{"id":75553,"date":"2024-03-19T09:48:59","date_gmt":"2024-03-19T08:48:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/?p=75553"},"modified":"2024-04-15T10:07:17","modified_gmt":"2024-04-15T08:07:17","slug":"tudo-o-que-e-preciso-saber-sobre-a-pedofilia-uma-revisao-da-literatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revista-portalesmedicos.com\/revista-medica\/tudo-o-que-e-preciso-saber-sobre-a-pedofilia-uma-revisao-da-literatura\/","title":{"rendered":"Tudo o que \u00e9 preciso saber sobre a Pedofilia: Uma Revis\u00e3o da Literatura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tudo o que \u00e9 preciso saber sobre a Pedofilia: Uma Revis\u00e3o da Literatura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autora principal: Beatriz Manuel Gaio e Sousa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vol. XIX; n\u00ba 6; 150<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Everything You Need to Know About Pedophilia: A Review of the Literature<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fecha de recepci\u00f3n: 21\/01\/2024<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fecha de aceptaci\u00f3n: 15\/03\/2024<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Incluido en Revista Electr\u00f3nica de PortalesMedicos.com Volumen XIX. N\u00famero 6 Segunda quincena de Marzo de 2024 \u2013 P\u00e1gina inicial: Vol. XIX; n\u00ba 6; 150<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Autores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Beatriz Manuel Gaio e Sousa &#8211; Aluna de Licenciatura em Psicologia, Universidade da Beira\u00a0\u00a0 Interior \u2013 Portugal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rui Pedro Fernandes Carvalhinhas &#8211; &#8211; Aluna de Licenciatura em Psicologia, Universidade da Beira\u00a0\u00a0 Interior \u2013 Portugal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luis Alberto Coelho Rebelo Maia \u2013 Professor de Psicologia Forense &#8211; Research Center in Sports Sciences, Health Sciences\u00a0 and Human Development (CIDESD) &#8211; Universidade da Beira Interior \u2013 Portugal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carla Sofia Nascimento \u2013 Professora de Psicologia &#8211; Sport, Health &amp; Exercise Research Unit \u2013 IPCB, Universidade da Beira Interior \u2013 Portugal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo Rodrigues \u2013 Professor de Psicologia &#8211; Sport, Health &amp; Exercise Research Unit \u2013 IPCB, Universidade da Beira Interior \u2013 Portugal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todo lo que necesitas saber sobre la pedofilia: una revisi\u00f3n de la literatura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumen<\/strong> En este trabajo se abordan temas como la definici\u00f3n de pedofilia y sus subtipos, criterios diagn\u00f3sticos, factores asociados a su aparici\u00f3n, modelos explicativos, posibles tratamientos y su tasa de eficacia, revisi\u00f3n bibliogr\u00e1fica sobre la evidencia de esta poblaci\u00f3n, tasa de reincidencia, limitaciones \u00e9ticas y controversias asociadas al tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Palabras Clave: <\/strong>Pedofilia, Revisi\u00f3n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Este trabalho aborda t\u00f3picos como a defini\u00e7\u00e3o de pedofilia e os seus subtipos, crit\u00e9rios de diagnostico, fatores associados ao seu aparecimento, os modelos explicativos, poss\u00edveis tratamentos e a respetiva taxa de efic\u00e1cia, revis\u00e3o de literatura sobre as evidencias desta popula\u00e7\u00e3o, taxa de reincid\u00eancia, limita\u00e7\u00f5es \u00e9ticas e controv\u00e9rsias associadas \u00e0 tem\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> Pedofilia, Revis\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Summary<\/strong> This paper addresses topics such as the definition of pedophilia and its subtypes, diagnostic criteria, factors associated with its appearance, explanatory models, possible treatments and their efficacy rate, literature review on the evidence of this population, recidivism rate, ethical limitations and controversies associated with the theme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Keywords:<\/strong> Pedophilia, Review<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996318\"><\/a><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pedofilia diz respeito a um leque de disciplinas diferentes, mais concretamente, a psicologia, psiquiatria e criminologia. No \u00e2mbito deste trabalho pretendemos adquirir um conhecimento aprofundado sobre o estado da arte da investiga\u00e7\u00e3o, das limita\u00e7\u00f5es associadas e a import\u00e2ncia que ela tem nestas tr\u00eas \u00e1reas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996319\"><\/a><strong>Defini\u00e7\u00e3o e Diagn\u00f3stico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a name=\"_Toc155996320\"><\/a>Pedofilia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pedofilia \u00e9 uma parafilia designada por \u00abtranstorno pedof\u00edlico\u201d, de acordo com o Manual Diagnostico e Estat\u00edstico De Transtornos Mentais (DSM-5) (American Psicol\u00f3gica Association, 2013) [APA], definida por Seto em 2009 como sendo um interesse sexual persistente por indiv\u00edduos que ainda se encontram na fase inicial da puberdade ou que ainda n\u00e3o a atingiram, manifestando-se atrav\u00e9s de fantasias, impulsos, pensamentos, excita\u00e7\u00e3o ou comportamento sexual. Existe uma distin\u00e7\u00e3o entre pedofilia exclusiva e n\u00e3o exclusiva, concisamente, pedofilia exclusiva aplica-se a indiv\u00edduos que apenas sentem atra\u00e7\u00e3o e prazer sexual por crian\u00e7as, enquanto pedofilia n\u00e3o exclusiva engloba crian\u00e7as e adultos, sendo a mais prevalente (Seto, 2009).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No DSM-5 (2013) constam tr\u00eas crit\u00e9rios para o diagnostico de pedofilia. O primeiro afirma que num per\u00edodo de no m\u00ednimo 6 meses um individuo tem fantasias e impulsos sexuais ou comportamentos recorrentes envolvendo crian\u00e7as pr\u00e9-p\u00faberes ou p\u00faberes (Crit\u00e9rio A).