd1e8bb11bc1d216ac2c6e"},"headline":"Obesidade e psicopatologia. Um estudo de caso \u2013 controlo","datePublished":"2012-08-28T10:06:05+00:00","dateModified":"2022-04-01T09:13:11+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/"},"wordCount":10279,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/caracteristicas_sociodemograficas.jpg","keywords":["autoconcepto","Autoestima","depresi\u00f3n","obesidad","s\u00edntomas psicopatol\u00f3gicos"],"articleSection":["Psicolog\u00eda"],"inLanguage":"es"},{"@type":["WebPage","ItemPage"],"@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/","url":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/","name":"Obesidade e psicopatologia. Um estudo de caso \u2013 controlo","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/caracteristicas_sociodemograficas.jpg","datePublished":"2012-08-28T10:06:05+00:00","dateModified":"2022-04-01T09:13:11+00:00","description":"Obesidade e psicopatologia. Um estudo de caso \u2013 controlo O estudo das diferen\u00e7as no que respeita \u00e0 auto \u2013 estima e ao auto \u2013 conceito em mulheres obesas,","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/#breadcrumb"},"inLanguage":"es","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"es","@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/#primaryimage","url":"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/caracteristicas_sociodemograficas.jpg","contentUrl":"http:\/\/www.portalesmedicos.com\/imagenes\/publicaciones_12\/1208_obesidade_psicopatologia\/caracteristicas_sociodemograficas.jpg"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/obesidade-e-psicopatologia-um-estudo-de-caso-controlo\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Inicio","item":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Psicolog\u00eda"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#website","url":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/","name":"Revista Electr\u00f3nica de PortalesMedicos.com","description":"ISSN 1886-8924 - Publicaci\u00f3n de art\u00edculos, casos cl\u00ednicos, etc. de Medicina, Enfermer\u00eda y Ciencias de la Salud","publisher":{"@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#organization"},"alternateName":"Revista de PortalesMedicos","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"es"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#organization","name":"Revista Electr\u00f3nica de Portales Medicos.com","alternateName":"Revista de PortalesMedicos","url":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"es","@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/wp-content\/uploads\/logorevista_negro.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/wp-content\/uploads\/logorevista_negro.jpg","width":199,"height":65,"caption":"Revista Electr\u00f3nica de Portales Medicos.com"},"image":{"@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/#\/schema\/person\/aff35293bfdd1e8bb11bc1d216ac2c6e","name":"Redacci\u00f3n Revista","sameAs":["https:\/\/x.com\/portalesmedicos"],"url":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/author\/pmedadmin\/"}]}},"views":3043,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67001","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67001"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67001\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}