\u00a0 O segundo consiste no indiv\u00edduo p\u00f4r em pr\u00e1tica esses impulsos e\/ou fantasias sexuais, causando ou n\u00e3o sofrimento intenso ou dificuldades interpessoais (Crit\u00e9rio B). Por \u00faltimo, o indiv\u00edduo tem de apresentar uma idade m\u00ednima de 16 anos, sendo pelo menos cinco anos mais velho que as crian\u00e7as referentes ao primeiro crit\u00e9rio (Crit\u00e9rio C). Apesar disso, o indiv\u00edduo pode ser diagnosticado com transtorno pedof\u00edlico caso apresente dificuldades psicossociais associadas \u00e0 sua atra\u00e7\u00e3o e prefer\u00eancia sexual por crian\u00e7as, ou ent\u00e3o aus\u00eancia de sofrimento subjetivo aliada ao crit\u00e9rio A e o restante do B.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo uma outra \u00f3tica contemplada pelo DSM-5 (2013), um indiv\u00edduo pode ser descrito como tendo uma \u201corienta\u00e7\u00e3o sexual ped\u00f3fila\u201d, apresentando impulsos sexuais em rela\u00e7\u00e3o a menores que n\u00e3o invocam em si sentimentos de culpa, n\u00e3o limitam o seu funcionamento social e nunca foram colocados em pr\u00e1tica. Esta atra\u00e7\u00e3o por menores sem qualquer sofrimento consequente n\u00e3o \u00e9 reconhecida pelo DSM-5 como um transtorno mental (Swaminath et al., 2023).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996321\"><\/a><strong>Cronofilias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pedofilia \u00e9 um conceito complexo e amplo que inclui as cronofilias definidas como sendo prefer\u00eancias rom\u00e2nticas e\/ou fixa\u00e7\u00e3o sexual limitada a indiv\u00edduos de determinadas faixas et\u00e1rias (Seto, 2012 as cited in Martijn et al., 2020). As pr\u00f3prias cromofilias subdividem-se em v\u00e1rias classifica\u00e7\u00f5es (Tabela 1)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tabela 1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tipos de Cronofilias<\/em><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"94\">Infatofilia<\/td>\n<td width=\"454\">Consiste numa fixa\u00e7\u00e3o sexual em crian\u00e7as com menos de 5 anos de idade incluindo crian\u00e7as \u00a0pequenas e beb\u00eas (Greenberg et al., 1995).<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"94\">Hebefilia<\/td>\n<td width=\"454\">Consiste numa fixa\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica e\/ou sexual em jovens p\u00faberes precoces entre os 11 e 14 anos.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"94\">Efebofilia[1]<\/td>\n<td width=\"454\">Consiste numa fixa\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica\/sexual em jovens p\u00faberes tardios, entre os 15 e19 anos (Blanchard et al., 2008).<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"94\">Teleiofilia<\/td>\n<td width=\"454\">Consiste numa prefer\u00eancia rom\u00e2ntica e\/ou sexual por adultos e adolescentes p\u00f3s-p\u00faberes e sexualmente maduros (Blanchard et al., 2000).<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"94\">Mesofilia[2]<\/td>\n<td width=\"454\">Consiste numa prefer\u00eancia rom\u00e2ntica e\/ou sexual por adultos de meia-idade (Seto, 2016).<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"94\">Gerontofilia<\/td>\n<td width=\"454\">Consiste numa prefer\u00eancia rom\u00e2ntica e\/ou sexual por idosos (Kaul &amp; Duffy, 1991).<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996322\"><\/a>Controv\u00e9rsias sobre a defini\u00e7\u00e3o de pedofilia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante compreender que a defini\u00e7\u00e3o de pedofilia como conhecemos atualmente n\u00e3o \u00e9 um conceito que est\u00e1 definido h\u00e1 muito tempo, visto que, os atos sexuais com crian\u00e7as t\u00eam sido alvo de mudan\u00e7as ao longo dos s\u00e9culos. Era comum at\u00e9 ao s\u00e9culo XVII as crian\u00e7as serem vistas como pequenos adultos, n\u00e3o havendo conhecimento suficiente que questionasse o que era \u00e9tico ou moral. Foi com o desenvolvimento populacional que a compreens\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 dos atos sexuais e\/ou abusos, mas do que significa ser crian\u00e7a e adolescente, se alterou encaminhando, assim, v\u00e1rias mudan\u00e7as a n\u00edvel social (Lopes, 2017).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, a defini\u00e7\u00e3o de pedofilia \u00e9 alvo de cr\u00edticas encontrando-se emaranhada com algumas controv\u00e9rsias. Tal como supramencionado, clinicamente a pedofilia \u00e9 considerada como uma parafilia \u201ca par do fetichismo, do exibicionismo e do sadismo\u201d (Lopes, 2017, p. 13), sendo igualmente introduzida no \u00e2mbito de manifesta\u00e7\u00f5es sexuais desviantes. A afirma\u00e7\u00e3o de que um indiv\u00edduo com tend\u00eancias pedofilas pode ser descrito como tendo uma \u201corienta\u00e7\u00e3o sexual ped\u00f3fila\u201d gera uma discuss\u00e3o em que, por um lado, \u00e9 defendida a ideia de que n\u00e3o deveria constar no \u00e2mbito de orienta\u00e7\u00e3o sexual uma vez que, possivelmente, engloba v\u00e1rias pr\u00e1ticas ilegais e prejudiciais a crian\u00e7as e\/ou adolescentes o que acaba por distorcer o significado de atra\u00e7\u00e3o e de comportamento desviante (Fedoroff, 2020; Berlin, 2014). A ideia de permitir que seja considerada uma orienta\u00e7\u00e3o sexual est\u00e1 ligada \u00e0 conce\u00e7\u00e3o que o torna um ato normal, o que poderia piorar os casos de pedofilia (Baker, 2021). Por outro lado, argumenta-se que a pedofilia \u00e9 uma \u201ccondi\u00e7\u00e3o biologicamente enraizada que n\u00e3o muda \u2013 como uma orienta\u00e7\u00e3o sexual\u201d (Islam, 2015, p. 2) e assim, tal como validamos a defini\u00e7\u00e3o de homossexualidade, tamb\u00e9m dever\u00edamos validar a de atra\u00e7\u00e3o sexual por menores (Fedoroff, 2020; Lopes, 2017), por ser uma defini\u00e7\u00e3o que ajuda a diferenciar o que \u00e9 pedofilia e o que s\u00e3o abusos sexuais a menores (Berlin, 2014).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m disso, a pedofilia tamb\u00e9m \u00e9 um t\u00f3pico controverso quando explorado num \u00e2mbito legal visto que \u00e9 discutida de acordo com as leis propostas por cada pa\u00eds, e em diferentes jurisdi\u00e7\u00f5es (Seto, 2004), como por exemplo a varia\u00e7\u00e3o da idade m\u00ednima de consentimento (e.g Green, 2002 as cited in Ba\u0161i\u0107, 2020). A t\u00edtulo de exemplo, \u201cem pa\u00edses africanos e do M\u00e9dio Oriente, o casamento entre menores e com menores \u00e9 comummente praticado\u201d (Lopes, 2017, p. 15), n\u00e3o sendo poss\u00edvel generalizar e aplicar puni\u00e7\u00f5es relacionadas com abusos a menores. Focando apenas na sociedade portuguesa, a pedofilia \u00e9 vista como um comportamento moralmente incorreto, n\u00e3o sendo socialmente aprovado, contudo \u201co agente que padece de pedofilia s\u00f3 viola o direito se cometer\/praticar condutas tipificadas na lei\u201d (Lopes, 2017, p. 15), isto \u00e9, tal como pensar em roubar um estabelecimento s\u00f3 constitui uma conduta ilegal caso seja colocado em pr\u00e1tica, tamb\u00e9m a pedofilia s\u00f3 \u00e9 considerada ilegal se existir abuso consumado a uma crian\u00e7a e\/ou adolescente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996323\"><\/a>Ped\u00f3filo <em>versus<\/em> Molestador Sexual<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Se a pedofilia n\u00e3o se revelar um ato praticado pelo indiv\u00edduo continua a ser considerada ilegal?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta d\u00favida surge da compara\u00e7\u00e3o frequente entre um ped\u00f3filo e um abusador sexual de menores, tornando-se relevante distinguir um do outro, pois nem todos os indiv\u00edduos que comentem abusos contra menores s\u00e3o ped\u00f3filos, n\u00e3o existindo no c\u00f3digo penal (CP) portugu\u00eas informa\u00e7\u00e3o sobre esta distin\u00e7\u00e3o (Monteiro, 2012). Posto isto, \u00e9 importante explicar esta controv\u00e9rsia uma vez que o uso destes conceitos como sin\u00f3nimos \u00e9 errado. Primeiramente, tal como supramencionado, \u00e9 essencial perceber que clinicamente n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio haver pr\u00e1tica de um ato para que um indiv\u00edduo seja considerado ped\u00f3filo, basta que estejam presentes pelo menos alguns crit\u00e9rios que constam no DSM-5 (Castro &amp; Bulawski, 2011 as cited in Monteiro, 2012). Legalmente o ped\u00f3filo \u201c\u00e9 o indiv\u00edduo que tem uma prefer\u00eancia sexual an\u00f3mala\u201d (Lopes, 2017, p. 15), ou seja, alguns molestadores sexuais n\u00e3o s\u00e3o ped\u00f3filos, pois n\u00e3o preenchem os crit\u00e9rios de diagn\u00f3stico, s\u00e3o apenas considerados indiv\u00edduos que se aproveitam de uma situa\u00e7\u00e3o isolada para praticar tal ato ilegal (Marshal, 2007; Seto, 2008 as cited in Monteiro, 2012). Esta distin\u00e7\u00e3o verifica-se atrav\u00e9s de estudos j\u00e1 realizados, como por exemplo Nogueira em 2003, concluiu que 80% a 90% dos molestadores sexuais n\u00e3o apresentam qualquer parafilia (Monteiro, 2012). Ali\u00e1s, \u201cO DSM-5 fez pouco para definir e caracterizar um Transtorno Pedof\u00edlico como uma condi\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica por direito pr\u00f3prio, independente das suas potenciais implica\u00e7\u00f5es criminais\u201d (Berlin, 2014, p. 404) o que pode ser alvo de confus\u00e3o acabando por conduzir os estudos deste \u00e2mbito para uma \u00e1rea predominantemente sobre pedofilia abusiva, ou seja, indiv\u00edduos que se envolveram em crimes sexuais de relevo contra crian\u00e7as (Gannon, 2021). Contudo, \u00e9 relevante compreender que embora molestador sexual e ped\u00f3filo n\u00e3o sejam sin\u00f3nimos, este \u00faltimo n\u00e3o deixa de ser apto a ser julgado em tribunal pois qualquer ato n\u00e3o-consensual para com uma crian\u00e7a \u00e9 julgado por lei (Monteiro, 2012), garantindo que realize as avalia\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas ou psicol\u00f3gicas para determinar sua capacidade de enfrentar o processo judicial (Scarpazza et al., 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996324\"><\/a>Padr\u00f5es distorcidos de pensamento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As distor\u00e7\u00f5es cognitivas fazem parte do campo de crimes sexuais desde a d\u00e9cada de 80 como \u201cprocessos internos de um indiv\u00edduo, incluindo as justifica\u00e7\u00f5es, perce\u00e7\u00f5es e julgamentos usados \u200b\u200bpelo agressor sexual para racionalizar o seu comportamento de abuso sexual infantil\u201d (Abel et al. 1989 as cited in Lacambre et al., 2019, p. 2). Primeiramente, \u00e9 necess\u00e1rio compreender que muitos indiv\u00edduos quando se apercebem destes pensamentos resolvem isolar-se do mundo exterior, pois n\u00e3o conseguem sentir-se compreendidos (Laulik et al., 2007 as cited in Houtepen et al., 2014), especialmente aqueles que refor\u00e7am as suas fantasias atrav\u00e9s do uso da internet e \u201cque apenas se envolvem em contato com outros infratores e est\u00e3o isolados de outras pessoas com opini\u00f5es mais saud\u00e1veis \u200b\u200bsobre este tipo de ofensa<em>\u201d<\/em> (Houtepen et al., 2014, p. 472).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A perce\u00e7\u00e3o que os indiv\u00edduos possuem das v\u00edtimas muda, desumanizando a crian\u00e7a (Cohen e Galynker, 2012), simultaneamente, existe uma necessidade por parte do agressor de racionalizar as suas atra\u00e7\u00f5es de modo a convencer-se que o seu comportamento \u00e9 v\u00e1lido e proteger a sua auto estima ao impedir disson\u00e2ncias cognitivas (Nunes KL, Jung S, 2013 as cited in Lacambre et al., 2019). Neste sentido, culpabilizam comumente a v\u00edtima pelos maus-tratos que eles lhes infligiram, afirmando que a crian\u00e7a \u00e9 madura o suficiente para oferecer consentimento (Seto, 2002 as cited in Bridge e Duman, 2018) ou acreditando que, na verdade, a situa\u00e7\u00e3o serve como momento de aprendizagem para a crian\u00e7a (Blumenthal, Gudjonsson e Burns, 1999; Bahroo, 2005 as cited in Bridge e Duman, 2018). A falta de autoestima por parte do agressor \u00e9 vis\u00edvel na exist\u00eancia de inibi\u00e7\u00f5es interpessoais de comportamentos e menores n\u00edveis ansiedade face a menores de idade comparativamente a pessoas da sua idade (Cohen e Galynker, 2012). Quando o pensamento est\u00e1 enraizado nesta cren\u00e7a de que o adulto \u00e9 que foi \u201cseduzido\u201d, muitos indiv\u00edduos creem ter o direito de manifestar a atra\u00e7\u00e3o que sentem, ignorando qualquer consequ\u00eancia ou norma social associada a estes comportamentos (Stone, Winslade e Klugman, 2000; Hall e Hall, 2007 as cited in Monteiro, 2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996325\"><\/a>Fatores associados ao desenvolvimento da pedofilia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155616821\"><\/a>\u00c9 fulcral para a investiga\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea tanto compreender o constructo pedofilia uma vez que representa um fator de risco implicado no abuso sexual infantil (Seto, 2017b; Smid e Wever, 2019 as in Gannon, 2021), como os fatores associados \u00e0 origem da perturba\u00e7\u00e3o pedof\u00edlica e os modelos de comportamento desenvolvidos e propostos para explicar o desenvolvimento desta parafilia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996326\"><\/a><strong>Fatores do campo biol\u00f3gico e neuronal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Gannon (2021) as perspetivas biol\u00f3gicas de fator \u00fanico procuram explicar a pedofilia exclusivamente atrav\u00e9s de fatores biol\u00f3gicos, por outras palavras, a pedofilia \u00e9 predeterminada pela natureza do indiv\u00edduo. Postula-se que adultos possuam um conjunto de m\u00f3dulos cerebrais determinados evolutivamente que permitem detetar g\u00e9nero e maturidade sexual (Quinsey and Lalumi\u00e8re, 1995 as cited in Gannon, 2021). A desejabilidade de caracter\u00edsticas associadas com indiv\u00edduos mais jovens est\u00e1 relacionada com a falha ou aus\u00eancia do m\u00f3dulo de maturidade sexual (Gannon, 2021) que, consequentemente, repercute no m\u00f3dulo de g\u00e9nero tornando essa caracter\u00edstica menos saliente (Seto, 2012 as cited in Gannon 2021).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pesquisas de foro neurol\u00f3gico sobre a pedofilia permitem definir quais as estruturas neuronais alteradas em indiv\u00edduos que padecem deste transtorno (Berlin &amp; Coyle, 1981, as cited in Lopes et al., 2020). Segundo Becerra-Garcia (2009) o desenvolvimento do sistema nervoso central depende de fatores neuroqu\u00edmicos, diet\u00e9ticos e ambientais (Castro-Gago et al., 2007 as cited in Becerra-Garc\u00eda, 2009) que se refletem em aspetos como o Quociente de Intelig\u00eancia (QI), <em>handedness<\/em> e altura <a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, que constituem fatores de propens\u00e3o ao desenvolvimento de parafilias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Investiga\u00e7\u00f5es sobre a base neuronal da pedofilia assentam tamb\u00e9m na evid\u00eancia do desenvolvimento de impulsos e\/ou comportamentos ped\u00f3filos em pacientes ap\u00f3s les\u00f5es cerebrais, designados \u00abpedofilia adquirida\u00bb (Camperio Ciani et al. 2019; Gilbert e Focquaert 2015 as cited in Scarpazza et al., 2021). Estudos recentes de neuroimagem demonstram que a pedofilia est\u00e1 associada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de massa cinzenta (Poeppl et al., 2013; Schiffer et al., 2007, 2017 as cited in Scarpazza et al., 2021) e branca (Cantor e Blanchard 2012; Cantor et al., 2008, 2015 as cited in Scarpazza et al., 2021) em regi\u00f5es cerebrais envolvidas na excita\u00e7\u00e3o sexual (Tenbergen et al. 2015 as cited in Scarpazza et al., 2021), incluindo am\u00edgdala (Poeppl et al. 2013; Schiffer et al. 2007; Schiltz et al. 2007 as cited in Scarpazza et al., 2021), regi\u00f5es do hipot\u00e1lamo e septo (Poeppl et al. 2013; Schiltz et al. 2007 as cited in Scarpazza et al., 2021), c\u00f3rtex orbito-frontal e n\u00facleos de base, \u00e1reas com um papel relevante na inibi\u00e7\u00e3o de impulsos e recompensas \u00a0(Schiltz et al. 2007 as cited in Scarpazza et al., 2021).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996327\"><\/a><a name=\"_Toc155616823\"><\/a>Fatores e abordagens psicol\u00f3gicas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diversos estudos nesta vertente centram-se nos fatores psicossociais, isto \u00e9, experi\u00eancias de traumas, abusos ou neglig\u00eancias durante a fase de inf\u00e2ncia (Cohen e Galynker, 2012), uma vez que, as abordagens neste \u00e2mbito perspetivam pedofilia como algo aprendido e desenvolvido pelo ambiente. O papel das experi\u00eancias traum\u00e1ticas precoces como a vitimiza\u00e7\u00e3o infantil, a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica, o afastamento do lar, a desestrutura\u00e7\u00e3o familiar e perda parental devido a separa\u00e7\u00f5es, morte ou div\u00f3rcio est\u00e3o na origem de crimes sexuais posteriores (Seto &amp; Lalumi\u00e8re, 2010 as cited in Maniglio, 2011). Esta ideia \u00e9, maioritariamente, apoiada pelos modelos psicodin\u00e2micos como a teoria de vincula\u00e7\u00e3o de Bowlby que indica que um estilo vinculativo inadequado pode originar uma rela\u00e7\u00e3o fraca entre cuidador e crian\u00e7a (Bridge e Duman, 2018), o que, mais tarde, afetar\u00e1 a perce\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo no que concerne \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com menores, sendo o comportamento ped\u00f3filo uma maneira de satisfazer as necessidades emocionais n\u00e3o atendidas (Seto, 2002 as cited in Bridge e Duman, 2018). Os modelos cognitivo-comportamentais destacam ainda que existe um condicionamento operante no comportamento ped\u00f3filo, pois basta um refor\u00e7o atrav\u00e9s de fantasias ou est\u00edmulos externos para manter as tend\u00eancias exibidas (Laws e Marshall, 1990 as cited in Gannon, 2021), tome-se como exemplo, a exist\u00eancia de um acesso extremamente f\u00e1cil a materiais sexuais expl\u00edcitos atrav\u00e9s da <em>internet<\/em>, incluindo pornografia infantil (Quayle &amp; Taylor, 2002 as cited in Houtepen, Sijtsema e Bogaerts, 2014).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m das teorias assentes no condicionamento, tamb\u00e9m foi abordada a possibilidade de a pedofilia ser aprendida socialmente atrav\u00e9s de brincadeiras sexualizadas, abuso, exposi\u00e7\u00e3o a pornografia e conversas impr\u00f3prias (McGuire et al., 1964 as cited in Gannon, 2021). No caso dos abusos sexuais, a v\u00edtima incorre a uma imita\u00e7\u00e3o de comportamentos abusivos dos quais foi alvo na inf\u00e2ncia, tendo uma maior probabilidade de transicionar de v\u00edtima para abusador (Freund &amp; Kuban, 1994; Greenberg, Bradford, &amp; Curry, 1993; Lee, Jackson, Pattison, &amp; Ward, 2002; Levenson &amp; Grady, 2016; Nunes, Hermann, Malcom, &amp; Lavoie, 2013 as cited in Gannon 2021), especialmente de crian\u00e7as (Seghorn et al., 1987; Freund &amp; Kuban, 1994 as cited in Cohen et al. 2018). <em>Scripts <\/em>s\u00e3o representa\u00e7\u00f5es cognitivas de condutas comportamentais adequadas incluindo as sexuais, no caso dos abusadores, o report\u00f3rio comportamental sexual dos <em>scripts <\/em>s\u00e3o inadequados, como proposto por Ward e Siegert (2002). No entanto, n\u00e3o esta claro se o historial predisp\u00f5e tanto \u00e0 atra\u00e7\u00e3o quanto ao comportamento ou apenas a um e n\u00e3o ao outro. O pr\u00f3prio hist\u00f3rico dos indiv\u00edduos pode desencadear atra\u00e7\u00e3o ped\u00f3fila alterando o neurodesenvolvimento sexual, no entanto agir sobre essa atra\u00e7\u00e3o depende de fatores desinibidores adicionais (Cohen, Nikiforov, et al., 2002 as cited in Cohen et al. 2018).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996328\"><\/a>Tra\u00e7os de personalidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a verifica\u00e7\u00e3o dos fatores que poder\u00e3o estar na g\u00e9nese da pedofilia surge a curiosidade em compreender quais as diferen\u00e7as nos tra\u00e7os de personalidade de indiv\u00edduos ped\u00f3filos. Estudos contemplam altos n\u00edveis de tra\u00e7os esquiz\u00f3ides, paran\u00f3ides e\/ou esquizot\u00edpicos[4], propensos a distor\u00e7\u00f5es ideacionais refletidas em cren\u00e7as gerais de que a sua atra\u00e7\u00e3o sexual por crian\u00e7as \u00e9 aceit\u00e1vel (Henderson &amp; Kalichman, 1990; Cohen, McGeoch, et al., 2002; Blumenthal et al., 1999; Cohen, McGeoch, et al., 2002; Haywood et al., 1996 as cited in Cohen et al., 2018). Segundo alguns autores ped\u00f3filos tamb\u00e9m apresentam tra\u00e7os de personalidade antissocial, ansiedade social e baixa autoconfian\u00e7a, o que resulta na pr\u00e1tica de atividades sexuais com crian\u00e7as violando tabus sociais e o direito penal (Cohen et al., 2008; Raymond et al., 1999; Hall &amp; Hall, 2007; Kalichman, 1991; Kr\u00fcger &amp; Schiffer, 2011 as cited in Cohen et al., 2018). No entanto, tamb\u00e9m se demonstrou que esses indiv\u00edduos t\u00eam sentimentos de vergonha e evitamento social como resultado dos seus sentimentos e\/ou comportamentos ped\u00f3filos (Cohen &amp; Galynker, 2009 as cited in Cohen et al., 2018).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<a name=\"_Toc155996329\"><\/a>Abordagens multifatoriais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996330\"><\/a><em>Motivation-facilitation model of sexual Offending<\/em> de Seto (2017)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <em>Motivation-Facilitation Model of Sexual Offending<\/em> (MFM) de Seto (2017) tenta explicar o abuso de crian\u00e7as dentro de um quadro geral, afastando-se das teorias de fator \u00fanico. A MFM incorpora a pedofilia como um fator causal que, quando acompanhado por outros fatores, pode ou n\u00e3o resultar em comportamento abusivo em vez de um constructo cl\u00ednico a ser explicado por si s\u00f3 (Gannon, 2021). Dentro da MFM, os crimes sexuais s\u00e3o vistos como sendo produto de uma motiva\u00e7\u00e3o subjacente, como parafilias, fortes desejos e esfor\u00e7os sexuais, assim como, facilita\u00e7\u00e3o de estados mentais e tra\u00e7os de personalidade, como problemas de autorregula\u00e7\u00e3o, masculinidade hostil, afeto negativo, uso de \u00e1lcool e fatores situacionais relevantes, como a vulnerabilidade das v\u00edtimas, a presen\u00e7a ou n\u00e3o de guardi\u00f5es e a hora e local (Seto, 2017).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996331\"><\/a><em>Incentive motivational model of sexual deviance<\/em> de Smid and Wevers (2018)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta abordagem te\u00f3rica descreve uma grande variedade de comportamentos sexuais ofensivos, prestando especial aten\u00e7\u00e3o aos motivadores sexuais que os impulsionam. O que torna este modelo \u00fanico \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0 flexibilidade e aprendizagem no processo de desenvolvimento da pedofilia (Gannon, 2021). O comportamento sexualmente inadequado \u00e9 conceptualizado como decorrente de uma aprecia\u00e7\u00e3o positiva de um est\u00edmulo que desencadeia a excita\u00e7\u00e3o sexual, sup\u00f5e-se que seja determinado evolutivamente at\u00e9 certo ponto, mas tamb\u00e9m moldado atrav\u00e9s de princ\u00edpios de aprendizagem e condicionamento operante (Smid &amp; Wever, 2018). Uma caracter\u00edstica fundamental do modelo \u00e9 que a excita\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 concebida como uma resposta emocional que pode ser amplificada por outras emo\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do processo de transfer\u00eancia de excita\u00e7\u00e3o (ver Zillmann, 1996 as cited in Gannon, 2021). De acordo com Smith e Wever (2018) a experi\u00eancia emocionalmente estimulante da crian\u00e7a \u00e9 transferida para a excita\u00e7\u00e3o sexual e revisitada para fins de excita\u00e7\u00e3o sexual, aumentando a probabilidade de pedofilia atrav\u00e9s do condicionamento operante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996332\"><\/a>The Compositional Explanatory Theory of Pedophilia (CEToP)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O CEToP v\u00ea os alvos explicativos de um interesse ou prefer\u00eancia sexual por crian\u00e7as pr\u00e9-p\u00faberes como sendo compostos por fatores biol\u00f3gicos, ambientais e psicol\u00f3gicos (Gannon, 2021). Dentro do CEToP, um interesse sexual em crian\u00e7as pr\u00e9-p\u00faberes \u00e9 conceptualizado como um fen\u00f4meno cl\u00ednico ou sintoma diferente de pedofilia no que toca a manter uma prefer\u00eancia sexual por crian\u00e7as pr\u00e9-p\u00faberes. Por exemplo, um interesse sexual em crian\u00e7as pr\u00e9-p\u00faberes \u00e9 male\u00e1vel e mais fortemente composto de fatores ambientais (Gannon, 2021) do que uma prefer\u00eancia sexual imut\u00e1vel por crian\u00e7as pr\u00e9-p\u00faberes, que \u00e9 suscet\u00edvel de ser mais fortemente composto por fatores biol\u00f3gicos e neurol\u00f3gicos. Em termos de explica\u00e7\u00f5es etiol\u00f3gicas, o CEToP organiza a composi\u00e7\u00e3o de um interesse ou prefer\u00eancia sexual ao longo de duas vias dominantes: a ambiental e a biol\u00f3gica (Gannon, 2021).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A via ambiental do CEToP refere-se a um interesse sexual em crian\u00e7as pr\u00e9-p\u00faberes, este sintoma cl\u00ednico representa um interesse sexual relativamente male\u00e1vel e que n\u00e3o ser\u00e1 exclusivo, ou seja, coexistir\u00e1 com alguma forma de orienta\u00e7\u00e3o sexual adequada \u00e0 idade (Gannon, 2021). Sup\u00f5e-se que seja predominantemente composto por fatores ambientais com componentes psicol\u00f3gicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A via biol\u00f3gica refere-se ao alvo explicativo de uma prefer\u00eancia sexual por crian\u00e7as pr\u00e9-p\u00faberes, representando uma prefer\u00eancia sexual relativamente imut\u00e1vel que pode ou n\u00e3o ser exclusiva (Gannon, 2021), sendo predominantemente composto por componentes biol\u00f3gicos (evolutivos, gen\u00e9ticos) e neurol\u00f3gicos (incluindo processos ambientais-epigen\u00e9ticos), mas tamb\u00e9m fatores psicol\u00f3gicos e ambientais gen\u00e9ricos (Gannon, 2021).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O CEToP organiza temporalmente as duas vias explicativas, cada uma composta por dois momentos chave, primeiro, \u201cdesenvolvimento precoce\u201d, ou seja, fatores que influenciam a conce\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento fetal\/infantil. Seguido do \u201cdesenvolvimento da orienta\u00e7\u00e3o sexual\u201d, isto \u00e9, a emerg\u00eancia da orienta\u00e7\u00e3o sexual na adolesc\u00eancia ou in\u00edcio da idade adulta, culminando nos \u201cprincipais sintomas cl\u00ednicos\u201d de um interesse sexual ou prefer\u00eancia sexual por crian\u00e7as pr\u00e9-p\u00faberes (Gannon, 2021).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996333\"><\/a><strong>Interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dado o exposto \u00e9 essencial procurar que interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas existem na ajuda de preven\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es nocivas pois \u201cped\u00f3filos podem beneficiar do tratamento estabelecendo-se como pessoas sem pensamentos intrusivos e sendo reintegrado \u00e0 sociedade\u201d (McMillan 2014 as cited in Ba\u0161i\u0107, 2020, p.5)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com, Studer e Aylwin (2006) a terapia cognitivo-comportamental (TCC) \u00e9 de momento a abordagem mais utilizada para o tratamento de indiv\u00edduos ped\u00f3filos, juntamente com os grupos de apoio. \u00c9 uma abordagem que inicia este indiv\u00edduo numa pr\u00e1tica psicoeducacional recorrendo a atividades inspiradas em grupos de adi\u00e7\u00e3o com o prop\u00f3sito de impedir atitudes desviantes ou impedir a reincid\u00eancia destes. No contexto das tend\u00eancias ped\u00f3filas, a TCC visa ajudar os indiv\u00edduos a compreender e gerir os seus pensamentos, a desenvolver estrat\u00e9gias de <em>coping<\/em> e estabelecer padr\u00f5es de comportamento mais saud\u00e1veis enquanto a terapia de grupo fornece uma plataforma para discuss\u00e3o aberta, oferece um senso de comunidade, compreens\u00e3o e apoio de outras pessoas que podem estar a enfrentar desafios semelhantes, isto porque, terapias focadas em rela\u00e7\u00f5es inv\u00e9s de t\u00e9cnicas s\u00e3o a \u201cchave da mudan\u00e7a\u201d (Studer &amp; Aylwin, 2006, p. 778). Segundo Berlin e Krout (n.d) a psicoterapia utiliza a introspe\u00e7\u00e3o para ajudar o individuo a compreender os seus sentimentos e pensamentos enquanto a terapia comportamental foca-se em tentar perceber o que pode ser feito no presente, tendo como objetivo eliminar os desejos inadequados atrav\u00e9s de est\u00edmulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, existem interven\u00e7\u00f5es fisicamente mais intensas, como por exemplo, o uso de interven\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica. Bradford e Kaye (n.d) (reportam o uso de agonista de hormona libertadora de gonadotrofina que resulta como uma \u201ccastra\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica\u201d (p. 2) para reduzir o interesse sexual, enquanto outros estudos reportaram o uso de Acetato de ciproterona (Laschet e Laschet et al 1976 as cited in Berlin e Krout, n.d) uma droga comumente usada no \u201cbloqueio da convers\u00e3o da testosterona no andr\u00f3geno mais potente, 5\u03b1-diidrotestosterona\u201d (Hay et al, 2004) o que resultou numa descida significante de fantasias sexuais. Contudo, ambos estes artigos s\u00e3o estudos caso n\u00e3o sendo poss\u00edvel generalizar os resultados. Outras interven\u00e7\u00f5es conhecidas s\u00e3o o encarceramento e a cirurgia, contudo a primeira n\u00e3o demonstra um apoio muito grande na mudan\u00e7a ou impedimento de comportamentos de um individuo com tend\u00eancias pedofilas (Berlin &amp; Krout, nd) e o segundo poder\u00e1 apresentar problemas relacionados com coer\u00e7\u00e3o, mesmo que alguns estudos indiquem que os resultados que abrangem o controlo de impulsos s\u00e3o significativamente positivos (Ba\u0161i\u0107, 2020).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996334\"><\/a><strong>Efic\u00e1cia dos tratamentos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o que se coloca \u00e9 se existe alguma efic\u00e1cia nas interven\u00e7\u00f5es mencionadas. N\u00e3o \u00e9 uma resposta f\u00e1cil de encontrar pois a investiga\u00e7\u00e3o neste dom\u00ednio \u00e9 escassa, visto que, existem v\u00e1rias considera\u00e7\u00f5es \u00e9ticas a bloquear a informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para realizar estudos (Studer &amp; Aylwin, 2006). No entanto, tem havido algumas investiga\u00e7\u00f5es sobre a efic\u00e1cia de v\u00e1rias modalidades de tratamento que indicam que a TCC tem se mostrado promissora como abordagem terap\u00eautica para indiv\u00edduos com tend\u00eancias ped\u00f3filas (Studer &amp; Aylwin, 2006), pois pode ser eficaz na redu\u00e7\u00e3o de fantasias sexuais desviantes e na melhoria do autocontrole.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996335\"><\/a><strong>Taxas de reincid\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reincid\u00eancia refere-se ao ato de reincidir ou praticar comportamento criminoso ap\u00f3s receber tratamento ou cumprir pena (Sousa, 2013) e, semelhantemente \u00e0 efic\u00e1cia dos tratamentos, tamb\u00e9m a avalia\u00e7\u00e3o de taxas de reincid\u00eancia verifica-se uma tarefa complexa devido ao anonimato exigido por muitos indiv\u00edduos, assim como, a falta de pesquisa sobre o assunto e limita\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas que surgem (Casarin, Botelho &amp; Ribeiro, 2016; Seto, Babchishin, Pullman &amp; McPhail, 2015; Baltieri, 2013; Marafiga, Falcke &amp; Teodoro, 2017; Herrero &amp; Negredo, 2016; Van Leeuwen et al., 2013 as cited in Marafiga et al, 2021) As reincid\u00eancias dos agressores sexuais t\u00eam sido vistas como o resultado direto da incapacidade de lidar eficazmente com uma situa\u00e7\u00e3o ou emo\u00e7\u00f5es angustiantes (Pithers, Marques, Gibat, &amp; Marlatt, 1983, as cited in Maniglio, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, existem estudos que sugerem que o tratamento pode ser eficaz na redu\u00e7\u00e3o da reincid\u00eancia, nomeadamente, atrav\u00e9s dos tratamentos supramencionados e por meio de medidas de monitoramento, por exemplo, registo legal de agressores sexuais ou atrav\u00e9s de testes psicol\u00f3gicos (Ba\u0161i\u0107, 2021).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es \u00e9ticas <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontrar um equil\u00edbrio entre a seguran\u00e7a p\u00fablica e os direitos individuais continua a ser uma tarefa jur\u00eddica dif\u00edcil. Do ponto de vista \u00e9tico, surgem quest\u00f5es sobre a equidade de sujeitar os indiv\u00edduos a restri\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas sem evid\u00eancias de danos iminentes, por exemplo, infratores que residem no mesmo local h\u00e1 anos que acabam por ser afetados por estas restri\u00e7\u00f5es (e.g Patrick Leroy, Durling, 2006)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0De acordo com Renke (1999) as leis de den\u00fancia obrigat\u00f3ria exigem que profissionais, como terapeutas e m\u00e9dicos, relatem suspeitas ou casos envolvendo indiv\u00edduos com tend\u00eancias ped\u00f3filas. Estas leis destinam-se a proteger as potenciais v\u00edtimas e a assegurar que as autoridades s\u00e3o informadas dos potenciais riscos. Contudo, encontrar um equil\u00edbrio entre o dever de proteger as potenciais v\u00edtimas e o dever de respeitar a confidencialidade dos clientes constitui um desafio \u00e9tico delicado (McPhail &amp; Stephens, 2018).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996336\"><\/a><strong>Limita\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa sobre a pedofilia apresenta alguma limita\u00e7\u00f5es, visto que se baseia principalmente em teorias de fator \u00fanico (Keenan &amp; Ward, 2000; Tenbergen\u00a0 et al., 2015, as cited in Swaminath et al., 2023)e embora exista uma extensa pesquisa sobre o assunto que concerne pedofilia e absusos sexuais a menores, continua a ser um t\u00f3pico com imensas limita\u00e7\u00f5es. No campo do tratamento de tend\u00eancias ped\u00f3filas a escassez de pesquisas abrangentes e de longo prazo (Landgren et al, 2022) dificultam a replica\u00e7\u00e3o dos estudos. Existe tamb\u00e9m o risco de enviesamento visto que uso de informa\u00e7\u00f5es pessoais \u00e9 conseguido atrav\u00e9s de autorrelato (Cohen &amp; Galynker, 2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996337\"><\/a><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a elabora\u00e7\u00e3o deste trabalho pudemos entrar em contacto profundo com uma \u00e1rea da psicopatologia com \u00edntima liga\u00e7\u00e3o \u00e1 \u00e1rea forense, direito, psiquiatria, criminologia e psicologia. Foi-nos poss\u00edvel compreender a natureza sens\u00edvel do tema, as preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9ticas subjacentes e as restri\u00e7\u00f5es legais que muitas vezes dificultam uma investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica rigorosa para al\u00e9m da falta de volunt\u00e1rios que forne\u00e7am consentimento para o uso dos seus dados pessoais para a realiza\u00e7\u00e3o de estudos que permitam avan\u00e7os cient\u00edficos na \u00e1rea. Fic\u00e1mos a conhecer diversas abordagens que se prop\u00f5em explicar o conceito de pedofilia e alguns motivos pelos quais a orienta\u00e7\u00e3o sexual pedof\u00edlica n\u00e3o pode ser igualmente aceite como uma prefer\u00eancia normal, pelo facto de tal condi\u00e7\u00e3o necessitar de um seguimento psiqui\u00e1trico a fim de combater desejos e fantasias. Assumir que algo necessita assist\u00eancia psicol\u00f3gica ou psiqui\u00e1trica \u00e9 assumir que se trata de uma perturba\u00e7\u00e3o que precisa de ser tratada n\u00e3o podendo ser considerada como normal. Apesar de ser um tema conturbado e pol\u00e9mico existem v\u00e1rias tentativas de tratamento, algumas desconhecidas da nossa parte. A realiza\u00e7\u00e3o deste trabalho provou ser profundamente enriquecedor naquele que tem vindo a ser o nosso percurso profissional a n\u00edvel cl\u00ednico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_Toc155996338\"><\/a><strong>Refer\u00eancias <a name=\"_Toc155616822\"><\/a><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Alnemari, A., Mansour, T. R., Buehler, M., &amp; Gaudin, D. (2016). Neural basis of pedophilia: Altered sexual preference following traumatic brain injury. <em>International Journal of Surgery Case Reports<\/em>, <em>25<\/em>, 221\u2013224. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.ijscr.2016.06.035\">https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.ijscr.2016.06.035<\/a><\/li>\n<li>Ba\u0161i\u0107, K. 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Idiopathic and acquired pedophilia as two distinct disorders: an insight from neuroimaging. <em>Brain Imaging and Behavior<\/em>, <em>15<\/em>(5), 2681\u20132692. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s11682-020-00442-z\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/s11682-020-00442-z<\/a><\/li>\n<li>Scarpazza, C., Pennati, A., &amp; Sartori, G. (2018). Mental Insanity Assessment of Pedophilia: The importance of the Trans-Disciplinary Approach. Reflections on two cases. <em>Frontiers in Neuroscience<\/em>, <em>12<\/em>. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3389\/fnins.2018.00335\">https:\/\/doi.org\/10.3389\/fnins.2018.00335<\/a><\/li>\n<li>Seto, M. C. (2004). Pedophilia and sexual offenses against children. <em>PubMed<\/em>, <em>15<\/em>, 321\u2013361. <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/16913283\">https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/16913283<\/a><\/li>\n<li>Seto, M. C. (2009). Pedophilia. <em>Annual Review of Clinical Psychology<\/em>, <em>5<\/em>(1), 391\u2013407. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1146\/annurev.clinpsy.032408.153618\">https:\/\/doi.org\/10.1146\/annurev.clinpsy.032408.153618<\/a><\/li>\n<li>Seto, M. C. (2016). The puzzle of male chronophilias. <em>Archives of Sexual Behavior<\/em>, <em>46<\/em>(1), 3\u201322. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10508-016-0799-y\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10508-016-0799-y<\/a><\/li>\n<li>Seto, M. C. (2017). The Motivation-Facilitation model of sexual offending. <em>Sexual Abuse<\/em>, <em>31<\/em>(1), 3\u201324. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1177\/1079063217720919\">https:\/\/doi.org\/10.1177\/1079063217720919<\/a><\/li>\n<li>Smid, W., &amp; Wever, E. C. (2018). Mixed Emotions: An incentive motivational model of sexual deviance. <em>Sexual Abuse<\/em>, <em>31<\/em>(7), 731\u2013764. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1177\/1079063218775972\">https:\/\/doi.org\/10.1177\/1079063218775972<\/a><\/li>\n<li>Sousa, J. R. (2013). <em>Da Reincid\u00eancia Penal &#8211; Os avan\u00e7os e recuos de um instituto complexo <\/em>[Master\u2019s dissertation, Universidade de Coimbra]. Reposit\u00f3rio cient\u00edfico da UC. <a href=\"https:\/\/hdl.handle.net\/10316\/34787\">https:\/\/hdl.handle.net\/10316\/34787<\/a><\/li>\n<li>Studer, L. H., &amp; Aylwin, A. S. (2006). Pedophilia: The problem with diagnosis and limitations of CBT in treatment. <em>Medical Hypotheses<\/em>, <em>67<\/em>(4), 774\u2013781. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.mehy.2006.04.030\">https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.mehy.2006.04.030<\/a><\/li>\n<li>Studer, L. H., &amp; Aylwin, A. S. (2006b). Pedophilia: The problem with diagnosis and limitations of CBT in treatment. <em>Medical Hypotheses<\/em>, <em>67<\/em>(4), 774\u2013781. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.mehy.2006.04.030\">https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.mehy.2006.04.030<\/a><\/li>\n<li>Swaminath, S., Simons, R. M., &amp; Hatwan, M. L. (2023). Understanding Pedophilia: A theoretical framework on the development of sexual penchants. <em>Journal of Child Sexual Abuse<\/em>, <em>32<\/em>(6), 732\u2013748. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/10538712.2023.2236602\">https:\/\/doi.org\/10.1080\/10538712.2023.2236602<\/a><\/li>\n<li>Ward, T., &amp; Siegert, R. J. (2002). Toward a comprehensive theory of child sexual abuse: A theory knitting perspective. <em>Psychology, Crime &amp; Law<\/em>, <em>8<\/em>(4), 319\u2013351. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/10683160208401823\">https:\/\/doi.org\/10.1080\/10683160208401823<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] contudo esta n\u00e3o \u00e9 classificada como parafilia, devido a sobreposi\u00e7\u00f5es com a teleiofilia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[2] <em>A pr\u00f3pria hebefilia<\/em> n\u00e3o faz parte do <em>DSM-5<\/em>, em parte devido a fortes opini\u00f5es por parte de <em>veteranos <\/em>e tamb\u00e9m devido ao mau uso forense (Janssen, 2015). <em>O <\/em><em>DSM-5<\/em> introduziu a distin\u00e7\u00e3o entre <em>pedofilia<\/em> e <em>transtorno ped\u00f3filo<\/em>, parecendo assim, ter \u201cdesmedicalizado\u201d nominalmente o que ainda chama de \u00abparafilias\u00bb como orienta\u00e7\u00f5es potencialmente \u00abbenignas\u00bb, mesmo que nunca \u00abnorm\u00f3filas\u201d. (Janssen, 2015 p. 577<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[3] Becerra-Garc\u00eda defendia que indiv\u00edduos com um Quociente de Intelig\u00eancia (QI) mais baixo, esquerdinos e mais baixos em altura apresentam uma maior propens\u00e3o para o desenvolvimento de parafilias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[4] Correspondentes ao cluster A do DSM-5.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo o que \u00e9 preciso saber sobre a Pedofilia: Uma Revis\u00e3o da Literatura Autora principal: Beatriz Manuel Gaio e Sousa Vol. XIX; n\u00ba 6; 150<\/p>\n","protected":false},"author":1218,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[188],"tags":[18578,18579],"class_list":["post-75553","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-psicologia","tag-pedofilia","tag-revisao","no-featured-image-padding"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Tudo o que \u00e9 preciso saber sobre a Pedofilia: Uma Revis\u00e3o da Literatura<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Tudo o que \u00e9 preciso saber sobre a Pedofilia: Uma Revis\u00e3o da Literatura Autora principal: Beatriz Manuel Gaio e Sousa Vol. XIX; 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